Landim presidente: homem do petróleo chega ao poder no Flamengo e aposta em cobrança

“Não existe situação na vida em que eu vá me acovardar. Se passar a mão na minha bunda, vai tomar uma porrada. Seja do tamanho que for”. As aspas estão logo no início de um perfil famoso da revista “Piauí” sobre Luiz Rodolfo Landim Machado, novo presidente do Flamengo.

Eleito por 1.879 sócios, aos 61 anos, Landim chega ao poder após meses de campanha de um grupo dividido desde a situação, ainda com Bandeira no primeiro mandato. Os apoios vieram de correntes distintas, de ex-presidentes como Márcio Braga a Patricia Amorim. Landim e o núcleo duro da diretoria - formado por Landim, Luiz Eduardo Baptista, o BAP, Claudio Pracownik e Gustavo Oliveira - tem o desafio de conduzir grupos heterogêneos dentro do clube - que vão querer espaço depois do apoio na eleição.

landim flamengo — Foto: André Durão / GloboEsporte.com

landim flamengo — Foto: André Durão / GloboEsporte.com

Encontros com presidentes da CBF e da federação paulista

A campanha cresceu proporcionalmente aos fracassos e derrotas no futebol na reta final de 2018. Até a eliminação da Libertadores e da Copa do Brasil, não era difícil encontrar correligionários de Landim pessimistas, prevendo novamente a influência do grupo “SóFla”, numeroso e determinante na política - e nas urnas.

O crescimento deu confiança aos apoiadores de Landim, que não descansou e não desanimou em momento algum da campanha. Discretamente, marcou encontros com o presidente eleito da CBF, Rogério Caboclo, e com o presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos. Também deve se reunir com Rubens Lopes, presidente da Federacação Carioca de Futebol, em breve. Passou a seguinte mensagem: o fim das desavenças públicas, na imprensa, o que Landim considerou erro estratégico de Bandeira. O presidente eleito também vai ao sorteio dos grupos da Libertadores da América, no Paraguai, em 17 de dezembro.

Frases de efeito como a que deu à “Piauí” nortearam a campanha. Inseparável do publicitário Gustavo Oliveira, diretor da agência Draft/FCB, Landim destacou no site que “em 2019 uma coisa vai mudar no Flamengo: cobrança”. Tratou do tema incansavelmente desde setembro, quando a campanha pegou fôlego.

Vice Landim Chapa Roxa Flamengo — Foto: Reprodução

Vice Landim Chapa Roxa Flamengo — Foto: Reprodução

Campanha rica e frustração com Renato. Abel é o técnico escolhido

Landim costuma abrir os braços, gesticula bastante e faz caretas para destacar expressões. Nos eventos de campanha que acompanhamos e nas entrevistas que o GloboEsporte.com fez com o candidato, o empresário destacava logo o lado executivo e de gestor bem-sucedido.

Ao responder sobre a citação na delação premiada de Renato Duque, ex-companheiro de Petrobras, na Operação Lava Jato, lembrou a carreira de sucesso na estatal e a oportunidade que tinha de ganhar dinheiro ilicitamente se assim desejasse - como tantos outros fizeram até serem presos. Foi para o setor privado para ganhar sua independência financeira. Com a qual, disse na campanha, ganhou direito de “comprar sua liberdade” para se dedicar agora ao Flamengo.

Fato é que tanto apoio nos corredores da Gávea se transformou numa campanha bem abastada. Alugou espaço para comitê de campanha permanente desde setembro a poucos metros da Gávea - onde uma sala de 90 m² custa R$ 15 mil/mês -, contratou agência de publicidade e fez sondagens diárias por telefone e em pesquisas.

Terá na vice-presidência de futebol Marcos Braz, ex-diretor e vice de futebol. O técnico de sua preferência era Renato Gaúcho, que o frustrou ao ficar no Grêmio. A aposta certeira é em Abel Braga, que ainda será anunciado. Alessandro, hoje no Corinthians, também é o mais cotado para compor a gerência do futebol. José Luis Runco, ex-médico do Flamengo e da CBF, volta ao clube. Marcio Tannure deixa o clube. As mudanças serão profundas, estima-se no Flamengo.

Empresário Rodolfo Landim, de 61 anos, é engenheiro de formação e fez carreira na Petrobras — Foto: André Durão / GloboEsporte.com

Empresário Rodolfo Landim, de 61 anos, é engenheiro de formação e fez carreira na Petrobras — Foto: André Durão / GloboEsporte.com

Principais frases na campanha

  • ''Se você olha para cima e vê alguém que tem postura que aceita baixo rendimento, desempenho, todos se acomodam.''
  • ''Estou acostumado a lidar com gente. Se me perguntar qual a melhor habilidade que eu acho que eu tenho, não sei se tenho, mas acho que tenho, é exatamente saber escalar time. O fato de hoje conhecer mais pessoas facilita muito a futura gestão do clube''
  • ''(Renato ou Abel?) É (um dos dois). Eu posso garantir à torcida do Flamengo que será um técnico que tem a dimensão do Flamengo. São vencedores, são pessoas que pensam grande, que querem ganhar, não suportam não vencer.''

Relação com o Flamengo e trajetória pessoal

Luiz Rodolfo Landim Machado tem 61 anos e é sócio do clube desde 1972. No primeiro triênio da gestão Bandeira de Mello, ele ocupou a vice-presidência de Planejamento e Orçamento.

O novo presidente teve em seu avô a ponte para os laços com o Flamengo. É neto do Grande Benemérito José Ferreira Landim. Apesar do avô paterno e dos primos rubro-negros, com envolvimento extenso com o clube, Landim cresceu em uma casa de tricolores. E se aborreceu durante a infância por conta disso.

Com a camisa da Petrobras: Landim foi executivo da estatal até sair para trabalhar com Eike Batista — Foto: Revista "Piauí"

Com a camisa da Petrobras: Landim foi executivo da estatal até sair para trabalhar com Eike Batista — Foto: Revista "Piauí"

Com bom humor, ele conta um episódio qunado, aos 12 anos, aborrecido, passou duas semanas na casa do avô e só retornou para a sua casa depois de insistentes pedidos de seus pais. O motivo? Um Fla-Flu que não traz boas lembranças.

O ano era 1969, e Flamengo e Fluminense decidiram o Campeonato Carioca no Maracanã. Por escolher o Rubro-Negro, Rodolfo ia de ônibus. Os irmãos e o pai tricolores, por sua vez, chegavam ao estádio de carro. Naquele jogo, o Flu levou a melhor. Ao chegar em casa, bem depois por conta da condução, o garoto acabou se irritando ao ver sua cama forrada por seus irmãos com bandeiras do Fluminense.

Hoje, ele é casado e pai de três filhos - todos rubro-negros. Durante sua campanha, enalteceu sua carreira de executivo e de gestor. Ele é formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e também estudou na escola de negócios de Harvard, nos Estados Unidos. Entre 2003 E 2006, presidiu a Petrobras Distribuidora - trabalhou na estatal do petróleo por mais de 20 anos. Posteriormente, foi o presidente executivo da MMX, do empresário Eike Batista.

Também foi diretor presidente da OGX Petróleo e Gás Participações S.A. OSX Brasil S.A - empresas de Eike, com quem brigou e processou na Justiça. Além de dirigir a Cameron International Corporation. Além de novo presidente do Flamengo, atualmente ele é, é sócio-gerente da Maré Investimentos e preside a Ouro Preto Óleo e Gás S.A.

Fonte: Globo Esporte

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