Galo desbanca o Flamengo e mostra ser mais time na caçada ao Palmeiras

O trabalho demorou a engrenar. Afinal de contas, há muitas diferenças entre Eduardo Coudet e Felipão, mas a partir do momento em que os jogadores entenderam a nova filosofia e o treinador passou a utilizar aquilo que seu elenco tem de melhor, da forma correta, ficou difícil segurar o Atlético Mineiro. O ápice desta sintonia veio na noite desta quarta-feira, na grande vitória por 3x0 sobre o Flamengo.

O rubro-negro apresentou momentos de boa produção na 1ª etapa, mas jamais teve o total controle das ações ao longo dos 90 minutos. Os dez jogos em pouco mais de 40 dias com a nova comissão técnica ainda não foram suficientes para desenvolver o amadurecimento necessário diante das mais diversas situações.

Escalações

Tite não pôde repetir a escalação da vitória sobre o América em virtude do desfalque de Erick Pulgar. Thiago Maia entrou na equipe. Bruno Henrique seguiu na ponta-direita e Gérson manteve-se como ''segundo homem'' de meio-campo.

Já Luiz Felipe Scolari mandou ao gramado o mesmo time do triunfo diante do Grêmio, incluindo as manutenções de Jemerson na zaga, Edenilson ao lado de Otávio como volante, e Igor Gomes na meia-esquerda.

Como Flamengo e Atlético Mineiro iniciaram o duelo válido pela 36ª rodada do Brasileirão 2023 — Foto: Rodrigo Coutinho

O jogo

Flamengo e Atlético corresponderam a expectativa gerada antes da bola rolar e entregaram um bom 1º tempo no Maracanã, sobretudo os 20 minutos iniciais e os últimos dez antes do intervalo. Ritmo alto e trocação com estilos diferentes para produzir. O rubro-negro teve mais volume no campo de ataque, até por ter saído atrás no placar.

O gol atleticano veio basicamente na primeira vez que a equipe conseguiu estabelecer uma mínima troca de passes no gramado rival. E ela foi rápida, com a marca daquilo que faz o alvinegro tão letal para terminar as jogadas. Igor Gomes achou Hulk com liberdade na intermediária, e ele serviu Paulinho com um lindo passe para o camisa 10 marcar entre Matheuzinho e Fabricio Bruno.

A vantagem mineira revelou problemas defensivos que o Flamengo já apresentou em outros jogos. Pouca pressão na bola quando um defensor adversário avança, espaços pelo centro do campo e um cenário em que a última linha acaba sobrecarregada. Isso aconteceu novamente em determinados períodos da 1ª etapa.

Mesmo finalizando menos que o rubro-negro, o Atlético terminou com mais de posse de bola, exatamente pela pouca capacidade de recuperação da pelota por parte dos donos da casa. Em determinados momentos, os comandados de Felipão tiravam a velocidade do jogo, tentavam irritar a torcida. Em outros, chegavam com perigo, quase sempre em combinações entre Paulinho e Hulk.

Paulinho marca logo aos sete minutos o seu 18º gol neste campeonato — Foto: André Durão

Paulinho passou boa parte da 1ª etapa recompondo pela direita, vigiando Ayrton Lucas, e ainda era perigoso quando sua equipe se instalava no ataque. Tanto ele, quanto Hulk, além de Zaracho e Igor Gomes, tinham total liberdade de movimentação, e isso gerava ainda mais problemas para a defesa rubro-negra marcar. Rossi fez duas ótimas defesas em chutes de Otávio e Hulk.

O Flamengo conseguiu encontrar boas conexões entre meias e pontas. Seja com Arrascaeta e Bruno Henrique ou Gérson e Everton Cebolinha, mas encarou um sistema defensivo mais sólido. O camisa 11 gerava as jogadas mais agudas ao vencer duelos com Saravia pela esquerda. Pedro quase marcou assim.

Se Rossi fez duas boas defesas, Éverson também foi fundamental em três lances. O Mais Querido levou vantagem nas bolas paradas aéreas, e desta forma o arqueiro trabalhou bem para evitar gols de Léo Pereira e Bruno Henrique. Tirou um gol certo de Pedro na pequena área e contou com a sorte em linda finalização de Cebolinha da entrada da área.

Pode ter faltado mais regularidade na produção ofensiva rubro-negra, o time alternou bastante nos 50 minutos da 1ª etapa, mas teve chances de ir ao vestiário com ao menos um gol no placar. Matheuzinho foi sacado para a entrada de Wesley no intervalo. No Galo, Igor Rabello entrou no lugar de Lemos. Saravia já tinha saído para que Mariano entrasse ainda na 1ª etapa. Ambos por lesão.

Arrascaeta se lamenta na 1ª etapa, no Maracanã — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

O 2º tempo começou de forma perfeita para o Atlético. Se aproveitou de erros técnicos de Ayrton Lucas e Wesley num rebote de escanteio pró-Flamengo, e encaixou um contragolpe fulminante. Paulinho recebeu de Zaracho e deixou Edenílson pronto para ampliar no primeiro minuto da etapa complementar.

Era tudo o que o Galo queria para se fechar de vez e explorar os contragolpes. Rubens entrou para reforçar a marcação pelo lado esquerdo. O impressionante Paulinho se fixou no auxílio a Mariano pela direita. Tite sacou Thiago Maia e Cebolinha. Colocou Everton Ribeiro e Gabigol. Gérson passou a ser o homem mais recuado do meio.

Os anfitriões não tiveram capacidade para furar a retranca. Trocaram passes na intermediária sem penetração. Alçaram bolas a esmo na área e ficaram muito expostos aos contragolpes atleticanos. Já com Pavon em campo, o Galo viu o argentino escapar em velocidade pela direita e cruzar para Rubens marcar. Lindo passe de Edenílson na origem do lance, um dos melhores em campo.

O reconhecimento da torcida rubro-negra, cantando muito ao longo do 2º tempo, mesmo depois do time sofrer o terceiro gol, dá o tom da aprovação do trabalho que começa a ser desenvolvido visando a próxima temporada. Buscar o título nacional nas próximas rodadas ficou ainda mais improvável, mas a causa disso está no restante do ano, e não nos últimos dez jogos.

Fonte: Globo Esporte