O Flamengo é o campeão brasileiro de 2019. De forma dominante e com um segundo turno absurdo, o time rubro-negro assegurou a taça com quatro rodadas de antecedência e sem entrar em campo, já que a conquista se deu com a derrota do Palmeiras para o Grêmio por 2 a 1 neste domingo .
Confira dez pontos determinantes para que o Flamengo conseguisse o título da Série A, e com tamanha autoridade:
Gabigol artilheiro
Artilheiro do último Brasileirão com 18 gols, o atacante já tem quatro gols a mais do que na edição passada e se encaminha para ficar com o prêmio individual pela segunda vez consecutiva. Além disso, distribuiu sete assistências, participando diretamente de quase 40% dos gols do time na competição.
Bruno Henrique decisivo
18 gols, sendo 14 deles quando o Flamengo estava empatando ou perdendo por um gol de diferença. Além disso, cinco deles foram em clássicos. O atacante jogou muito, e quando o time rubro-negro precisava.
Arrascaeta maior assistente
Contratação mais cara da história do futebol brasileiro, o uruguaio teve um início discreto, até pelo fato de ter figurado diferentes vezes no banco de reservas no comando de Abel Braga, mas, quando tomou a titularidade de vez, justificou cada centavo investido. O uruguaio é o líder em assistências da Série A, com dez, ao lado de Dudu, além de ter marcado 11 gols.
Jorge Jesus
25 rodadas, 2 vitórias, quatro empates e só uma derrota. Jorge Jesus levou o Flamengo à liderança em seu sétimo jogo pelo Brasileirão. Agora já são 19 rodadas como líder – e chegará obrigatoriamente a 23. Só para efeito comparativo, apenas sete treinadores na história dos pontos têm mais rodadas na liderança. O português, inclusive, deixará para trás nomes como Abel Braga (21) e Luiz Felipe Scolari (20).
Além dos resultados, o Mister fez o Flamengo marcar mais gols - a média sem e com ele na competição são de 1,67 gol/jogo e 2,32 gols/jogo, respectivamente -, dominar mais o adversário - a posse de bola subiu de 54,1% para 60,1% - e apresentar um futebol mais vistoso.
Alto investimento
Vivendo um grande momento fora de campo e mais estável nas contas, o Flamengo viu nas janelas de transferência uma das chaves para o seu atual sucesso. Foram quase R$ 200 milhões em reforços para esta temporada. Vale lembrar que nomes como Pablo Marí, Rodrigo Caio, Rafinha, Filipe Luís, Gerson, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol chegaram em 2018. Ou seja, 8 dos 11 titulares chegaram neste período de grandes investimentos do clube rubro-negro.
Torcida
O Flamengo tem uma média de 54.093 de público pagante neste Brasileirão, totalmente isolado na liderança - o Corinthians é o time que mais se aproxima no quesito, com 33.573. Além disso, os 12 maiores públicos da competição tiveram o Flamengo em campo, sendo que em 11 deles os jogos foram com o time como mandante (e sempre no Maracanã). No quesito financeiro, os rubro-negros já somam quase R$ 44,7 milhões de renda bruta, quase R$ 15 milhões a mais do que o Corinthians, o segundo na estatística. Todos os dados foram retirados do site Globoesporte e não levam em conta as partidas deste fim de semana.
Time incansável
"Minha cultura não é essa", disse certa vez Jorge Jesus ao descartar a ideia de poupar jogadores. Nem mesmo a disputa em torneios mata-mata como a Copa do Brasil e a Libertadores fez o treinador estabelecer um rodízio ou descansar atletas. Nos 25 jogos dele à frente do elenco no Brasileirão, apenas 11 passaram da marca dos 1000 minutos jogados. E somente 16 atletas de linha estiveram em campo pelo menos 450 minutos - o equivalente a cinco jogos completos. A estratégia funcionou.
Jogo dominante
A inquestionabilidade em relação ao Flamengo não se dá apenas aos resultados como também ao seu estilo e nível de jogo. Trata-se do melhor ataque, com 73 gols marcados, 16 a mais do que o Grêmio (segundo no quesito), da maior posse de bola (58,4%), do time que mais cria chances (405) e do segundo que mais chuta no alvo, com 192, um a menos do que o Santos. É bonito de se ver o campeão jogar.
Reforços do meio da temporada
O investimento já foi destacado como um dos trunfos para o sucesso rubro-negro, mas as chegadas de meio de temporada merecem um destaque especial. Rafinha e Filipe Luís fizeram as laterais do clube subirem ao mais alto nível, e Pablo Marí acertou a linha de zaga ao lado de Rodrigo Caio. O espanhol, que estava na segunda divisão de seu país, mostrou-se um inusitado e enorme acerto. Além disso, Gerson não só repôs a saída de Cuéllar, como deixou o time mais ofensivo e virou um dos pilares do grupo campeão.
Sem oba oba
Em 2016, foi a história do cheirinho do hepta, e o Palmeiras acabou como campeão brasileiro. No começo de 2018, o então presidente Eduardo Bandeira de Mello brincou que "vamos ganhar tudo e não vai sobrar nada para o Corinthians e para o São Paulo”.
Dessa vez não houve qualquer empolgação prévia ou brincadeira. A torcida até soltou o grito de "é campeão" após a vitória de virada sobre o Bahia em 10 de novembro. Mas o auxiliar João de Deus, que substituiu o suspenso Jorge Jesus na partida, avisou na entrevista coletiva: "Não tem essa história de campeão".
Mas agora tem.