Líder pelo exemplo no Flamengo, Cuéllar quer ficar no clube para jogar Copa América

Aos 26 anos, o colombiano Cuéllar completa neste domingo, às 17h, diante do Sport, 135 jogos com a camisa do Flamengo. O clube se tornou seu grande projeto internacional antes de pensar em seguir para Europa. Objetivo este que vem depois de se consolidar como ídolo no Brasil e de ter uma sequência na seleção da Colômbia.

— Agora estou pensando no Flamengo. Me consolidar mais. Pensar na seleção. Se tiver alguma proposta da Europa, analisarei. Difícil superar o Flamengo, tem que ser um clube imenso — diz Cuéllar, cujo contrato vai até 2022. A presença na equipe em 2019 parece certa e nos planos o jogador.

— Eu ficando no Flamengo terei mais visibilidade, vai ser importante para a seleção. Seria positivo eu cumprir meu contrato no Flamengo — afirma.

A meta de curto prazo é a disputa da Copa América no Brasil, em 2019. No médio prazo, o foco é disputar a próxima Copa do Mundo, em 2022, sonho que não realizou nesta temporada, quando só atuou quatro vezes pela Colômbia. Este ano, Cuéllar teve sondagens da Arábia Saudita, mas decidiu permanecer no Flamengo.

O jogador já havia perdido a chance de emplacar na Copa do Mundo com o técnico José Pekerman, pois vinha de pouca sequência entre 2016 e 2017 no Flamengo. Na ocasião, o Vitória e o Atlético-COL o procuraram, e o Flamengo enfim decidiu aproveitá-lo.

— Eu estava pensando em ter continuidade para jogar o Mundial pela seleção. Não tinha sequência no Flamengo. Houve aproximação do Vitória, do Atlético-COL. No momento, falei que ia ficar e focar no Flamengo. Na época estava pensando em seleção, em jogar. Chegar em casa e não entrar em campo era complicado — lembra o ex-reserva de Márcio Araújo até ano passado.

Drama e superação

O comportamento de Cuéllar em campo forjou sua identificação com a torcida do Flamengo. Mas o caso mais emblemático foi fora das quatro linhas. O volante voltou em voo fretado de um amistoso entre Colômbia e Argentina, nos Estados Unidos, e jogou a semifinal da Copa do Brasil, contra o Corinthians, no dia seguinte, com a mulher, Geraldine, com suspeita de aborto do segundo filho, Mateus. Hoje, a gravidez tem quatro meses e corre sem perigo.

— Eu estava na van, ia passar pela Alfândega, minha mulher me ligou e disse: "Estou sangrando". Eu não sabia o que fazer, se saia correndo — conta Cuéllar.

O jogador foi levado ao hospital por um supervisor do Flamengo, enquanto Paquetá seguiu para o Ninho do Urubu. Passado o susto, Cuéllar chegou em cima da hora da preleção e jogou 90 minutos com menos de 24 horas de intervalo.

— Não descansei nada. Foi no coração. Ficou marcado — recorda, apesar da eliminação do Flamengo na Copa do Brasil.

Sobre o jejum de títulos, Cuéllar é direto e sem rodeios. Alçado a um papel de conter a exposição de um time que propõe o jogo, o volante faz um alerta.

— Alguma coisa tem que estar faltando. A gente esteve perto de ganhar ano passado, faltou alguma coisa. Está faltando para todo mundo — avalia.

Liderança em campo

Natural da região de Soledad, em Barranquilla, Cuéllar é o único filho de uma família com quatro irmãs. O jogador tem origem humilde, mas não passou dificuldades básicas na Colômbia. A vontade vista em campo é fruto, segundo ele, de um estilo desenvolvido recentemente, uma vez que não começou no futebol na função de volante marcador.

Cuéllar jogava de meia no início da carreira, antes de ter chance no Deportivo Cali e no Junior Barranquilla, clubes onde foi capitão muito jovem. A braçadeira no Flamengo não é um desejo. Até porque Cuéllar não se vê como esse líder que fala. Ele acredita que a identificação com o torcedor seja fruto do que apresenta em campo. Um líder que dá exemplo.

— Acho que 90% é pelo campo e 10% fora do campo. Sou fechado para compartilhar com a torcida. É fruto do meu trabalho dentro do campo, sempre me doando — acredita Cuéllar, que considera um ano o mínimo para um estrangeiro se adaptar no futebol brasileiro.

Ele defende que, para jogar na Europa, um jogador colombiano precisa passar por Brasil e Argentina, ganhar experiência, para ir ao Velho Continente sem voltar. Os dois anos no Brasil o tornaram mais falante, até de um límpido português. Em vez das palavras, porém, carrega consigo tatuagens com o horário do nascimento do primeiro filho, Paolo.

— Não falo muito. O meu tipo de liderança é meu jogo, minha vontade — diz.

Fonte: Extra

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