Ninho do Urubu: os bastidores do dia agitado e de protestos no Flamengo

Se sextas-feiras são um marco de confraternização para o trabalhador convencional, esta para o Flamengo foi preenchida por clima de tensão, protestos, apresentações de reforços e revelações de bastidores no Ninho do Urubu. Logo cedo, quando jogadores chegaram ao CT para o último treino antes da estreia no Campeonato Brasileiro, membros de torcidas organizadas foram cobrar empenho e, uns mais exaltados, deram tapas, socos e danificaram carros de jogadores, como o de Thiago Maia e David Luiz. O eco das cobranças, e até hostilidades, não parariam por ali.

Enquanto a imprensa aguardava, do lado de fora do Ninho, a liberação do clube para o início das entrevistas coletivas de Santos e Ayrton Lucas, os torcedores seguiam gritando por "raça" e "disposição" do elenco. Até jogadores da base, principalmente das categorias infantis, que entravam e saíam do local de atividades, ouviram cobranças como "isso aqui é Flamengo, hein", "é sem risadinha!", "tem que dar o sangue desde novinho, menor!".

A apresentação do goleiro e lateral atrasou por uma hora. Os jornalistas entraram no Ninho por volta das 14h, quando alguns torcedores já haviam se retirado da porta, restando apenas cerca de 30 pessoas - antes, a PM deteve duas que cometeram ações consideradas criminosas .

Os reforços do Flamengo falaram sobre o protesto, trataram com uma certa naturalidade para quem joga em time grande no Brasil , e não se opuseram ou revelaram uma possível insatisfação no vestiário. O LANCE! apurou que o almoço do plantel, aliás, não teve o ambiente pesado ou reuniões extraordinárias após os protestos horas antes.

Em seguida às apresentações, Marcos Braz, vice-presidente de futebol e um dos focos das queixas ecoadas, contemporizou os atos na porta do CT e revelou que a reunião que haveria ontem entre líderes do elenco e membros de organizadas não seria nas dependências do Ninho do Urubu. E disse que todos os atletas estavam cientes do encontro, cancelado de última hora pelo VP , gerando irritação e motivando a ida de torcedores nas manifestações turbulentas desta manhã.

- A gente não tem, por enquanto, nenhum relato dos jogadores. A Polícia Militar está ali fora desde cedo junto com alguns seguranças do clube. A própria segurança dará uma analisada e, posteriormente, com calma, a gente irá ver o que vai acontecer. Não estou dizendo, em nenhum momento, que isso é natural, normal. Apenas não temos um relato grave. Com calma e na hora certa vou falar sobre o assunto - comentou o VP de futebol, que frisou que o clube pediu reforço de policiamento.

A nossa reportagem constatou que, entre integrantes das TO's, hoje, Willian Arão, Diego Ribas, Diego Alves e Rodinei, até por conta da ida a uma festa na noite passada, estavam entre os principais alvos das cobranças por mais empenho. Muitos, inclusive, isentaram Paulo Sousa de culpa pelos insucessos recentes. E vale ressaltar ainda que Arrascaeta e João Gomes foram até enaltecidos quando chegaram pela manhã.

Ou seja, a insatisfação com o elenco não é geral.

Mas sobrou para todos na saída do ônibus da delegação rumo ao aeroporto, já por volta das 16h. O grupo de torcedores, que ficou no local, voltou a pedir "raça" e "comprometimento", sendo que alguns optaram por xingar o plantel, a caminho de Goiânia para o confronto diante do Atlético-GO, às 19h deste sábado, no Estádio Antônio Accioly, pela primeira rodada do Brasileirão.

O clima foi pesado durante boa parte do dia; Braz reforçou que não há problemas do elenco com o Paulo Sousa, além da fala sobre os protestos , porém, tendo sintonia interna ou não, a externa está escancaradamente em ruínas, o que expõe o ápice do desgaste de parte significativa da torcida com diversos jogadores e dirigentes.

Fonte: Lancenet
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