​Por Venê Casagrande
Enquanto os torcedores do Flamengo se organizavam para assistir ao jogo entre Brasil e Bélgica, pelas quartas de final da Copa do Mundo, ​a assessoria do clube informou o destino da Ilha do Urubu : o clube rescindiu o contrato (tinha validade até dezembro de 2019) com a Portuguesa para não utilizar mais o estádio na Ilha do Governador.
A informação do rompimento com a parceria veio junto com uma dúvida: quanto que o Flamengo pagou para rescindir o vínculo com a Portuguesa? A reportagem do Esporte Interativo apurou detalhes do contrato.
No compromisso firmado entre Flamengo e Portuguesa dizia que se o clube rubro-negro botasse um ponto final na parceria em 01/01/2018, precisaria pagar uma multa de 1 milhão de reais. Caso rescindisse em janeiro de 2019, a diretoria deveria pagar ao time da Ilha 500 mil reais.
Além das multas dos valores citados acima (R$ 1 milhão por rescisão em jan/2018 e R$ 500 mil por rescisão em jan/2019), está previsto em contrato uma cobrança por infração contratual de R$ 30 mil. Ou seja, não existe uma cláusula clara no contrato informando o montante em caso de rescisão em julho de 2018.
A reportagem entrou em contato com o Flamengo e com a Portuguesa. As duas diretorias não confirmaram qual foi o valor pago pelo Rubro-Negro no ato da rescisão, mas trataram o montante como "simbólico e nada muito expressivo".
Como fica a relação entre Flamengo e Portuguesa?
Desde o início da parceria (21/11/2016) até o dia da rescisão (06/07/2018), o relacionamento foi muito bom entre as duas equipes. A Portuguesa, é claro, lamentou o rompimento, mas em nenhum momento dificultou, pelo contrário. No Flamengo, o clima é de satisfação pela ligação criada com a diretoria do time da Ilha.
Teve legado?
Embora a Portuguesa tenha lamentado o fim da parceria, o sentimento é de gratidão. Para os dirigentes da Lusa, o que foi feito na sede do clube dificilmente teria acontecido sem a "ajuda" do Flamengo. O estádio da Ilha foi reformado e recebeu cuidados especiais. Os vestiários e o gramado foram citados como exemplo de legado para a equipe de menor expressão no cenário carioca.
Quanto o Flamengo pagava de aluguel?
O Flamengo pagava uma espécie de aluguel mensal para a Portuguesa. O valor estabelecido em contrato girava em torno de R$ 200 mil. Depois do acidente da Ilha em fevereiro, quando as torres caíram por conta de forte chuva, o montante reduziu um pouco.​
(Registro feito de uma das torres que caíram após forte chuva no estádio)
Lembrando que o Flamengo investiu cerca de 12 milhões de reais para realizar as obras no estádio da Ilha do Governador. O valor aplicado no local foi aprovado pelo Conselho de Administração, como pede o estatuto do clube.
Qual é o futuro da estrutura?
Logo após rescindir com a Portuguesa, o Flamengo entrou em contato com a empresa responsável pelas arquibancadas e torres de iluminação para que as estruturas sejam retiradas. As reformas feitas na sede da Portuguesa, é claro, vão ser mantidas, e o Rubro-Negro não vai retirar materiais para serem usados na Gávea, como foi especulado.
Qual é o futuro da Ilha?
Após o fim da parceria com o Flamengo, os dirigentes da Lusa já pensam no que fazer com o estádio. A ideia é sentar com outros clubes para dar início a uma união similar com a que teve com o Rubro-Negro.
O Fluminense, por exemplo, que tem utilizado o Maracanã, mas não tem tido lucros, é visto com bons olhos por pessoas ligadas ao time da Ilha. Nos próximos dias, representantes da Portuguesa devem entrar em contato com a diretoria tricolor para iniciar as conversas por um possível acordo.
O 'pivô' da separação:
Muitos questionam o porquê de o Flamengo ter se interessado em romper com a Portuguesa. O motivo é o Maracanã. Como a diretoria fechou contrato para utilizar o estádio até 2020, a diretoria achou melhor "aposentar" a Ilha do Urubu para diminuir os gastos. Confira abaixo a nota da assessoria na íntegra e a explicação da diretoria.
"Em virtude do contrato firmado com o Maracanã, que prevê a utilização do estádio até o final de 2020, o Clube de Regatas do Flamengo decidiu rescindir o acordo com a Associação Atlética Portuguesa para uso do estádio Luso-Brasileiro, na Ilha do Governador. O vínculo iria até dezembro de 2019.
Considerando que o Flamengo fará no mínimo mais 15 partidas no Maracanã em 2018 e ao menos 25 jogos em 2019, tendo em vista os resultados positivos que a parceria já vem apresentando, com a venda de camarotes e pacotes de ingressos para sócios-torcedores, e diante do comparativo dos custos de operação dos jogos, o Conselho Diretor entendeu não fazer sentido manter em operação uma segunda estrutura esportiva.
O acordo com a Portuguesa foi assinado em janeiro de 2017 para que o Flamengo pudesse mandar seus jogos no Rio de Janeiro e evitar o desgaste das viagens constantes que marcaram o ano de 2016, quando o Maracanã e o Engenhão não estavam disponíveis para o clube, além de ter exercido um papel importante na negociação junto ao Maracanã. O Rubro-Negro disputou 20 partidas no Luso-Brasileiro, com 15 vitórias, dois empates e três derrotas - aproveitamento de 78,3%.
Cabe reiterar que tal decisão não prejudica a demanda judicial já devidamente ajuizada em face das empresas envolvidas na queda da torre de iluminação, buscando o ressarcimento dos prejuízos causados ao Clube.
O Flamengo gostaria de agradecer a parceria da Associação Atlética Portuguesa, uma vez que o Luso-Brasileiro foi importante para o desenvolvimento técnico do time profissional de futebol e acolheu muito bem a torcida rubro-negra. Novos projetos em conjunto com o clube da Ilha do Governador serão bem-vindos no futuro".