O Flamengo não jogou bem e nem estancou de forma definitiva o problema de ambiente no Ninho do Urubu com a classificação para a nona final de Copa do Brasil. A vitória por 1 a 0 sobre o Grêmio, porém, foi marcada por uma trégua . Da arquibancada ao campo . Como disse Filipe Luís, foi um "jogo político" e de atuação suficiente para dar um alívio momentâneo ao conturbado 2023 rubro-negro.
Um dia após uma terça-feira conturbada e marcada pela briga de Gerson e Varela, os rubro-negros deram apoio irrestrito durante os 90 minutos, com protestos somente antes e depois do jogo. Os jogadores, por sua vez, tentaram se aproximar de Jorge Sampaoli, com quem têm um relacionamento frio.
Jorge Sampaoli e Bruno Henrique comemoram o gol de Arrascaeta em Flamengo x Grêmio — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
"Outra vez eu vou te apoiar"
Depois de um domingo de vaias aos jogadores e Jorge Sampaoli desde o aquecimento, a torcida baixou o tom de cobrança no pré-jogo. Na escalação anunciada pelo sistema de som e nos telões, pouquíssimas vaias (veja abaixo). Gritou, sim, o tradicional "queremos raça" e fez o pedido de "respeito e comprometimento", mas a espera pelo apito inicial foi muito mais marcada por músicas de incentivo.
A mais cantada no pré-jogo - e mais recente - soou como uma mensagem no momento de dificuldade: " Flamengo , outra vez eu vou te apoiar" . Outra jura de fidelidade, esta mais antiga, deu-se na entrada do time em campo com os versos de "Mengo, estou sempre contigo, somos uma nação. Não importa onde esteja, sempre estarei contigo".
Ligado desde a saída de bola, o Flamengo conseguiu manter a arquibancada acesa nos minutos iniciais. O volume subiu após Bruno Henrique quase abrir o placar na jogada mais bonita da partida. Arrascaeta achou Gabigol de calcanhar, Gerson recebeu do 10 no fundo e cruzou na medida. BH cabeceou como manda o figurino, mas Gabriel Grando salvou com o pé.
Na segunda metade da etapa inicial, o time perdeu volúpia, mas a torcida não largou a mão. Os jogadores rubro-negros foram para o intervalo escutando a arquibancada cantar o hino.
Arrascaeta convoca abraço coletivo, e Sampaoli entra na roda de tapas
Se apoio não faltou, a festa começou de fato no Maracanã aos 24 minutos do segundo tempo, quando o árbitro Bráulio da Silva Machado foi chamado ao VAR para observar se o toque no braço do gremista Rodrigo Ely após desvio de Léo Pereira configurava pênalti. Enquanto a análise era exibida nos telões, uma explosão acontecia a cada replay que mostrava a bola encontrar o antebraço do zagueiro. Pênalti confirmado e mais gritaria.
Arrascaeta bateu no meio do gol, saiu correndo para um lado, mas trocou a direção e partiu para o banco de reservas. Olhou para os companheiros que estavam um pouco mais afastados dentro do campo e, com o dedo indicador girando e um gestual que pedia união, regeu o abraço coletivo. Tudo isso enquanto " Flamengo , mais uma vez eu vou te apoiar" era cantado novamente no estádio.
Um bolo se formou, e Gabigol começou a chamar Jorge Sampaoli (veja nos vídeos acima e abaixo) . O gringo entrou na roda e logo recebeu tapas carinhosos de Fabrício Bruno. Rodrigo Caio e Thiago Maia também aproveitaram para tirar uma casquinha da careca do argentino. Arrascaeta e Gerson preferiram abraços, e Bruno Henrique tocou a mão do treinador no alto.
