Por Libertadores e investimento em 2022, caminhos diferentes de Flamengo e Fluminense se cruzam no 435º clássico

No segundo encontro do único clássico carioca na elite do Brasileirão em 2021, Flamengo e Fluminense se enfrentam com muita coisa em jogo. O Fla-Flu 435, neste sábado, às 19h, no Maracanã, vale ao rubro-negro a sequência na perseguição ao Atlético Mineiro, em briga acirrada pelo título brasileiro, além de uma nova oportunidade de pontuar e se fincar matematicamente ao G6. Já ao tricolor, a partida é mais um passo na caminhada pelo retorno à Libertadores, em momento de seguir pontuando para não se desgrudar do pelotão de cima.

A situação do Flamengo é a mais confortável. Com mais de 99% de chances de retornar à Libertadores no ano que vem (via Brasileiro), o rubro-negro aparece com seis pontos de distância em relação ao Corinthians, primeira equipe fora do G6, além de ter três jogos a menos que os paulistas. Dependendo de si mesmo nos jogos atrasados, tem margem para abrir até 15 pontos de distância, com outros 33 em disputa até o fim.

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Já o Fluminense briga para se manter na parte de cima da tabela e ao mesmo tempo, torce por uma combinação de resultados em outros campeonatos que aumente a “faixa de classificação” à Libertadores no Brasileirão. A equipe de Marcão ocupa a oitava colocação, a quatro pontos dos seis primeiros.

Disputas paralelas ao Brasileirão podem abrir mais vagas para a Libertadores na tabela Foto: Editoria de Arte
Disputas paralelas ao Brasileirão podem abrir mais vagas para a Libertadores na tabela Foto: Editoria de Arte

Além das seis vagas aos primeiros colocados, o Brasil tem outras três garantidas: as dos campeões de Libertadores e Sul-Americana e do vencedor da Copa do Brasil. Pelo regulamento atual do Brasileiro, caso uma equipe que vença esses torneios termine o campeonato no G6, suas vagas via Brasileiro são herdadas pelo times subsequentes na tabela que não estejam classificados à competição.

Atualmente, os dois finalistas da Libertadores, três dos quatro semifinalistas da Copa do Brasil e um dos finalistas da Sul-Americana ocupam vagas no G6, um panorama que rende otimisto quanto à extensão das vagas, que podem virar até um G9 até o fim da temporada.

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— Nossa meta em 2020 era se classificar para a pré-Libertadores. Conseguimos ir além. E nosso objetivo para 2022 é voltar a disputar essa competição. Gerar um aumento de investimento significativo e gradual. Outros clubes que venceram essa competição disputaram "n" vezes. Então precisamos voltar. Estamos em viés de crescimento financeiro, de reestruturação, de marketing, de sócio-futebol — afirmou o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, em setembro.

Fluminense x River Plate, pela Libertadores Foto: Lucas Merçon / Fluminense F.C.
Fluminense x River Plate, pela Libertadores Foto: Lucas Merçon / Fluminense F.C.

Se a tarefa para voltar à Libertadores é diferente para os rivais cariocas, a recompensa anima. Na fase de grupos da Libertadores 2021, disputar um simples jogo como mandante rendeu 1 millhão de dólares (cerca de 5,6 milhões de reais). Mais que o dobro da fase de grupos da Sul-Americana, por exemplo, que paga 300 mil dólares por partida em casa.

Na atual edição, o tricolor foi até as quartas de final. Parou no Barcelona-EQU e faturou 5,5 milhões de dólares (por volta de 31 milhões de reais), um montante valioso para cobrir investimentos e seguir mantendo as contas equilibradas nas Laranjeiras.

Vagas diretas

No Flamengo, o orçamento prevê uma receita na casa dos R$ 980 milhões ao longo do ano, valor que pode ser superado com as fartas premiações. Só por ter chegado à semifinal da Libertadores, o rubro-negro faturou, no acumulado de todas as fases da competição, 7,55 milhões de dólares (42,6 milhões de reais). Contra o Palmeiras, disputa o título e a chance de faturar mais 15 milhões de dólares (o vice-campeão leva 6 milhões).

— Tendência é superarmos ainda uma meta. Bater mais de R$ 1 bilhão. Isso é possível — disse o vice-presidente de finanças do rubro-negro, Rodrigo Tostes, ao GLOBO no início deste mês.

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O clube investe alto no futebol e já gastou, este ano, cerca de 180 milhões em aquisições. Casos como o de Andreas Pereira, emprestado sem passe fixado até junho de 2021 e com um alto valor de mercado, ajudam a entender por que o Fla busca faturar ainda mais.

A importância da classificação tem a ver também com a fase em que as equipes entrarão na Libertadores. Nesta temporada, sete vagas são diretas à fase de grupos da competição: quatro via Brasileiro, uma para o campeão da Copa do Brasil e duas para os campeões das competições da Conmebol. Na última temporada, por exemplo, o Flu escapou da pré-Libertadores mesmo terminando em quinto, já que o Palmeiras, que já era campeão da Libertadores, também venceu a Copa do Brasil.

Flamengo fará final da Libertadores contra o Palmeiras Foto: Marcelo Cortes / Flamengo
Flamengo fará final da Libertadores contra o Palmeiras Foto: Marcelo Cortes / Flamengo

Neste sábado, as equipes se enfrentam em meio a uma série de desfalques. O Fluminense, que já não teria Fred e Gabriel Teixeira, que se recuperam de fissura no dedo do pé esquedo e lesão na coxa esquerda, respectivamente, também não terá as presenças de Nino e Bobadilla. O zagueiro se recupera de um pancada no olho esquerdo sofrida na vitória sobre o Athletico, no último domingo, enquanto o centroavante ainda não retornou do Paraguai após acompanhar o nascimento da filha.

No Flamengo,Filipe Luís está suspenso e Gabigol não deve ser relacionado para a partida após ser substituído contra o Athletico com uma torção no tornozelo. Pedro também é presença improvável. Arrascaeta e Bruno Henrique seguem fora, enquanto David Luiz, recuperado, é dúvida para a partida.

Fonte: O Globo
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