Depois de viralizar com a frase "respeito pela bola" em seus primeiros treinamentos do Flamengo , Jorge Sampaoli, em longa entrevista à FLA TV, afirmou que estranhou o comportamento da torcida brasileira quando era técnico do Chile. Certa vez veio acompanhar o meia Jorge Valdivia, do Palmeiras, e viu os palmeirenses vibrarem com chutões enquanto a equipe vencia um jogo.
- Quando era técnico do Chile, assistia a jogos do Palmeiras porque Valdivia jogava aqui. Um jogador extraordinário. Me surpreendi com a torcida porque a torcida pedia muita raça. E a raça estava algumas vezes em chutar a bola para fora do campo. E aí eu pensava: "Não, eu não estou no Brasil". Ou quero trocar essa ideia e que a raça seja se animar a jogar futebol, a se animar a atacar muito e a ter muito respeito pela bola.
Jorge Sampaoli pede respeito pela bola em treino do Flamengo — Foto: Marcelo Cortes/Flamengo
Questionado se esses chutões dados em retas finais de partidas em que o time está vencendo não é uma forma de trazer o público para si, Sampaoli discordou frontalmente. Foi além e disse que quer educar a torcida rubro-negra contra esse tipo de jogada.
- Tem que levantar a torcida de outra maneira, senão não é uma religião, é uma comodidade. Sinto que a exigência de ganhar por ganhar faz com que você esqueça de sua religião. Religião é jogar futebol o tempo todo: 94 minutos jogando.
- Minha obrigação, em meu espaço, é que a torcida do Flamengo reprima que um jogador não cuide da bola. Que não a dê ao rival, que não a chute para fora. Nunca. Nunca (risos).
Ainda a respeito da importância que dá à qualidade com a qual seus jogadores conduzem a bola, Sampaoli também disse ser contra defensores e meio-campistas que limitam seu estilo de jogo à combatividade e não se preocupam em participar da construção.
- O zagueiro é onde nasce tudo. O zagueiro, o goleiro. Nasce o jogo aí. Tudo que começa termina mal. O zagueiro tem que saber eliminar, ter linha de passe, saber a posição. Igual ao meio-campista. O meio-campista de minha construção anterior no futebol argentino era um jogador de corte. Para mim, o meio-campista é o melhor jogador do time porque está no meio. Tem que saber todos os tempos de jogo. No jogo de posição e o jogo com a bola.
- No jogo, se você não vai jogar e vai transitar ao ataque, como muitos times fazem aqui, onde transitam, roubam e atacam, é outra coisa. Aí entendo que o meio-campista seja combativo e que procure a cortar jogos. Para mim, o meio-campista é o jogador que tem mais sentimento pela bola.
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