Fla tem psicólogo em campo e workshops para administrar pressão por títulos

Gilvan de Souza/ Flamengo
Alberto Filgueiras é o psicólogo do Flamengo desde o início da atual temporada

Lidar com a pressão por grandes conquistas faz parte da história centenária do Flamengo. Nos últimos anos, no entanto, as cobranças aumentaram por conta do trabalho de reestruturação financeira e do elevado investimento no futebol. Os títulos de expressão ainda não chegaram e a gestão Bandeira de Mello tem um semestre decisivo pela frente. É aí que aparece o psicólogo Alberto Filgueiras, responsável por administrar o processo no Ninho do Urubu.

Reconhecido na área da psicologia esportiva como uma das referências no Brasil, Alberto fez parte da formação profissional dentro do Flamengo entre 2007 e 2009, o que o transformou em um íntimo da "panela de pressão" do clube. Inclusive, a temperatura subiu recentemente com os vice-campeonatos da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana, além da eliminação no Campeonato Carioca. Na ocasião, a diretoria mudou peças e a estrutura do departamento de futebol.

"É claro que existe pressão por resultados. O que tentamos fazer é construir uma mentalidade vencedora, que já vinha sendo montada há algum tempo. O futebol é multidimensional, mas trabalhamos isso. Tenho 28, 30 jogadores parceiros no processo. Todos entenderam no Flamengo que a psicologia é fundamental nesse sentido", afirmou ao UOL Esporte.

Gilvan de Souza/ Flamengo
Alberto Filgueiras e Maurício Barbieri: juntos todos os dias nas atividades do Flamengo
O Flamengo é um dos seis clubes da Série A que trabalham com psicólogo no elenco principal. Mais que que isso. O Rubro-negro tem cinco psicólogos, um para cada categoria: Mirim, Infantil, Juvenil, Juniores e Profissional. Coordenador do setor, Alberto é um integrante efetivo da comissão técnica.

"Psicólogo do esporte que se preza fica na beira do campo. Faça chuva ou sol, não interessa. Ali é o local onde as coisas acontecem. Troco ideia com todos, o que me dá um retorno importante. Não existe isso de ficar trancado em uma sala com o atleta. A minha experiência de anos mostra que assim funciona. Comportamento é questão de hábito", explicou.

No Flamengo, o trabalho psicológico está interligado ao CEP (Centro de Excelência em Performance) e acontece diariamente através de workshops com a participação dos jogadores. As avaliações são constantes e realizadas antes e depois dos jogos, além do início e finais de temporadas. O Rubro-negro atual tem na psicologia um braço para os trabalhos táticos, físicos e demais atividades do departamento de futebol.

"Realizamos workshops todos os dias. Escola de líderes, ativação, visualizações, discussões táticas e mentais. Entendemos o esporte e o que está envolvido nisso. Os goleiros, inclusive, realizam uma forma específica de prevenção com diferentes cenários e meditação. Outro aspecto é treinar o técnico. Passo para a comissão o que exatamente o elenco precisa. Eles me ajudam no processo", disse.

Com um trabalho voltado totalmente para a performance do grupo, Alberto Filgueiras tem desafios a cumprir. Lidar com diferentes características e driblar o dia a dia são atalhos importantes na tentativa de fazer um elenco campeão.

Gilvan de Souza/ Flamengo
O psicólogo do Flamengo trabalha diariamente com os jogadores no CT Ninho do Urubu
"A pratica rotineira é o desafio. O atleta está sempre preparado para jogar, mas a rotina dos treinamentos é um fator que trabalhamos. Sabemos também que todo grupo tem diferentes características. Um cara frio que transmite tranquilidade, outro mais autoritário que coloca a bola embaixo do braço e tenta resolver. Tudo isso faz parte. São demandas distintas e tentamos construir um grupo homogêneo. Cada um mostra o seu tipo de liderança. Um adota mais o discurso, outro chega mais cedo para malhar. Eles se completam de alguma forma", comentou.

Alberto Filgueiras se mostra satisfeito com a aposta do Flamengo na psicologia do esporte. Por outro lado, diz acreditar que a área ainda é pouco explorada no país. Os fracassos da seleção brasileira nas últimas Copas do Mundo levantaram o debate sobre a necessidade de um investimento maior em psicólogos.

"Trabalhei nos Jogos Olímpicos Rio-2016. Eram 36 psicólogos. Posso dizer que, em termos de conhecimento, estamos no mesmo nível dos outros países. Só que ainda falta ao Brasil acreditar na psicologia do esporte. É um trabalho específico importantíssimo. Está na hora de adequar essa prática, sem dúvida", encerrou.

Fonte: Uol

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