Flamengo não apresenta estrutura para prevenir curto e incêndio no CT

O Flamengo não apresentou até agora nenhum ítem de prevenção contra incêndios que poderia ter evitado curto-circuito no seu sistema de ar-condicionados, tampouco a existência de uma brigada com profissionais para combater uma situação como a que matou dez atletas da base do clube. Segundo fontes ouvidas pelo EXTRA, não havia nenhum desses dispositivos no Ninho do Urubu.

O clube sustenta que o mau tempo que provocou o temporal no Rio e queda de energia na quarta-feira pode ter causado picos de tensão, que teriam forçado o sistema elétrico e de ar-condicionado antes do contêiner pegar fogo no Centro de Treinamento.

Não foi informado, porém, se no sistema de ar-condicionados, que passou por manutenção recente, havia um equipamento chamado supressor de transiente, que segundo engenheiros consultados pelo EXTRA seria capaz de evitar que uma sobrecarga de tensão causasse um curto no equipamento.

Light reforça que não religou energia antes

A Light, empresa fornecedora de energia elétrica do Rio, afirmou que não houve religamento da rede no momento do incêndio, movimento que poderia gerar a sobrecarga de tensão. A companhia disse ainda que depois de sucessivos apagões, em função do temporal de quarta-feira, houve reclamações de moradores de Vargem Grande, e o problema, segundo a Light, ocasionado pela queda de uma árvore, foi resolvido.

"Das 9h35 do dia 7/2 até o momento do incêndio no dia 8/2, os gráficos do Centro de Operações da Light não registraram interrupção e, sequer, oscilação de energia na rede que alimenta o Centro de Treinamento", diz a empresa.

O Flamengo bate o pé e diz que houve, sim, apagão às 5h da sexta-feira.

A árvore citada pela Light derrubou um poste na Estrada dos Bandeirantes e causou interrupção do fornecimento no CT. No entanto, a energia foi reestabelecida na manhã de quinta-feira, mesmo com a árvore e o poste ainda caídos.

Geradores resolviam quedas de luz constantes

A rotina no Ninho do Urubu nos últimos anos era de queda de energia em dias de tempo ruim. Por isso, o Flamengo providenciou recentemente ao menos um gerador para cada área utilizada pelos jogadores profissionaias e da base. Não se tem a informação se os geradores estavam ligados na madrugada do incêndio. Um ficava na entrada do CT, perto dos contêineres da base.

O Flamengo informou apenas que a empresa COLMAN REFRIGERAÇÃO LTDA. – ME realizou no último dia 5 de fevereiro a manutenção preventiva de rotina nos seis aparelhos de ar-condicionado instalados no alojamento modular utilizado pelos atletas das categorias de base. O clube não relatou problemas apresentados pelos aparelhos.

Vizinhos do Ninho relatam apagão

Moradores da região ouvidos pelo EXTRA, por sua vez, atestam os picos de luz desde quarta-feira, e dizem que na sexta-feira antes do incêndio também não havia energia próximo ao CT.

— Minha filha mora na rua José leite Lopes. Estava lá às 5h30 no dia do incêndio cuidando do meu neto. Não havia energia elétrica nesse horário. Às vezes a energia ameaçava voltar, as luzes piscavam. A energia voltou definitivamente por volta das 7h30 — diz Gloria Glória Asterito, que estava em endereço a 3 km do Ninho.

— No dia do ocorrido, os locais que já haviam tido a energia restabelecida tiveram novamente queda de luz no mesmo horário. No momento do incêndio, na minha residência estava sem luz. Na casa do meu irmão, que é na rua ao lado, estava com luz. Ele relatou que houve um estrondo e a luz acabou novamente. Acreditamos que devido a essa carga repentina o ar pode de fato ter entrado em curto — opina Kássia Silva, moradora da rua Serra Dourada, a 2 km do CT.

Fonte: Extra

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