Rodolfo Landim e Reinaldo Carneiro Bastos assumem como interventores da CBF

O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, e o presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, aceitaram nesta segunda-feira serem os interventores da CBF.

Eles assinaram o termo de confirmação numa rápida sessão na 2ª Vara Cível da Barra da Tijuca. De lá, a dupla seguiu com um oficial de Justiça para o prédio da CBF. Landim e Carneiro Bastos têm poderes para demitir diretores e o secretário-geral da entidade .

— Aceitei pela importância do processo, por ser uma decisão judicial e por ter sentido o apoio dos clubes após conversamos nos últimos dias — afirmou Landim, na saída do fórum na Barra da Tijuca.

Na semana passada, o juiz juiz Mario Cunha Olinto Filho anulou a Assembleia Geral da CBF que mudou a forma de votação para a presidência de entidade, ocorrida em 2017. Com isso, a eleição de Rogério Caboclo para a presidência, em abril de 2018, está anulada. A CBF entrou com recurso contra a decisão na 17ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Sede da CBF, Rio de Janeiro — Foto: Lucas Figueiredo / CBF
1 de 3 Sede da CBF, Rio de Janeiro — Foto: Lucas Figueiredo / CBF

Sede da CBF, Rio de Janeiro — Foto: Lucas Figueiredo / CBF

Os interventores agora têm como obrigação a "convocação do Colégio Eleitoral, composto pelas Federações e times da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, para votarem a alteração estatutária no que diz respeito a redefinição das regras do estatuto de 2015, em especial", segundo a decisão do magistrado. Eles terão 60 dias para realizar o pleito. Os dois não poderão concorrer.

Com a decisão desta segunda, o vice-presidente da CBF, Antonio Carlos Nunes, o Coronel Nunes, que comanda interinamente a entidade por conta do afastamento de Caboclo, não sabe se permanecerá no cargo. Landim e Bastos também têm de nomear um vice-presidente para comandar a entidade interinamente – que pode ser o próprio Nunes ou algum dos outros sete.

São eles: Fernando Sarney (Maranhão), Gustavo Feijó (Alagoas), Marcus Vicente (Espírito Santo), Francisco Noveletto (Rio Grande do Sul), Ednaldo Rodrigues (Bahia), Castellar Guimarães (Minas Gerais) e Antonio Aquino Lopes (Acre).

O que motivou a intervenção

Em março de 2017, a CBF promoveu uma assembleia geral – sem a participação dos clubes – e definiu novas regras para suas eleições. O colégio eleitoral da entidade passou a ser formado pelas 27 federações estaduais, os 20 clubes da Série A e os 20 clubes das Série B do Campeonato Brasileiro.

Rodolfo Landim em Botafogo x Flamengo — Foto: André Durão
2 de 3 Rodolfo Landim em Botafogo x Flamengo — Foto: André Durão

Rodolfo Landim em Botafogo x Flamengo — Foto: André Durão

Para driblar a maioria dos clubes, a CBF estabeleceu que os votos das federações estaduais teriam peso 3, os votos dos clubes das Séries A teriam peso 2 e os votos dos clubes da Série B terão peso 1. Na prática, se as 27 federações estaduais votassem no mesmo candidato, elas teriam 81 votos. Se os clubes se unissem, teriam 60 votos.

Segundo o procurador Rodrigo Terra, que acionou a CBF em 2017, a mudança "não seguiu as regras democráticas previstas pela legislação".

– A votação foi ilegal ao não dar chance aos opositores de viabilizar uma candidatura. Além de manter as federações como maioria no colégio eleitoral, a cláusula de barreira inviabiliza qualquer candidatura de oposição e favorece o grupo político que há décadas se mantém no poder lá. Por isso, queremos uma nova votação com chances iguais – disse Terra.

A CBF contesta a ação, afirma que por ser entidade privada sua eleição não pode ser rejeitada pela Justiça e alega autonomia de organização e funcionamento prevista na Constituição. A última eleição da CBF com dois candidatos foi em 1986, quando o carioca Octávio Pinto Guimarães venceu Medrado Dias. Em abril de 2018, já com a distribuição que dava 81 votos às federações, Caboclo venceu a eleição com 135 votos. Apenas Flamengo (abstenção), Corinthians (branco) e Athletico (branco) não votaram no dirigente que hoje está afastado.

Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol — Foto: Divulgação
3 de 3 Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol — Foto: Divulgação

Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol — Foto: Divulgação

A crise na CBF

A CBF atravessa uma das maiores maior crise da sua história. Em 6 de junho, o Rogério Caboclo foi afastado da presidência da entidade pela Comissão de Ética do Futebol. A decisão ocorreu dois dias depois de o ge revelar que uma funcionária da entidade o acusou de assédio sexual e assédio moral . Ele nega as acusações.

Desde então, Caboclo e Marco Polo Del Nero, ex-presidente da entidade, travam nos bastidores uma disputa pelo comando da CBF . Del Nero foi banido do futebol pela Fifa em 2018, acusado de diversos crimes pelo Departamento de Justiça dos EUA. Ele nega as acusações e recorre ao TAS (Tribunal Arbitral do Esporte) da punição da Fifa. Caboclo tenta retomar o cargo por meio de um recurso apresentado ao STJD.

Fonte: Globo Esporte