Relação ruim com jogadores, indefinição tática e mais: os 7 erros de Sampaoli no Flamengo

Depois de frustrações ao longo do ano, o Flamengo chega à reta final da temporada de 2023 com mais um resultado amargo. O vice-campeonato na Copa do Brasil, construído após a derrota em casa por 1 a 0 no jogo de ida, deixa o técnico Jorge Sampaoli com pouco respaldo para continuar no comando do time. A expectativa é de que a demissão seja anunciada nas próximas horas, com o rubro-negro mais uma vez precisando se reinventar no ano. A passagem do treinador pelo Ninho do Urubu foi bastante criticada e rendeu polêmicas pelas escolhas dentro e fora de campo. Veja os sete erros que prejudicaram o desempenho do time sob o comando do argentino.

Não repetir escalação

Os 39 jogos de Sampaoli comandando o Flamengo terminaram com 39 escalações diferentes. É verdade que o rubro-negro precisou conviver com lesões durante a temporada — na partida que antecedeu a finalíssima, a lista de desfalques no duelo contra o Goiás chegou a nove jogadores. Mas mesmo com um elenco recheado de estrelas à disposição, o treinador fez questão de inovar a cada partida, o que deixou a equipe carente de um senso de identidade.

Sem esquema tático definido, Sampaoli testou diferentes opções, mas sem continuidade. No início, optou por uma saída com três jogadores, com goleiro avançado, depois utilizou uma formação com três zagueiros e chegou até a improvisar volante como lateral. Do meio para frente, mais dúvidas: alternou dois e três atacantes, enquanto o meio de campo também variava e não acumulava sequência. O conceito de titular absoluto não existiu, e as disputas pelas vagas pareciam ser resolvidas mais por decisões isoladas do treinador do que por qualidade técnica, boa fase e ideia de jogo.

Não ter boa relação com o elenco

O perfil reservado e pouco agregador de Sampaoli logo se provou incompatível com o trabalho necessário para gerir um elenco inflado pelo ego das conquistas nos últimos anos. A escolha por certos jogadores em detrimento de outros, sem explicações convicentes, gerou atritos no vestiário e duas saídas: Marinho e Vidal deixaram o clube fazendo muitas críticas ao treinador. O chileno, campeão da Copa América em 2015 com o argentino, classificou Sampaoli como um "perdedor". O atacante foi afastado por indisciplina após não viajar com a equipe para duelo da Libertadores e foi vendido na sequência.

O clima já andava tenso depois de resultados pouco expressivos nas três competições disputadas, e a situação piorou ainda mais depois dos repetidos casos de agressão. Pedro afirmou ter passado por "covardia psicológica" dentro do clube em publicação nas redes sociais. Depois de Sampaoli ter abandonado o primeiro tempo no jogo de ida contra o São Paulo com a bola ainda rolando, uma imagem marcou a finalíssima da Copa do Brasil, no domingo. O campeão Dorival Júnior, ex-técnico do Flamengo, consolou os antigos comandados enquanto o argentino foi para o vestiário.

Não ter defendido Pedro no caso de agressão

Quando seu preparador físico, Páblo Hernández, agrediu Pedro no vestiário após a vitória sobre o Atlético-MG pelo Brasileirão, no fim de julho, a expectativa era que Sampaoli exercesse sua voz ativa e reestabelecesse o comando do grupo. Não foi o que aconteceu. Em vez de deixar claro que estava do lado dos atletas, ele se pronunciou sem ser contundente. Nas redes sociais, afirmou que não acreditava "na violência como solução" e que não havia dormido "pensando em como ajudar Pedro e Pablo", sem criticar de maneira mais direta o preparador. Depois da demissão do profissional, passou a dar o caso como resolvido, assim como a diretoria do Flamengo, evitando tocar no assunto.

Minar Gabigol e Pedro, principais goleadores

Se o Flamengo terminou 2022 com os títulos da Copa do Brasil e da Libertadores na conta, parte do mérito passou pela dupla de ataque, que jogava lado a lado. Pedro e Gabigol, juntos, balançaram as redes 62 vezes na última temporada, representando 43% dos 144 gols do rubro-negro no ano. Nesta temporada, Gabigol passou a jogar mais como meia e menos como atacante, ainda sob o comando de Vitor Pereira, e a tendência se manteve com Sampaoli. De abril até agora, o camisa 10 precisa, em média, de 178 minutos para participar de gols, e já amargou períodos de 10 jogos sem balançar as redes. No ano passado, o número foi de 142 minutos em média, uma queda de 21%.

