Representantes de sete das dez famílias que perderam os filhos no incêndio do Ninho do Urubu no dia 8 de fevereiro, o trio de advogados Mariju Maciel, Arley Carvalho e Paula Wolff deram uma longa entrevista coletiva nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, contestando a informação de que o Flamengo tem acordo encaminhado com outras famílias.
Até aqui, o clube rubro-negro informou ter feito acordo com uma família e ter encaminhado conversas com outras três. Mesmo assim os advogados disseram que saiu da equipe da Gávea uma informação falsa.
"Não estamos em luta com o Flamengo. Estamos de luto com as famílias. A verdade nua e crua é que não existe negociação com nove famílias como diz o Flamengo", disse Mariju Maciel.
"Por que está sendo dito [isto pelo Flamengo]? A gente não sabe. Foi levantando que é porque há uma busca por patrocinador e isso facilitaria contato com algum patrocinador máster. Eu tenho dúvidas sobre qual patrocinador toparia ter seu nome vinculado com uma empresa que está abandonando as famílias de uma das maiores tragédias que aconteceu neste país. Temos a perda de dez crianças", prosseguiu a advogada.
O trio disse representar as famílias de Christian Esmério, Gedinho, Pablo, Jorge Eduardo, Arthur, Samuel e Rykelmo. Todos vítimas fatais do incêndio no Ninho do Urubu, em 8 de fevereiro.
O Flamengo acabou rebatendo as acusações em nota oficial publicada no fim da tarde desta terça-feira.
Confira a nota do Flamengo:
"Em primeiro lugar, o Clube de Regatas do Flamengo esclarece que, diferentemente do que afirmaram os três advogados, jamais afirmou estar negociando com nove famílias. O clube reafirma que já fechou acordo com uma família e negocia com três. E segue aberto para novas negociações. Vale esclarecer que a advogada da família do atleta Rykelmo é a Doutora Gisleine Nunes, que já se reuniu com o corpo jurídico do clube.
Quanto à afirmação de que o clube não procurou as sete famílias representadas pelos três advogados para negociar, o Flamengo lembra que em reunião no Tribunal de Justiça, no dia 21/2/2019, os advogados não concordaram com os termos propostos e encerraram as conversas.
Também diferentemente do que foi dito pelos advogados, o Flamengo vem dando sim todo apoio material e psicológico às famílias dos atletas que se encontravam no Centro de Treinamento George Helal no dia do incêndio (8/2/2019) que vitimou dez jovens.
Nestes 39 dias, o clube procurou estar sempre ao lado das famílias dos atletas, dando suporte financeiro e psicológico. Todas as despesas com transporte, alimentação e hospedagem ficaram a cargo do clube, que não mediu esforços para atender a todas as demandas.
Durante todo o período no qual os três atletas que se feriram permaneceram hospitalizados, o clube manteve um responsável para cuidar da logística dos familiares, além de um médico para acompanhar todos os procedimentos no hospital. A hospedagem e a alimentação dos parentes também ficaram a cargo do clube.
Somente com passagens aéreas e hospedagem de parentes, advogados e empresários dos jogadores o Flamengo gastou até o momento R$ 222.580,30. Nesta quantia está incluído o fretamento de um avião para agilizar os sepultamentos dos casos em que a logística era mais complicada.
Vale registrar que o Flamengo continua dando uma ajuda de custo mensal de R$ 5 mil para as nove famílias que ainda não acertaram as indenizações. Em relação aos 16 atletas sobreviventes, o clube já fechou acordo com 13 famílias e está em negociação com as três restantes.
O clube também já prestou inúmeras homenagens aos atletas, quase todas devidamente registradas pela imprensa, entre elas a missa de sétimo dia, a missa de um mês, além do luto em todos os esportes até o fim de 2019. A homenagem realizada antes do Fla-Flu do dia 14 de fevereiro, no Maracanã, foi toda organizada e custeada pelo clube. Além disso, em todos os sepultamentos havia um representante do clube.
Mais uma vez o Flamengo reitera que continua à disposição das famílias para que tudo seja resolvido o mais rapidamente possível."