São Paulo é o mais confiável na semi

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Nesta terça-feira começa a se definir o destino da edição 2023 da Copa do Brasil. Faltam seis jogos para o fim do torneio (quatro nas semifinais e dois na decisão) e a expectativa é por confrontos inesquecíveis - mais pela grandeza e peso da camisa de São Paulo , Corinthians , Grêmio e Flamengo do que propriamente pela bola que pelo menos três desses gigantes estão jogando (ou não estão jogando). O mais confiável dessa turma que disputa a rodada de ida nesta semana é o São Paulo. Antes que venham as pedras, é claro que isso não significa que o time de Dorival já ganhou ou sequer que irá à final. A análise é em cima de quem vive o melhor momento. O São Paulo, pelo padrão que conquistou com Dorival, é favorito diante do Corinthians, enquanto na outra perna, essa condição se define por Luiz Suarez. Se ele enfrentar o Flamengo, não haverá favoritos. Sem o matador uruguaio, o Flamengo ganha enorme fôlego.

São Paulo - É inevitável a comparação entre a rapidez com que Dorival Júnior deu padrão e confiança ao Tricolor e a quantidade de incertezas das quais Vanderlei Luxemburgo ainda não deu conta. Óbvio que Luxa pegou uma terra arrasada (porque não substituiu diretamente o promissor Fernando Lázaro, pegou um elenco desgastado pela interinidade de Danilo e pela crise trazida por Cuca) e Dorival pegou a base deixada por Rogério Ceni e fez, aí sim, intervenções precisas, aprimoramentos, deixando o torcedor tricolor com a expectativa (que se não for bem trabalhada pode ser perigosa) de títulos na Copa do Brasil e na Sul-Americana.

O São Paulo deu um salto de qualidade especialmente após a parada da data Fifa. Nesse recorte até aqui, foram 6 vitórias, um empate e duas derrotas. E o revés de sábado diante do Cuiabá deveu-se bem mais à melhora do time de Antônio Oliveira e, principalmente, ao fato de o time estar com a cabeça no Corinthians do que a qualquer problema na escalação. A derrota por 2 a 1 não diminui a força com a qual o time chega diante do Corinthians. Dorival e o time são suficientemente conscientes para esquecer que clássicos e mata-matas (ou ambos) encurtam distâncias entre os oponentes. O que o treinador precisa ficar ligado é numa eventual opção pelas Copas, como fez ano passado no Flamengo - porque o elenco desta vez não é tão rico e, por mais que seja favorito, não tem opções nu, nível de dar certeza de títulos (como os dois que Dorival conquistou no time da Gávea).

Corinthians - Por mais inferiorizado que eventualmente esteja, é claro que num clássico o Timão jamais é coadjuvante. Mas o discurso de Luxa, clamando pela ajuda da Fiel no jogo da Neo Química Arena é sintomático: quando um treinador precisa tanto da torcida, é porque o time não está dando conta. Vanderlei não pode ser responsabilizado pelo fato de seu rival ser favorito no confronto semifinal. Ele teve dois méritos até aqui: ter usado seu olho clínico para pinçar pérolas da base, que fez o elenco enxuto de poucas semanas atrás ter encorpado com qualidade - exemplo clássico foi a classificação às oitavas da Sul-Americana no confronto contra o Universitário de Lima. O segundo foi os resultados: avanços nas Copas, e uma sequência de quatro vitórias seguidas que o Corinthians não conseguia desde março de 2021 - ainda sob o comando de... Wagner Mancini.

Mas, o outro lado da moeda: Luxa não consegue apertar o parafuso das conexões ofensivas, e não consegue dar no coletivo uma opção à dependência insuperável de Renato Augusto e, hoje em dia, de Roger Guedes. Isso é preocupante numa competição de fôlego como o Brasileiro - embora Luxa tenha nela mais tempo para trabalhar. Mas nas Copas, ainda mais na do Brasil com "apenas" quatro jogos entre o Corinthians e a taça, as coisas podem funcionar, como funcionaram contra os mineiros do Atlético e do América.

Flamengo - Não há dúvidas de que seu elenco é mais rico em opções e talento do que o do Grêmio. Não há dúvidas de que Jorge Sampaoli é um técnico com um cabedal mais amplo do que o de Renato Portaluppi. Não há dúvidas de que o Maracanã, palco do segundo jogo da semi, costuma dar uma força ao Rubro-Negro às vezes maior do que os jogadores. Mas no curtíssimo prazo, o Flamengo se mostra menos equilibrado do que o Grêmio. O jogo de Sampaoli é complexo, o time já deu mostras de que sabe o que é para fazer, mas ainda não consegue executar isso com sequência - e Gérson, quem mais conhece, entende e executa a proposta do argentino, não joga em Porto Alegre porque está suspenso.

A tendência é que o Flamengo vá tentar propor o jogo, mesmo fora de casa, primeiro porque seus craques gostam de ter a bola no pé. Segundo porque o Grêmio ainda mostra muitos problemas de marcação quando é atacado (mesmo quando não é muito atacado, como foi o caso da vitória rubro-negra pelo Brasileiro por 3 a 0), e terceiro porque se o Flamengo der campo ao Tricolor para atacar será o cenário ideal para o time de Renato, até porque a torcida vai crescer junto com ele. O projeto mínimo é chegar vivo ao segundo jogo para que a torcida rubro-negra faça o resto.

Grêmio - O sai-não sai de Luiz Suárez trouxe ao Tricolor uma inesperada e desnecessária crise. Porque com um jogador desse tamanha não há meio termo: se ele joga, o Grêmio pode almejar qualquer vitória; se ele não joga, o time diminui de tamanho, encoraja os oponentes. Mas não é isso que está tirando claramente Renato Portaluppi do sério. Enquanto o uruguaio estava por vezes fora de combate por causa do joelho, tudo estava ok, porque não se controla as lesões. Mas quando a questão é Suarez deixar o clube e o Grêmio ficar tentando segurá-lo, aí não se decide nada e Renato não pode contar com seu craque e tampouco com alguma contratação que pudesse amenizar a perda.

Com Suarez, os adversários temem o Grêmio. Sem ele, o time passa a depender de um coletivo que, se funciona bem ofensivamente, na questão de marcação sofre. Passa também a depender do talento de gente como Villasanti (que não enfrentou o Atlético-MG e deixou o Grêmio com menos velocidade na articulação por dentro). E passa a sentir falta dos outros tantos nomes que já foram embora - tipo Vini, Diego Souza, etc.

Portanto, o destino dessa perna da semifinal passa pelo Uruguai: se Suarez jogará, e se estará 100% focado... e, jamais nos esqueçamos, por Giorgian de Arrascaeta. Na outra perna, o São Paulo tem bem menos "senões"...

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