Fla já bateu Palmeiras em final internacional com gol de herói improvável

Um dos grandes clássicos do futebol brasileiro, Palmeiras x Flamengo vai escrever mais um capítulo dessa rivalidade em Montevidéu (URU), sábado (27), na final da Copa Libertadores . Capítulos passados desta história do confronto, porém, contam que estas equipes já estiveram em lados opostos na luta por um título internacional, e o Rubro-Negro levou a melhor com direito a um herói improvável.

Em 1999, o time da Gávea e o Verdão mediram forças na final da Copa Mercosul, e o atacante Lê, então com 20 anos, saiu do banco de reservas para marcar o nome para sempre no clube.

Em 20 de dezembro daquele ano, a equipe de Luiz Felipe Scolari — que havia conquistado a Libertadores meses antes — vencia por 3 a 2 e forçava um terceiro duelo, também na casa palmeirense, para definir o campeão da Mercosul. Carlinhos, o Violino, chamou, e Lê entrou em campo aos 31 minutos do segundo tempo, na vaga de Marcelo Rosa. Apenas sete minutos depois, após tabela com Reinaldo, recebeu na frente da área, avançou e bateu na saída do goleiro Marcos. Na comemoração, não conteve as lágrimas.

Após o triunfo por 4 a 3 no Maracanã, o empate em São Paulo garantiu ao Flamengo o inédito troféu . A Copa Mercosul, inclusive, foi disputada entre 1998 e 2001 e contava com clubes da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, países fundadores do Mercado Comum do Sul, o chamado Mercosul, além do associado Chile.

Herói do Flamengo no título da Mercosul de 1999, Lê foi destaque na imprensa após a final - Reprodução O Globo / Acervo O Globo - Reprodução O Globo / Acervo O Globo
Imagem: Reprodução O Globo / Acervo O Globo

"O Palmeiras era o grande favorito, estádio lotado. A Mercosul foi um resumo de tudo que passei. [O gol saiu] Em uma tabela com Reinaldo, ele devolveu de calcanhar, já perto da área, abriu um clarão e o Marcos cresceu, né? Só que tive tranquilidade e empurrei de canhota. Não soube o que fazer [na comemoração], não sabia como vibrar. Foi quando coloquei a mão no rosto e comecei a chorar", contou ele, em entrevista à TV Globo, em 2016.

A trajetória de Lê

Leandro Cardoso, o Lê, como ficou conhecido, chegou à Gávea aos 11 anos e, nas categorias de base, atuou ao lado de nomes como o do goleiro Júlio Cesar e do zagueiro Juan, que hoje é gerente técnico do Fla.

Atacante Lê pelo Flamengo, nos tempos de jogador - Reprodução Instagram - Reprodução Instagram
Imagem: Reprodução Instagram

O atacante atuou pela primeira vez na equipe profissional em 1997, mas ainda variando entre o elenco principal e o sub-20. Em 1999, o Rubro-Negro fechou parceria com a ISL, à época renomada empresa de marketing esportivo, que fez com que diversos grandes nomes desembarcassem no clube na temporada seguinte, alguns para o setor ofensivo, como Alex, Denilson e Edilson.

Sem espaço, Lê foi emprestado ao Internacional, onde atuou na temporada de 2001. Ele retornou à Gávea em 2002, mas não conseguiu engrenar. Teve passagem pelo futebol português, quando defendeu Belenenses e Nacional, e angolano, vestindo a camisa do Petro Luanda. Defendeu alguns clubes de menor investimento até a aposentadoria, em 2010, quando estava no Luverdense.

Título em meio à crise

A conquista da Mercosul de 1999 foi um alento em meio a uma crise pela qual o Flamengo passava. Os conturbados bastidores, inclusive, fizeram com que Lê fosse relacionado para a final.

Em novembro, o Rubro-Negro foi a Caxias do Sul (RS) encarar o Juventude, em partida que decidiria a vida no Campeonato Brasileiro — para se classificar às quartas de final precisava da vitória. A equipe da Gávea, porém, perdeu por 3 a 1. Como o Fla iria enfrentar o Internacional dias depois, em uma seletiva que daria vaga na Libertadores, planejou permanecer com a delegação concentrada em Caxias do Sul.

Após a derrota no Alfredo Jaconi, porém, veio à tona que Romário, então estrela do time, e mais quatro jogadores teriam se envolvido em uma festa com a presença de uma modelo apontada como a rainha da "Festa da Uva", tradicional festival local. O episódio se tornou o fim da linha para o Baixinho, que já vinha em choque com Gilmar Rinaldi, então superintendente de futebol. O destino do atacante foi o rival Vasco .

Até aquele momento, Romário havia feito oito gols na Copa Mercosul e o Flamengo teria ainda pela frente a semifinal com o Peñarol, do Uruguai. Sem o camisa 11, Reinaldo ganhou mais oportunidades, e Lê passou a aparecer mais na lista de relacionados.

Filho de Lê passou pela base do Fla

João Gabriel, da base do Flamengo, e o pai Lê - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

O atacante João Gabriel, filho de Lê, teve recente passagem pela base do Flamengo . Atualmente, o ex-jogador, inclusive, participa do gerenciamento da carreira do jovem. Ano passado, em entrevista ao UOL Esporte , Lê contou um pouco da relação com o filho e lembrou que ainda tem contato com alguns companheiros da conquista da Mercosul.

"Temos um grupo da Mercosul... Quem vem muito aqui em casa é o Jorginho, com quem tenho uma afinidade muito grande. Reinaldo e Júnior Baiano encontro no Fla-Master. Com a pandemia, os jogos pararam, mas estávamos sempre viajando. Sou amigo deles todos. Não nos falamos muito por causa da correria, mas fim de ano temos uma pelada. Foi uma época boa", disse, na ocasião.

Imagem: Paulo Whitaker REUTERS

Fonte: Uol
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