Um dos técnicos mais vitoriosos do futebol brasileiro, Abel Braga é muito querido por onde passou. No Brasil, além do Fluminense, treinou clubes como Internacional, Flamengo, Ponte Preta e colecionou amigos por onde passou. No trato com a imprensa, sempre teve uma relação tranquila com os jornalistas. Só que no último sábado (29 de julho), o comandante viu sua vida ficar de cabeça para baixo.
Enquanto treinava o Fluminense para a partida contra a Ponte Preta, ele recebeu a notícia da morte do filho mais novo, João Pedro. Prontamente, recebeu homenagens de todos os clubes brasileiros e da CBF, que adiou o jogo do Tricolor. E a mobilização daqueles que participam do futebol no país comprova o que é Abel Braga, uma pessoa correta e de bom coração. Abaixo, um pouco da trajetória do treinador, que não é composta apenas por títulos, mas por atos nobres.
Guerreiro como poucos:
Apesar de ter todos os motivos do mundo para se ausentar da profissão, Abel Braga mostra sinais de superação. O comandante deixou claro que está à disposição do Fluminense mesmo com o problema familiar. Treinou os jogadores nesta segunda-feira (31), foi aplaudido por todos e garantiu que vai para Recife enfrentar o Sport.
Homem de palavra:
Técnico com um currículo vitorioso, Abel Braga é sonho de dez em cada dez clubes que estão sem técnico. Só que o treinador é daqueles que não deixa ninguém na mão. Acordo firmado é sempre cumprido. Propostas aparecem quase que todo dia para Abelão, que rejeita todas pelo compromisso firmado. A última veio do Atlético-MG, prontamente negada para seguir no Tricolor.
Jeito paizão:
Além de ser um técnico que domina a parte tática, Abel sempre teve o grupo na mão por onde passou. A sinceridade do treinador no trato com os atletas é algo admirável. Não há jogador no futebol brasileiro que reclame do trabalho do comandante. Por exemplo, Richarlison, negociado pelo Fluminense com o Watford, fez uma carta de despedida e exaltou a fama de 'paizão' de Abelão.
Na alegria ou na tristeza:
Abel Braga não é de jogar a toalha. Nem mesmo quando está na pior. Em 2003, ainda na Ponte Preta, o treinador convivia com a falta de recursos do time da Campinas na Série A e esteve por boa parte do Brasileirão na zona de rebaixamento. Na ocasião, recebeu diversas propostas superiores para deixar a Macaca, mas honrou o compromisso até o final. De quebra, ainda deixou o clube na primeira divisão.
Corrida para recuperar bandeira roubada do Fluminense:
O Fluminense foi fazer um jogo pela Copa do Brasil, em 2005, contra o Ceará. Durante um treino no Presidente Vargas, ele ficou sabendo que um torcedor tinha sido roubado fora do estádio. A bandeira do clube teria sido furtada. Ele saiu da atividade, foi correndo e voltou ofegante com o objeto na mão: "Bandeira do Fluminense. Não pode roubar uma bandeira do Fluminense", arrancando gargalhadas dos que estavam no local.
Treinador que olha para a base:
No ano de 2017, Abel Braga fez questão de dar oportunidades a muitos garotos. Só que o método de trabalho do comandante é antigo. Em 2005, Abelão 'adotou' diversos jovens, entre eles a dupla de sucesso em Xerém: Diego Souza e Arouca.
Trato com a imprensa:
Diferente de muitos treinadores, que brigam diariamente com os jornalistas, Abel Braga vai em outra rota. Sempre com boas entrevistas, o comandante tem uma excelente relação com os profissionais que cobrem o clube. Em 2005, na semana da final da Copa do Brasil, uma desavença com Fábio Azevedo, repórter do FOX Sports atualmente e que trabalhava em outro veículo na época, aconteceu por conta de uma informação sobre escalação. Só que os dois se acertaram e viraram amigos: " Ele é muito honesto, fala a verdade na cara da pessoa. Não joga para galera. É uma pessoa maravilhosa. Somos amigos", disse Fábio.