Talvez tenha sido apenas coincidência que o primeiro jogo da história da Copa Libertadores tenha ocorrido no mesmo estádio que abrigou a primeira final de Copa do Mundo, mas é fato que o duelo entre os uruguaios do Peñarol e os bolivianos do Jorge Wilsterman, em 19 de abril de 1960, há exatos 60 anos, mudou definitivamente os rumos do futebol na América do Sul.

O Peñarol goleou por 7 a 1, com quatro gols do equatoriano Alberto Spencer. O clube seria o campeão daquele torneio inaugural, cujo representante brasileiro foi o Bahia , assim como o atacante seria o artilheiro (7 gols).

A primeira edição do torneio, assim como as subsequentes, criou lendas, marcas e histórias que forjaram o DNA da competição. Aliás, naquele ano inaugural, o nome não foi nada original. A competição se inspirou na competição entre clubes na Europa e foi chamada como Copa dos Campeões das Américas. Tudo para ao final do ano apontar um desafiante ao campeão europeu na Copa Intercontinental.

O batismo com a atual nomeação ocorreu em 1965, último ano em que apenas os campeões nacionais jogaram o torneio. A partir de 1966 jogariam também os vices. O aumento no número de clubes participantes foi uma prova de crescimento rápido do torneio.

Já a escolha do nome em nada teve a ver com um plano de marketing, algo irreal para o futebol daquele período e até, pelo menos, os anos 80. A escolha foi feita como uma singela homenagem à história do continente, marcado pelo processo de libertação dos colonizadores.

Influenciados pelo Liberalismo, esses mártires do continente ganharam a maior homenagem no futebol. Os “libertadores” foram José de San Martín (responsável pela independência de Argentina, Chile e Peru) e Simón Bolívar (Venezuela, Colômbia, Equador e Bolívia).

Ao longo de 60 anos, a Copa Libertadores fez jus as suas raízes, com surpresas como o Argentinos Juniors campeão em 1985 ou o Once Caldas, da Colômbia, e a LDU, do Equador, vencedores contra os gigantes Boca Juniors e Fluminense em 2004 e 2008, respectivamente.

Outras histórias curiosas foram as dos grandes que sofreram muito para conseguir subir ao pódio. No Brasil, o maior “sofrimento” foi do Corinthians , que levantou a taça em 2012 após dez participações, sendo que os principais rivais já tinham sido campeões.

A lista de craques que disputou também é gigantesca. Apenas para ficar em nomes que defenderam clubes brasileiros temos Pelé, Garrincha, Tostão, Paulo Roberto Falcão, Zico, Roberto Dinamite, Raí, Alex, Ronaldo, Romário, Edmundo, Alex, Robinho, Ronaldinho Gaúcho, Neymar…

E é curioso que justamente no ano em que completa 60 anos a Copa Libertadores lide com a primeira grande incerteza da sua história. O torneio foi interrompido após a segunda rodada por causa da pandemia do novo coronavírus e não tem data para ser retomado.

Até hoje, nenhuma edição ficou sem campeão. A um grande esforço da Conmebol para chegar ao final da 61ª edição da competição, ainda que a incerteza seja muito grande.