A perda do título da Copa do Brasil para o Cruzeiro aumentou a pressão sobre o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello. Apesar das finanças equilibradas e das transferências de peso durante suas duas gestões, o mandatário não consegue repetir no campo esportivo tal sucesso.
Em carta aberta assinada por ex-aliados, a hoje oposição a Bandeira questionou os rendimentos dos jogadores rubro-negros, como o caso de Darío Conca.
"Um jogador que entrou em campo por apenas poucos minutos ganhou o direito, até o final do contrato, a receber o salário integral acordado quando de sua vinda. Além dele, vários outros jogadores que não estão jogando regularmente continuam recebendo a mesma quantia de quando estavam rendendo. Será que esta 'remuneração atrelada aos resultados' significa o pagamento de valores ainda maiores aos que já são pagos ao atual elenco?", pergunta os oposicionistas, entre eles Luiz Eduardo Baptista, o BAP, e Wallim Vasconcelos, ambos ex-vice-presidentes de Eduardo Bandeira de Mello.
Na carta, os dirigentes pedem que o atual mandatário se "desligue imediatamente do cargo de VP de Futebol do Flamengo, deixando a função para algum rubro-negro que efetivamente tenha pulso firme, conhecimento e experiência em gerir esta área".
A eleição presidencial no Flamengo acontecerá em dezembro de 2018.
Leia abaixo na íntegra a carta da oposição do Flamengo:
CARTA ABERTA AO PRESIDENTE E VP DE FUTEBOL DO CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO
O Flamengo não é lugar para exibicionismo, para vaidades, para egocentrismo.
O Flamengo é maior que tudo isto. É maior que todos nós.
Senhor Eduardo Bandeira de Mello
Quando de sua reeleição, o senhor prometeu que o futebol do Flamengo seria dirigido de maneira planejada e profissional, onde imperariam a competência e a meritocracia. Infelizmente, não é o que temos visto até agora e os fracos resultados em campo provam isto.
Na época de campanha, dentre os vários compromissos assumidos em seu programa de governo, tínhamos as seguintes afirmações:
“A política de remuneração dos profissionais do Futebol será atrelada a resultados”. “Criação de processos de avaliação de todos os funcionários do Departamento de Futebol com estabelecimento de prazos e feedbacks sobre cumprimento de metas”.
- O que temos visto são profissionais do futebol recebendo seus salários, sem o necessário alinhamento com os resultados alcançados. O caso Conca é um exemplo claro disto. Um jogador que entrou em campo por apenas poucos minutos ganhou o direito, até o final do contrato, a receber o salário integral acordado quando de sua vinda. Além dele, vários outros jogadores que não estão jogando regularmente continuam recebendo a mesma quantia de quando estavam rendendo. Será que esta “remuneração atrelada aos resultados” significa o pagamento de valores ainda maiores aos que já são pagos ao atual elenco? Como não tivemos nenhum titulo relevante nos últimos 3 anos ( somente o Carioca de 2017 ) teremos uma redução financeira nestes pagamentos? A possibilidade de se ter uma base menor de salários e um acréscimo efetivo por performance – base de todo o processo de politica de resultados - não foi implantada? Quais foram as metas e as remunerações pagas aos profissionais do futebol pelos resultados (que não vieram) em 2016 e as metas para 2017?
“As realizações e decisões estratégicas da gestão do Futebol serão comunicadas mais frequentemente aos associados”.
- Quando esta comunicação aconteceu? O futebol do Flamengo é hoje uma verdadeira caixa-preta, em que um grupo muito reduzido de amigos define o que fazer, sem maiores satisfações aos associados e à Nação Rubro-Negra
“Toda a contratação de atleta profissional será avalizada por relatório em que conste a avaliação técnica sobre o rendimento atual do profissional, seu histórico e produtividade; e análise física e psicológica”.
- Na realidade o que temos visto é uma total falta de planejamento na montagem do elenco, com contratações equivocadas baseadas no trabalho de um dito “Centro de Inteligência de Mercado”. “Inteligência” esta que orientou o treinador a fazer com que o nosso goleiro pulasse para o lado direito em todas as cobranças de pênaltis na final da Copa do Brasil. Deu no que deu. Também é impossível entender como o departamento de análise de desempenho – Centro de Excelência em Performance - pode sugerir, além da contratação, a manutenção no clube de jogadores sem a menor condição de vestir a camisa do Flamengo, seja pela parte técnica, seja pela física.
O não cumprimento das promessas feitas, aliado à perda da identidade rubro-negra e aos péssimos resultados que obtidos em campo - mesmo tendo hoje um dos maiores orçamentos de futebol do Brasil (se não o maior) - faz com que nós, sócios e torcedores apaixonados pelo nosso Flamengo, solicitemos que o senhor se desligue imediatamente do cargo de VP de Futebol do Flamengo, deixando a função para algum rubro-negro que efetivamente tenha pulso firme, conhecimento e experiência em gerir esta área – o coração e a alma de nosso Clube.
O futebol do Flamengo e sua imensa Nação não podem mais aceitar um comando fraco, um grupo de apadrinhados protegidos da presidência, uma falta de cobrança pelo melhor e o abandono da meritocracia.
Senhor Eduardo Bandeira de Mello, não existe nenhum demérito em reconhecer o seu despreparo e incompetência para esta função.
Pelo bem do Flamengo, pedimos que o senhor se concentre no importantíssimo trabalho institucional de representar o nosso Clube e tenha a humildade e grandeza para convocar alguém efetivamente preparado para liderar o nosso Futebol no caminho das vitórias e dos títulos. Isto é o que a Nação espera, já há muito tempo.
Tudo pelo Flamengo. Nada do Flamengo
Saudações Rubro-Negras
CHICO BRANDÃO
GUSTAVO FERNANDES
GUSTAVO OLIVEIRA
LUIZ EDUARDO BAPTISTA (BAP)
RODOLFO LANDIM, RODRIGO TOSTES
WALLIM VASCONCELLOS