Em coletiva, Sampaoli disse que é "normal" a comemoração conjunta nas vitórias, mas salientou que a união é ainda mais importante nas adversidades. Gabigol havia apoiado o treinador na dificuldade, momentos antes do gol (veja nos vídeos abaixo) . Com atuação abaixo, o atacante foi substituído por Luiz Araújo, e a torcida ameaçou xingar Sampaoli. O camisa 10 respondeu com aplausos e só extravasou com um torcedor que o apupava.
Xingamentos a dirigentes e pedidos de comprometimento
Depois de 90 minutos de apoio irrestrito, a torcida do Flamengo emendou três cantos de protesto tão logo que Bráulio da Silva Machado apitou o final. O primeiro alvo foi o presidente Rodolfo Landim, xingado em alto e bom som. Marcos Braz também foi ofendido, mas num tom mais baixo. E, para completar, os rubro-negros encerraram as cobranças também no volume máximo com os gritos de "nós queremos respeito e comprometimento, isso aqui não é Vasco, isso aqui é Flamengo " . (veja nos vídeos abaixo).
Palavras para encurtar a distância entre time e Sampaoli
Em diferentes tons, Fabrício Bruno, Arrascaeta e Filipe Luís pregaram união após o apito final. Fabrício, que conduziu Jorge Sampaoli à roda de comemoração do gol com vários tapinhas, falou em "relacionamento tranquilo".
- Relacionamento é tranquilo, acho que muitas coisas que são faladas não condizem com a nossa realidade. É ter paciência, esse grupo vem sendo construído. A gente está em mais uma final de Copa do Brasil e tem 19 jogos do Campeonato Brasileiro agora para engrenar.
O uruguaio, por sua vez, admitiu que o Flamengo vive um momento difícil, porém garantiu que isso já foi resolvido entre o próprio grupo.
- Se a gente quer conquistar alguma coisa esse ano, temos mais uma final ainda, temos que estar todo mundo junto. Hoje era importante todos estarem focados, unidos em conseguir a vitória. Momento difícil, a gente sabe que quando ganha o assunto é Flamengo , quando perde também, sempre gira em torno dessa grande instituição, não só aqui no Rio, mas no mundo inteiro. Com certeza, a gente sai fortalecido. Às vezes, acontecem coisas no futebol, se faz um pouquinho difícil para todo mundo, a pressão é muito grande. Mas a gente já resolveu entre o grupo, entre todos nós. Importante é que fizemos o que tinha que fazer, chegar aqui e ganhar o jogo.
Mais direto ainda foi Filipe Luís, que cobrou obediência, mais atitudes e menos palavras para recolocar o Flamengo no caminho das vitórias.
Em noite de trégua da arquibancada ao campo, o Flamengo vive a expectativa de dias tranquilos para que vitórias deixem de ter sabor paliativo e voltem a ter o tempero que faz o rubro-negro sonhar não só com títulos, mas com o gosto de ver um futebol bem jogado.
Tentativas de aproximação se manifestaram de todas as partes, e os próximos jogos responderão se torcedores, Jorge Sampaoli e o time conseguirão falar a mesma língua em 2023.
Assista: tudo sobre o Flamengo no ge, na Globo e no sportv
%2Fhttps%3A%2F%2Fi.s3.glbimg.com%2Fv1%2FAUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5%2Finternal_photos%2Fbs%2F2025%2FF%2FM%2F1LJLjuRfypowG1r0Ap7Q%2F54930181787-1d62bf298c-k.jpg&w=768&q=75)
%2Fhttps%3A%2F%2Fi.s3.glbimg.com%2Fv1%2FAUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8%2Finternal_photos%2Fbs%2F2026%2FW%2Fx%2Fh0ZoA0R6SauLbCKAy29A%2Fwhats-app-image-2026-07-02-at-14-02-52-889c212b80.jpg&w=768&q=75)

%2Fhttps%3A%2F%2Fi.s3.glbimg.com%2Fv1%2FAUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5%2Finternal_photos%2Fbs%2F2026%2FI%2F1%2FOWKIHxTfWITycRiHA2iw%2Fagif26072919345477.jpg&w=768&q=75)
