A cada pênalti em que saltava para a direita, Alex Muralha olhava contrariado para o lado oposto ao cumprir o plano traçado pelo setor de inteligência do Flamengo e pelos preparadores de goleiros, baseado nas estatísticas de cobranças do Cruzeiro. Ao fim da disputa, com a derrota selada nos pés de Diego, Alex citou a estratégia de cair todas as vezes de um lado só, e foi crucificado sozinho.
Passada a frustração da Copa do Brasil, o goleiro se mostrou bastante chateado, não se pronunciou, mas avalia deixar o clube por novos ares. Com vínculo até 2020, Alex passa a ser o reserva definitivo de Diego Alves, e entende que um empréstimo pode atenuar a carga concentrada sobre ele. Agora, é aguardar o que a diretoria pretende fazer a respeito.
Não apenas sobre o goleiro, mas com os preparadores. Victor Hugo e José Jober terminaram a Copa do Brasil definida nos pênaltis ainda mais pressionados e seguem blindados pelos dirigentes. A própria direção também sofre carga pelos erros de avaliação sobre a posição ao longo do ano.
Com cinco goleiros, três jovens e dois experientes, o Flamengo perdeu as três disputas de pênaltis que disputou em 2017, todas com Alex - além de Cruzeiro, Paraná e Fluminense. Na final da Copa do Brasil, Thiago também falhou no primeiro jogo.
Com Brasileiro e Sul-Americana pela frente na temporada, Diego Alves é o nome para assentar poeira, e Alex agora deve ser ainda mais preservado. Na saída de campo no Mineirão e no vestiário, o jogador se mostrou contrariado depois de ter se motivado com o apoio dos torcedores do Flamengo nos últimos dias. Mesmo assim não desobedeceu a orientação de manter um lado só para ter chance de pegar as cobranças do Cruzeiro.
Ao longo da semana, a mobilização para apoiar o camisa 38 era enorme, com direito a bandeira da torcida e sócio do clube entregando cartinha motivacional. O goleiro se mostrou confiante com o apoio externo e dos demais companheiros. No Mineirão, não se intimidou com a torcida adversária gritando “frangueiro” e entrou no gramado batendo no peito e apontando para os rubro-negros em minoria. A atuação não foi ruim nem houve falha determinante. A incompetência dos jogadores de linha em criar chances de gol obrigou a disputa de pênaltis, que Alex vinha treinando em dois períodos. O técnico Reinaldo Rueda eximiu Alex de culpa e lembrou que a falha do jovem Thiago no Maracanã influenciou o resultado final.
- Alex fez um grande trabalho, os pênaltis estavam bem analisados. O acordo que tínhamos era esse, houve uma mudança dos batedores , mas agora não é a hora de pensar dessa forma. Deveríamos ter marcado a diferença no Maracanã, quando jogamos com Thiago, um goleiro jovem - explicou Rueda.
Em 22 penalidades cobradas contra o Flamengo com Alex Muralha na meta, o goleiro só defendeu uma, contra o Bangu, no Carioca de 2016. Das outras 21 bolas, uma bateu no travessão, e outras 20 entraram. E em 16 delas, ele sequer acertou o lado, ou seja, 73% dos casos.
— Dessa vez o Fabio trabalhou, foi mais decisivo que o Alex, teve mérito de pegar o pênalti do Diego, que é nosso cobrador - lamentou o diretor Rodrigo Caetano, que prometeu não promover uma caça às bruxas com a n ova decepção.