Em live no canal de YouTube da ESPN Brasil , nesta sexta-feira, o ex-zagueiro Diego Lugano, hoje comentarista dos canais esportivos do grupo Disney , comentou a chegada de três clubes brasileiros entre os quatro semifinalistas da Conmebol Libertadores e opinou sobre o desequilíbrio econômico que existe atualmente entre os times do Brasil e o restante da América do Sul.
Na visão do uruguaio, esse panorama já se desenhava há décadas, mas ficou evidenciado agora, com times como Flamengo , Palmeiras e Atlético-MG tendo muito mais dinheiro, estrutura e jogadores de renome que outros gigantes do continente.
"A diferença que hoje o Brasil tem com o resto do continente, em termos econômicos e de infraestrutura, é algo que ficou muito evidente na Libertadores pela primeira vez, mas a gente já vem falando faz tempo", salientou.
"A verdade é que não vai dar mais (para times de outros países competirem com os brasileiros). A diferença econômica e estrutural do Brasil hoje, no futebol, cada dia fica mais distante", seguiu.
"Vou lembrar para vocês uma frase dos anos 80, do César Luís Menotti, técnico argentino campeão do mundo: 'No dia em que o Brasil se organizar, vamos começar a competir pela 2ª posição e só'. Nos anos 80 ele falava isso! Ou seja: desejando sempre que os brasileiros não se organizassem, porque ficaria muito mais difícil para os outros", complementou.
De acordo com Lugano, nos últimos 15 anos vários times do Brasil conseguiram melhorar muito suas estruturas e fontes de arrecadação de dinheiro, ao contrário do que ocorreu com rivais de países como Argentina e Uruguai.
Na opinião do ex-zagueiro, inclusive, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) terá que pensar em algum tipo de "mecanismo" para equilibrar a competitivdade da Libertadores em breve.
Caso contrário, Lugano crê que os clubes brasileiros irão enfileirar títulos em série no torneio continental.
"Você vê hoje (no futebol brasileiro) uma diferença muito grande da época de 2005, 2006, quando o São Paulo era um oásis dentro do Brasil. Hoje, você vê uma diferença muito grande, já tem muitos times com estrutura, com investimento, com poder no mercado, com estádios modernos, com torcida. Além da nova lei que foi aprovada agora para permitir clubes-empresa", argumentou.
"Eu acho, sinceramente, que, no panorama sul-americano atual, a Conmebol vai ter que achar um mecanismo para uma melhor distribuição no continente, para que a Libertadores fique mais competitiva. Porque, daqui para frente, vai dar Brasil (campeão) sempre, e vai chegar um momento que vai perder a competitividade", finalizou.