Entre os diversos passageiros do ônibus Rio de Janeiro-Lima, há um peruano de 33 anos que almejava ser jogador, mas acabou virando um tatuador reconhecido e referência pelo estilo. O mais curioso dessa história é que o futebol tem relação com essa transformação.

O nome dele é Eduardo Sakrasayas, 33. Ele é natural de Lima e um dos 47 passageiros do ônibus que faz o trajeto Rio de Janeiro até Lima, no qual 16 flamenguistas viajam para ver a decisão da Libertadores na capital peruana.

Foi em Vilhena, em Rondônia, que ele conversou com a reportagem da ESPN .

Sakra, como também gosta de ser chamado, faz a viagem por outro motivo. Está voltando da TatooWeek, umas das maiores feiras do ramo. Foram apenas três dias de evento, embora ele tenha passado quase um mês no Brasil, entre São Paulo, Mogi das Cruzes e Rio.

A inspiração ou pelo menos o gosto por tatuagens nasceu na época em que estava interessado em ser jogador.

Como goleiro, ele defendia o time amador do próprio Distrito, o Barrios FC. Uma equipe de uma área não muito abastada de Lima.

"Lá vi garotos com tatuagens. Algumas eram de presidiários. Achei curioso ver garotos da minha idade com tatuagem. Comecei a me interessar pela arte", disse.

Com 13 anos ele fez a primeira tatuagem. Curiosamente, foi com essa idade que decidiu desistir de vez do futebol.

"Não tinha dinheiro para comprar os equipamentos que pediam, como uniformes, chuteiras. E, se você não tem dinheiro nem conhecidos no meio, dificilmente é levado para um time profissional. Vão muitos garotos que são filhos dos amigos dos diretores", disse.

Acabou encaminhando a vida para a área de um dos irmãos - ele tem três. Seguiu Cristian, hoje com 38, que estava no Rio de Janeiro quando Sakra fez 21.

Ele chegou a se mudar para o Rio para ficar perto do irmão. A primeira vinda foi para acompanhar uma exposição com Cristian. Estudou desenho industrial e se virou como pôde na Cidade Maravilhosa.

"Cheguei a ser camelô, vendendo óculos escuros nas praias do Rio. Quando pude, aí comecei a investir nas tatuagens."

Ele tinha 21 anos quando atendeu os primeiros clientes. Em pouco mais de uma década trabalhando, Sakra virou referência por fazer tatuagens usando como inspiração a cultura mochica.

A exposição que participou em São Paulo, antes de entrar no ônibus para Lima, foi por convite da Tribo do Sol.

"Foi muito legal. Não fui para expor meus trabalhos ou fazer. Fui convidado para participar e ver. Vou para Lima, mas em breve voltarei para São Paulo", disse.

O mais curioso de toda essa história é que ele jamais esqueceu o futebol. Mesmo sem ter virado jogador, continuou torcendo pelo Alianza Lima. E admitiu estar torcendo pelo Flamengo na final desta Copa Libertadores.

"Não tenho time no Brasil. Vendo eles [torcedores] no ônibus, simpatizei", finalizou.