O principal efeito da presença de Bruno Henrique em campo foi fazer com que todos se dessem conta da falta que Bruno Henrique fazia. Ou, ao menos, de lacunas que o Flamengo teve dificuldade de preencher no período de um ano que separa que separa a sua grave lesão no joelho da atuação desta quarta-feira, contra o Aucas , quando o atacante exibiu sua melhor versão desde que voltou a jogar.
Neste período, nem sempre o Flamengo encontrou uma formação ofensiva capaz de sustentar uma pressão eficiente no campo ofensivo do adversário. Tampouco era fácil achar alternativas de velocidade e, principalmente, de profundidade, de ataque à última linha defensiva do rival. E, por vezes, o time rubro-negro dava a sensação de que tinha poucos homens pisando a área.
Bruno Henrique, Flamengo, Libertadores, Aucas — Foto: André Durão/ge
É claro que soa exagerado decretar que a atuação diante do Aucas sinaliza que o Flamengo resolveu todos os seus problemas, ou que Bruno Henrique voltou definitivamente à melhor forma. É preciso cautela: ele tem 32 anos e sua inatividade foi muito longa. No entanto, suas primeiras aparições após a lesão reforçavam temores, seus movimentos eram difíceis, pouco naturais. Nesta quarta-feira, Bruno Henrique pressionou, buscou o fundo do campo, deu opções em profundidade, correu, mudou de direção, foi à área finalizar. E deu muitas opções de jogo, algo que sempre marcou sua passagem pelo Flamengo. A sensação era de que, a cada vez que o arco Arrascaeta pegava a bola, havia uma flecha disparando.
Algo que ficou mais claro no segundo tempo, com mais espaços e o contragolpe à disposição do Flamengo. Bruno Henrique deu uma opção que nem sempre a equipe encontrava.
É preciso ponderar, ainda, que o Aucas oferecia pouca resistência. Mas a atuação do Flamengo, entre outras coisas por Bruno Henrique, foi de ótimo nível. Foi um time mais próximo do que se imagina ver com Sampaoli: capaz de pressionar, de ocupar bem as zonas de ataque, ser envolvente e de acelerar sempre que o rival permitir. E o jogo teve outros dois personagens notáveis.
Um deles é Victor Hugo. E a avaliação sobre o desempenho deste jovem de 19 anos não precisa das ponderações sobre as fragilidades do adversário. Porque não é a primeira vez que o meio-campista mostra um entendimento do campo raro, e uma capacidade técnica animadora. A concorrência no elenco do Flamengo é dura, basta notar que ele dividiu as funções de criação com Éverton Ribeiro e Arrascaeta, num jogo em que Gérson ficou no banco. Ainda assim, é difícil imaginar que não vá ganhar cada vez mais minutos com Sampaoli. Soube se posicionar entre volantes e defensores adversários, participar da organização alguns metros atrás, deu dinâmica ao fazer o jogo andar e, a cada vez que Éverton Ribeiro ou Wesley, abertos na direita, criavam espaços entre lateral e zagueiro do time equatoriano, Victor Hugo atacava com uma notável percepção destes corredores.
O outro é Filipe Luís. A esta altura da carreira, cada jogo do lateral-esquerdo em campo deixa sensações conflitantes em qualquer pessoa que goste de futebol. Ao mesmo tempo que se desfruta da sua leitura de jogo, de seus passes para iniciar a construção de jogadas, de seu posicionamento e leitura dos espaços do campo, é inevitável pensar que sua trajetória possa estar chegando ao fim – ele fará 38 anos em agosto. O estilo de jogo de Sampaoli depende muito do acerto de passe dos defensores e, acima de tudo, de um bom critério na escolha dos caminhos para que a bola saia da defesa. E Filipe Luís deu uma pequena demonstração de seu repertório. A questão é quantas vezes, num calendário insano como o brasileiro, o Flamengo poderá tê-lo em boas condições de competir.
A goleada rubro-negra teve a marca de três personagens de três diferentes gerações.

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