No primeiro Fla-Flu no Pacaembu, em 42, nada de gols, chuva e expulsões

A apresentação do jogo feita por "O Globo", Flamengo, Fluminense (Foto: Reprodução/O Globo) A apresentação do jogo feita por "O Globo", com as escalações de Flamengo e Fluminense (Foto: Reprodução/O Globo)

O primeiro Fla-Flu disputado fora do Rio, em 12 de março de 1942, deu-se justamente no Pacaembu, palco do próximo encontro entre Flamengo e Fluminense, agendado para domingo, às 16h. Os rivais duelaram em partida válida pelo Torneio Quinela de Ouro, também tratado como Rio-São Paulo pela imprensa. Corinthians, São Paulo e Palestra Itália - hoje Palmeiras - completaram o número de participantes. De acordo com "O Globo" do dia seguinte ao confronto, o empate por 0 a 0 registrou renda "assombrosa" levando-se em conta a enorme chuva que caía sobre a Terra da Garoa. Dilúvio, aliás, que fez a partida ser adiada em um dia.

Confira parte da coluna de Mário Filho em "O Globo" (Foto: Reprodução/O Globo) Confira parte da coluna de Mário Filho em "O Globo" (Foto: Reprodução/O Globo)

Embora a edição de "O Globo" do dia 13 tenha tratado a igualdade sem gols como um espetáculo interessante entre Fluminense e Flamengo, campeão e vice do Carioca de 1941, na do dia 14 o colunista Mário Filho, que mais tarde emprestou seu nome ao Maracanã, dedicou o maior espaço de sua coluna para criticar a rixa entre o flamenguista Pirillo e o tricolor Spineli, expulsos no jogo.

"Não é a primeira vez que Pirillo e Spineli se engalfinham. Compreende-se que dois jogadores, num momento de exaltação, esqueçam as regras da educação esportiva. A reincidência, porém, coloca o gesto de indisciplina sob uma luza ainda menos favorável. Dá para desconfiar. E isso porque há uma classe, felizmente reduzida, de inimigos em football. Um jogador não podendo ver o "outro" sempre experimentar a vontade irreprimível de meter o pé. Não adianta o juiz promover as pazes. O abraço de reconciliação significa, apenas, uma maneira de evitar a expulsão de campo. E não foi ideado para os casos parecidos com o de Pirillo e Spineli. Tanto assim que Carlos Monteiro (o árbitro do jogo) não discutiu: foi logo mandando os dois para fora. Se Pirillo brigasse com Renganeschi, vá lá. Eles não têm nenhuma fatura a liquidar. Talvez Carlos Monteiro deixasse a coisa passar. Mas com Spineli..."

Este é apenas o primeiro tópico da coluna, dividida em 11. No segundo e terceiro, Mário Filho destaca que a rivalidade era antiga. No 11º, trata os dois como "hereges do Fla-Flu".

Apesar do contratempo, "O Globo", também do dia 14, destaca que o sucesso da dupla em São Paulo foi tão grande que até um jogo-treino entre os rivais mereceu destaque. Ambos se preparavam para a sequência da competição.

Até jogo-treino mereceu destaque no "O Globo" (Foto: Reprodução/O Globo) Até jogo-treino mereceu destaque no "O Globo" (Foto: Reprodução/O Globo)

O Flamengo terminou a competição invicto, na condição de vice-campeão, com cinco pontos, três a mais que o Fluminense, lanterna e sem nenhuma vitória. O Corinthians ergueu o troféu, com dois triunfos e dois empates.

Fonte: Globo Esporte
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