Flamego proíbe repórter de entrevistar Rueda, mas depois recua

A assessoria de imprensa do Flamengo não permitiu que o repórter Diogo Dantas, dos jornais O GLOBO e “Extra” (ambos publicados pela Infoglobo), fizesse perguntas a Reinaldo Rueda durante a entrevista coletiva do técnico, o que caracteriza cerceamento de acesso à informação.

Os assessores do clube se recusaram a atender os pedidos do repórter para falar, e explicaram depois que se tratava de determinação do vice-presidente de Comunicação, Antonio Tabet. Em nota divulgada após a entrevista coletiva, o Flamengo justificou sua decisão com a alegação de que o jornal “Extra”, “de maneira ininterrupta”, tem “difamado” o clube.

“Até o editorial, espaço mais nobre e sério da publicação, já estampou deboche em relação a profissionais do clube”, afirma a nota, mostrando que o clube ainda leva a sério a brincadeira — comunicada na primeira página do diário em 2 de setembro — de abandonar o apelido de Alex Muralha enquanto ele não fizesse uma grande atuação: hoje, o “Extra” só se refere ao goleiro por seu nome de batismo, Alex Roberto.

INTELIGÊNCIA E TÍTULO

Na nota, o clube reiterou que “se reserva o direito de não atender às demandas exclusivas do jornal” — o que a rigor ocorre desde a piada do dia 2 de setembro — e que o jornal participaria “normalmente” do acesso às dependências do clube e das entrevistas coletivas. O Flamengo esclareceu depois que a proibição de fazer perguntas não seria estendida para além de ontem. E que a decisão de restringir o trabalho do “Extra” não se deu em “em caráter pessoal, mas institucional”.

A manchete desta sexta-feira do “Extra” destacava o papel do Central de Análise e Desempenho, setor do Centro de Inteligência e Mercado do clube, na tática adotada por Muralha na disputa de pênaltis contra o Cruzeiro, em que o goleiro saltou sempre do mesmo lado. O GLOBO também publicou ontem a matéria, assinada por Dantas.

A capa do “Extra” ainda ressaltava a enxurrada de críticas de torcedores ao vice de Comunicação rubro-negro. Tabet comemorou em suas redes sociais o “título” do primeiro lugar no ranking de seguidores em redes sociais, que até então era do Corinthians — a celebração foi considerada inoportuna por boa parte dos seguidores rubro-negros.

'MANCHA' NA HISTÓRIA DO CLUBE

Também em nota, a ACERJ, Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro, repudiou a atitude da diretoria do Flamengo: “Tal procedimento é um ato de censura que se contrapõe aos procedimentos de uma administração que se proclama moderna e de vanguarda, e em nada contribui para as boas relações clube/imprensa, preceito que a Diretoria da ACERJ prega. Aliás, desde o início de nossa gestão, em abril de 2017, vimos solicitando um encontro da Diretoria da ACERJ com a Diretoria do Flamengo, que vem sendo protelado pelo clube. Encontros que já fizemos com as Diretorias do Botafogo e do Vasco e que foram esclarecedoras e produtivas”.

A entidade disse ainda: “o Flamengo sempre foi, ao longo da história, um exemplo de respeito à liberdade de imprensa, mas a atitude de hoje (sexta-feira) mancha essa trajetória".

MURALHA SE DEFENDE

Apesar de não ter uma falha determinante para o vice da Copa do Brasil, Alex Muralha foi muito criticado por não ser eficiente nas cobranças de pênaltis. Contra o Cruzeiro, o goleiro pulou em seu canto direito nas cinco oportunidades. Nesta sexta-feira, o goleiro garantiu que teve uma conversas com a comissão técnica, mas a estratégia foi opção somente sua.

— A decisão foi minha, simplesmente minha. Se eu fosse para todos os lados, ficasse parado, não pegasse nada, teria a mesma cobrança. Tínhamos que ser campeões para tudo mudar — disse Muralha ao “Sportv”, revelando o papo com o preparador Victor Hugo.

— Conversei no dia anterior com ele, e vendo todos os lances, eu falei “quero fazer isso”. Ele perguntou se eu estava confiante. “Eu tô”, respondi. Então, ele disse: “Faz o que teu coração mandar. Se na hora achar que não tem que fazer, não faz. Mas se achar que tem de fazer, vai lá e faz”.

Magoado com as críticas, Muralha admite que precisa evoluir nos pênaltis (no Fla, defendeu apenas uma cobrança, logo a primeira, em 22). O goleiro, no entanto, não desanima.

— Estou sendo massacrado o ano todo, é sempre em cima de mim a culpa. Me acostumei com isso, fiquei mais cascudo. Preparo o psicológico. Vai passar. Muralha não se define em pênaltis e jogos. Em algum momento vai mudar, e coisas melhores virão — afirmou.

Fonte: O Globo