A Supercopa do Brasil deste domingo, no Mané Garrincha, em Brasília, colocará frente a frente as duas forças que podemos considerar "hegemônicas" no futebol nacional nos últimos anos.
O Flamengo , atual campeão brasileiro, enfrentará o Palmeiras , que venceu a Copa do Brasil (além da Conmebol Libertadores ), em uma partida que também colocará sob os holofotes as diferentes formas que equipes – e sobretudo técnicos – pensam o jogo e como chegar a vitórias e títulos.
FLAMENGO
O octacampeão brasileiro, como bem disse Willian Arão em entrevista exclusiva ao repórter Pedro Henrique Torre, costuma entrar em campo pensando mais em suas próprias ideias de jogo do que no adversário.
Alta circulação e posse da bola, intensidade nas ações para recuperar a posse e pressão pós-perda constante foram as tônicas nas duas partidas dos titulares pela nova temporada, resgatando mecanismos que, ao final do Brasileirão passado, muito por causa do desgaste que o calendário causou, por vezes não ficavam evidentes. Mesmo considerando que Bangu e Madureira são equipes de nível técnico inferior aos times que o Flamengo enfrentará na busca pelos grandes títulos de 2021, nas duas partidas iniciais dos titulares já foi possível perceber que o time voltou "elétrico".
Arão como zagueiro
Aliás, o próprio Willian Arão se tornou peça-chave para o crescimento da equipe de Rogério Ceni. Uma adaptação que se mostrou necessária, já que Gustavo Henrique e Léo Pereira não vinham dando conta do recado, mas que reforçou ainda a qualidade na construção de jogo do Flamengo, melhorando principalmente os passes verticais.
Obsessão pela bola
Por vezes dificultada na temporada passada, essa característica do jogo do Flamengo foi fácil de ser observada nas partidas dos titulares em 2021.
Buscando sufocar seu adversário no próprio campo e retomar a posse o mais rápido possível após a perda dela, o Flamengo, desde a chegada de Ceni, foi a equipe que mais retomou a posse de bola no campo ofensivo no último Brasileirão segundo dados do ESPN TruMedia.
Por meio dessa ferramenta, o Flamengo de Ceni foi o segundo time que mais originou jogadas para chutes após recuperações no ataque (19) e o primeiro em gols nessa situação (3).
Manutenção da posse de bola
Controlar partidas por meio da bola e gerar chances de gol com qualidade raramente são metas atingíveis sem jogadores de qualidade. E isso o Flamengo tem de sobra.
No Brasileirão de 2020, desde a chegada de Ceni, o rubro-negro foi a equipe que mais conseguiu ações na área do adversário, bem como foi um dos times com maior percentual de posse de bola e passes completos. Chama a atenção como a eficiência dos passes aumenta em áreas mais terminais do campo.
Não à toa, o Flamengo teve 3 jogadores entre os dez que mais participaram de jogadas que terminaram em gols no Brasileirão-20 desde a chegada de Ceni. Bruno Henrique, e os dois maestros, Arrascaeta e Éverton Ribeiro, que conseguem criar chances de qualidade e ditar o ritmo do jogo.
PALMEIRAS
Se por um lado o Flamengo não se mostra muito "flexível", o Palmeiras de Abel Ferreira se forjou como campeão da Copa do Brasil e da Libertadores na base da adaptação estratégica.
O comandante português, que admitiu ter lido de cabo a rabo um dos livros de Marcelo Gallardo antes da primeira partida contra o River Plate, na semifinal do torneio sul-americano, não tem constrangimento algum em primeiro neutralizar as ameaças adversárias para só então explorar as fraquezas do oponente. Isso em partidas consideradas decisivas.
Foi assim contra o Defensa y Justicia, no primeiro duelo pela final da Recopa Sul-Americana, nas duas disputas de taças que teve com o Palmeiras, assim como nas semifinais contra América-MG (pela Copa do Brasil) e River Plate.
O Palmeiras demonstrou boa capacidade de controlar a bola e dominar o jogo por meio de sua posse em partidas do Campeonato Brasileiro, mas, tomando como base as disputas "decisivas" citadas acima, podemos identificar alguns comportamentos do Palmeiras nesses tipos de jogos.
Preocupação defensiva
Segundo dados coletados no ESPN TruMedia, a média de ações defensivas subiu de forma considerável. Aumento de 23,2% nas partidas decisivas em comparação com os jogos do Palmeiras de Abel Ferreira pela Série A de 2020.
Verticalidade
Outro aspecto do jogo palmeirense que se sobressalta em decisões é a verticalidade. A busca por acelerar o jogo em poucos passes não é novidade, e basta olhar os dados de passes para perceber a postura dos comandados de Abel.
Com a queda do percentual de posse, também caem o número de passes trocados e a quantidade de jogadas com 6 ou mais passes trocados.
Em contrapartida, a proporção de passes verticais aumentou em jogos decisivos. E, mesmo com a diminuição da tentativa de passes em geral, houve pouca alteração na média de passes para o terço final, onde as jogadas se definem.
É aí que Rony ganha destaque. Alvo preferido desses passes verticais nas decisões palestrinas, Rony tem sido o escape perfeito para resolver em situações rápidas.
Nessas partidas decisivas, o novo camisa 7 do Palmeiras teve participação direta (gols ou assistências) em quatro dos sete gols advindos de jogadas “de bola rolando” e esteve na construção de seis dessas jogadas!
Bola parada
Abel Ferreira é notoriamente grande entusiasta das jogadas de bola parada, a considerada quinta fase do jogo de futebol. E na hora do "vamos ver", esse tipo de ensaio tem dado certo. Cinco dos 12 gols feitos nos jogos tomados por base foram marcados em jogadas de bola parada.
Uma arma que tem se mostrado letal para o Alviverde.
Eficiência no terço final
Não basta se defender bem, acionar mecanismos para chegar ao ataque e, no fim, desperdiçar oportunidades, certo?
Nesse quesito, o Palmeiras tem muito claro que a eficiência na hora de definir as jogadas é essencial em jogos de competições eliminatórias. Foi assim contra o Defensa y Justicia e River Plate na Argentina, assim como contra o Grêmio no Allianz Parque.
É importante frisar que, em todos esses aspectos e características, tanto para Flamengo quanto para Palmeiras, a parte mental é fundamental. Os jogadores devem ter muito claro qual o plano de jogo a ser aplicado e o foco deve estar estreito na partida. Os competidores dessa Supercopa do Brasil chegaram até esta disputa justamente por esse mérito: saber competir com as ferramentas que dispõem. E assim será na partida em Brasília.