O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) emitiu no último dia 3 um ofício que deverá ser respondido pelo banco BRB até o próximo dia 23. O órgão pediu à diretoria da instituição financeira, que recebe recursos públicos do DF, uma análise sobre possível infração de contrato por conta de declarações da diretora de Responsabilidade Social do Flamengo, que também é esposa do presidente do clube, feitas em rede social.
Ângela Machado, esposa de Rodolfo Landim, publicou a seguinte declaração em uma rede social:
- Ganhamos onde se produz, perdemos onde se passa férias, bora trabalhar, porque se o gado morrer o carrapato passa fome - eram os dizeres no post da diretora feito após o resultado da eleição que apontou Lula como vencedor na disputa com o atual presidente, Jair Bolsonaro.
Landim, em declarações ao programa "Papo reto", de Benjamin Back, no Youtube, defendeu que a esposa tem o "direito de se posicionar" e que a postagem foi uma decisão de "foro íntimo".
Angela Machado com Rodinei, lateral do Flamengo — Foto: Reprodução Instagram
Diante da declaração, o MPDFT publicou nota em seu site com a seguinte explicação sobre o questionamento feito à diretoria do BRB: "O objetivo é verificar se houve violação de cláusula contratual que diz respeito a não adoção ou apoio de práticas de discriminação negativa e/ou injuriosa, relacionada à raça, cor, sexo, religião, orientação sexual, origem ou qualquer outra característica pessoal de seus profissionais".
Ofício do MPDFT questionando a diretoria do BRB sobre possível infração ao contrato com o Flamengo — Foto: Reprodução
O ge consultou o órgão e não há um prazo específico para que o MPDFT se posicione a partir do momento em que receber a resposta do banco. A assessoria do órgão informou ainda que já há um procedimento aberto para verificação dos números da parceria.
O questionamento ao BRB é parte de um procedimento administrativo (número 8190.052898/20-77) instaurado já em 2020, que verifica a regularidade dos termos e números da
parceria entre o banco e clube
, que recebe cerca de R$ 32 milhões por ano da instituição que é a patrocinadora máster do uniforme.
"A Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep) abriu procedimento para acompanhar o plano de negócio da parceria entre o BRB e o Flamengo, conferindo a adequação dos parâmetros utilizados para justificar o investimento. Esse processo é contínuo e a Prodep está analisando neste momento os números até agosto/22.
Quanto ao pronunciamento ilícito realizado, o MP está questionando o banco para que realize a análise de conformidade do ato considerando a cláusula e, na sequência, a Prodep fará um juízo de valor sobre o tema. Não é possível ao Ministério Público afirmar de partida as consequências desse evento".
A reportagem entrou em contato com as assessorias do clube e do banco. O Flamengo informou que não se posicionará sobre a questão. O BRB não respondeu.