Em entrevista ao globoesporte.com , o presidente do Flamengo , Rodolfo Landim, lembrou a tragédia de 8 de fevereiro de 2019 no Ninho do Urubu, quando 10 jogadores da base do clube morreram presos e incinerados em um contêiner onde dormiam , e comentou o processo de indenização às famílias - outros três atletas ficaram feridos, mas sobreviveram.
O mandatário rubro-negro assegurou que o clube deu "a melhor assistência possível" aos familiares, como assistentes sociais e psicólogos, e tentou acertar as indenizações o mais rapidamente que conseguiu.
No entanto, ele ressaltou que o Fla teve que "estabelecer limites" nos valores, já que "as pessoas tendem a usar advogado" e criam grandes expectativas por ouvirem "números estratosféricos" na imprensa e nas declarações da Justiça e do Ministério Público.
Por isso, Landim afirmou que o Rubro-Negro teve que ter o "bom senso de não tomar a decisão de sair pagando valores que são fora da realidade", já que isso afetaria as contas da agremiação de maneira decisiva.
"Tivemos sempre a preocupação, desde o primeiro momento, de assistir as famílias da melhor maneira possível. Quando você tem um acidente desse, qualquer coisa que você fale é pouco perto do que foi a perda da vida de dez garotos. Mas dentro do que tínhamos possibilidade, colocamos assistente social, psicólogos, tudo para assessorar as famílias. Procuramos resolver os problemas o mais rápido possível. É óbvio que, se pudéssemos, iríamos indenizar todo mundo o mais rapidamente possível. Mas peço atenção das pessoas ao seguinte: qual outro acidente em grande escala no Brasil, após dois anos, você já tinha resolvido o problema de indenização como o Flamengo resolveu?", questionou.
"É claro que como uma pessoa diretamente envolvida, presidente do clube, sabendo do que foi, no coração você fica fragilizado, mas da mesma forma tivemos que estabelecer limites porque era um processo de indenização que tínhamos que fazer com recursos do clube. Fomos consultar a área jurídica para ver qual era o valor de indenização normalmente pago, que é pelo sofrimento das pessoas, pelo dano... Vida não tem preço, você não indeniza vida", seguiu.
"Num momento como esse, as pessoas tendem a usar, principalmente advogado e tal, e também informações com números estratosféricos, causa uma expectativa muito grande nas famílias. Mas temos que ter bom senso de não tomar a decisão de sair pagando valores que são fora da realidade. Explicamos isso no Conselho Deliberativo, explicamos valores de referência e dissemos que íamos pagar mais. Mas tudo tem um limite", argumentou.
Por fim, Landim asseguou que, "dentro do possível", o Flamengo fez tudo o que podia pelas famílias, e salientou que "faz parte do jogo" que advogados reclamem sobre as indenizações de forma pública.
"Acho que dentro do que foi possível ser feito, olho para trás e, sinceramente, acho que agimos correto com a famílias, não deixamos de assistir... Acho que faz parte do jogo que apareça um advogado falando que não, pressionando... Talvez no passado as pessoas que estavam sentadas aqui estivessem mais preocupadas com a imagem delas, mas temos que absorver o desgaste para tomar a decisão que precisa ser tomada e não a mais confortável", finalizou.