Quem poderia ser a opção imediata para o setor era o camisa 9, Pedro. Mas mesmo antes do episódio de agressão, o começo promissor — balançou as redes duas vezes contra o Aucas, pela Libertadores, e anotou outros quatro na goleada por 8 a 2 sobre Maringá — não se traduziu em grandes atuações. No período, ele marcou outras seis vezes e deu uma assistência, totalizando 142 minutos para participar de gols do rubro-negro, uma queda de 41% em relação aos 85 minutos de média em 2022.

Ter pouca preocupação defensiva

Em 24 dos 39 jogos sob o comando de Sampaoli o Flamengo foi vazado, o que representa 61,5% do total. O número de gols sofridos por partida assusta ainda mais: foram 41 em 39, totalizando média de 1,05. O rubro-negro de Sampaoli sofreu no mínimo dois gols em nove ocasiões e não teve nomes fixos na zaga. A eliminação da Libertadores para o Olimpia, quando sofreu três gols de bola aérea em falha de marcação do setor, evidenciou a crise defensiva, mas não foi diferente do observado durante a trajetória.

Entre formações com dois e três zagueiros, Fabrício Bruno foi o mais utilizado, seguido de David Luiz e Leo Pereira. Pablo também recebeu algumas chances nas três competições. Rodrigo Caio, que sofre com lesões desde que chegou à equipe, em 2019, entrou em campo duas vezes.

Ter esvaziado o meio de campo

Thiago Maia, Gerson, Everton Ribeiro, Victor Hugo, Arrascaeta e Erick Pulgar eram opções disponíveis para Sampaoli montar um esquema ofensivo no meio de campo do Flamengo. O treinador contou ainda com as chegadas de Allan, do Atlético-MG, e Luiz Araújo, que veio da MLS, pedidos do argentino para reforçar o setor. Mesmo assim, o que se viu ao longo do ano foi um deserto criativo de ideias, e a dependência do talento individual de medalhões como Gerson, Ribeiro e Arrascaeta, ídolos da era de 2019, para resolver a situação. Na maioria dos casos, não deu certo.

Sampaoli privilegiou o jogo pelas pontas, lançando Ayrton Lucas pela esquerda e Wesley pela direita. Os jovens jogadores tiveram bons momentos — Ayrton chegou a ser convocado para a seleção pelo interino Ramon Menezes —, mas não conseguiram desafogar todo o ímpeto ofensivo pelo corredor. As jogadas só passaram a funcionar pelos lados do campo depois da volta de Bruno Henrique, um dos poucos destaques positivos do rubro-negro na temporada.

Ter desperdiçado períodos sem jogos

De abril a setembro, o calendário do futebol brasileiro passou por duas paralisações durante a Data Fifa. Os clubes tiveram dois períodos livres: o Flamengo ficou sem jogar de 11 a 22 de junho e depois de 2 a 12 de setembro. Os mais de dez dias sem compromissos, em cada ocasião, foram organizados para contemplar alguns dias de folgas para o elenco, e outros dias de atividades, sem precisar lidar com deslocamentos e viagens para outras partidas. Nos dois momentos, o rubro-negro vinha de pressão: buscava o primeiro lugar do grupo para não se complicar na Libertadores, no primeiro semestre, e tentava achar a equipe ideal para a decisão da Copa do Brasil, no último.

Mas a expectativa de utilizar o tempo livre para "botar a casa em ordem" não se transformou em resultados. Pelo contrário. Em junho, o Flamengo voltou para o confronto com o Bragantino pelo Brasileirão em performance desastrosa e terminou sofrendo uma goleada por 4 a 0. Neste mês, a vitória sobre o Botafogo por 2 a 1 no Nilton Santos, que pareceria servir de fôlego antes da decisão da Copa do Brasil, foi ofuscada pela derrota por 3 a 0 para o Athletico no retorno da Data Fifa. Mesmo com mais tempo de treinos, Sampaoli não conseguiu extrair do elenco a competitividade necessária para se manter vivo na disputa pelo título do Brasileirão nem retomar a confiança para a decisão da Copa do Brasil.

Fonte: Extra