Parentes e amigos de Samuel Thomas Rosa, morto no incêndio no Ninho do Urubu, se despediram do jovem em uma cerimônia marcada por emoção. Cerca de 150 pessoas estiveram presentes no velório e sepultamento do jogador, no cemitério de Vila Rosali, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Samuel foi uma das últimas vítimas da tragédia a ter o corpo reconhecido, por conta do avançado estado de carbonização. Em conversa com jornalistas, o tio do jogador, Sebastião Rodrigues, afirmou que a família não chegou a ver o corpo do jogador no Instituto Médico Legal.
- Simplesmente falaram que o corpo é do Samuel. Pelo que eu sei, a família não teve o direito de olhar o corpo. - afirmou o parente. O corpo do lateral-direito foi reconhecido por meio de técnicas de antropologia forense, como medição de ossos.
A emoção, o calor e a aglomeração levaram a mãe do jogador a passar mal. Socorrida por ambulância, ela não acompanhou o sepultamento do filho. Outras quatro pessoas, pelo menos, precisaram ser atendidas.
Parentes carregavam no peito medalhas conquistadas pelo jogador, como a da Taça Guanabara sub-15. Nas blusas, fotos do jogador e mensagens como "por onde quer que vá, vou te levar para sempre" e "quem inventou a distância nunca sentiu a dor de uma saudade".
Organizadas do Flamengo marcaram presença na porta do cemitério. Torcedores cantaram o nome do jogador, de outras vítimas, e outros gritos alusivos ao clube desde que o caixão deixou a capela.
- Ele nunca reclamou comigo, nunca passou pra mim esse problema do alojamento - lamentou Rodrigues.
O caixão, coberto por uma bandeira do Flamengo, foi acompanhado à sepultura por cerca de 100 pessoas, sob forte comoção.
Ao fim da cerimônia, alguns parentes se juntaram a torcedores no lado de fora do cemitério. O irmão, Moisés, levantou um troféu com as medalhas de Samuel penduradas, enquanto o nome do jogador era entoado.