Uma das maiores organizadas do Flamengo, a Torcida Jovem Fla se reuniu na última quarta-feira (12) e decidiu adotar uma postura neutra diante do patrocínio da Havan , que gerou polêmica entre torcedores rubro-negros e também nas redes sociais.
Em contato com a coluna, a torcida afirmou que definiu ter como posicionamento que o importante é apenas a origem do dinheiro, se é lícita. Para a Jovem Fla, o clube funcionando é o que importa, segundo porta-voz da organizada. O acordo é de R$ 6,5 milhões pela manga do uniforme.
A organizada decidiu adotar a posição de que a preocupação não deve ser a vertente política. A torcida lembrou que não teve posicionamento perante reuniões com o atual governo, contra instituições como Globo ou questões anteriores, como patrocínios com estatais.
Então, ficou definido que o posicionamento hoje é que, se o dinheiro vem de forma lícita, pouco importa se a instituição de onde vem o dinheiro tem proprietário, presidente ou CEO com determinada vertente política.
O posicionamento neutro é diferente do de outra parte dos torcedores do clube. O Movimento Flamengo Antifascista, por exemplo, disse à coluna que é correta a atitude de parte da torcida de não querer comprar a camisa com a marca da Havan estampada.
O Flamento Antifa acredita que a empresa é péssima para a imagem do clube, pois envolve "o que há de mais sujo neste país, associada ao Bolsonaro, corrupção, exploração de mão de obra e sonegação de impostos". Para o movimento, os torcedores rubro-negros não podem aceitar de cabeça baixa o uso político que querem fazer do clube de maior torcida do país.
O movimento acredita que a boa fase do clube dentro de campo desperta interesses obscuros por parte de setores políticos. Os torcedores se lembraram da relação do Fla com o General Médici, um ditador que governou o país no auge da depressão e era torcedor rubro-negro, comparecendo constantemente aos jogos da equipe.
Para os torcedores, o patrocínio foi "completamente desnecessário", em um momento que a imagem do atual presidente se desmancha com a CPI da covid e a descoberta de um mensalão de R$ 3 bilhões no Congresso. Para eles, é péssimo que a imagem do Flamengo seja usada dessa forma, mesmo que indiretamente com um dos principais parceiros de Bolsonaro.
O Movimento Flamengo Antifascista disse ter repúdio total ao patrocínio, assim como setores mais combativos da torcida em geral que vêm nessa associação (mais um) desgaste de imagem. Outros setores não vêm problema porque entendem que é um acordo financeiro pontual que pode ser benéfico para o clube, independente de ser a tal empresa ou outra que respeite a diversidade
O anúncio gerou polêmica, com a hashtag #ForaHavan virando trending topics no Twitter e muitos flamenguistas manifestando que não iriam adquirir o uniforme com o patrocínio. A atual diretoria vem tendo aproximação intensa com o governo Bolsonaro .