Final da Libertadores: o que o torcedor do Flamengo pode esperar de Lima

Ao transferir a final única da Libertadores para Lima, a Conmebol deixou muitos torcedores do Flamengo com um pé atrás. Inicialmente escalada para sediar a decisão da Copa Sul-americana, a capital peruana perdera este direito por não apresentar capacidade de organização. Estaria ela, então, apta a receber a grande partida do ano?

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Trata-se da cidade sede dos Jogos Pan-americanos de 2019. Vinte dias no local para a cobertura do evento, entre julho e agosto, proporcionaram conhecimento de causa suficiente para ter certeza de que a resposta à pergunta acima é "sim". Lima tem muito a oferecer aos torcedores de Flamengo e de River Plate. Mas também é preciso estar ciente de seus problemas.

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É importante destacar que o Pan de Lima ocorreu sem maiores transtornos para o espectador. Em 17 dias de Jogos, não foram registrados problemas nos locais de competição, como longas filas ou um derrame de ingressos falsos. E, apesar da pouca experiência do país na organização de grandes eventos, a segurança também não deixou a desejar. O que não quer dizer que tenha sido perfeita. No Videna (Villa Deportiva Nacional), dois jornalistas tiveram seus equipamentos furtados em plena luz do dia. Já na sede de tênis, um bandido levou dinheiro e laptop a dois dias da abertura oficial.

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A estrutura das instalações esportivas foi um ponto alto. Seja das inauguradas para o Pan, seja das que foram apenas reformadas. Não se via ostentação, mas tudo estava limpo e bem preservado. Vale lembrar, todavia, que o Estádio Monumental de Lima, escolhido para o confronto entre brasileiros e argentinos, não recebeu nenhuma competição.

Ao longo dos Jogos, ficou nítido que os peruanos tentavam compensar a falta de know-how sendo o mais solícitos possível. Uma atitude que ia desde os voluntários até os moradores da cidade. Ainda assim, nem tudo pôde ser resolvido apenas com prestatividade. O destaque negativo foi o sistema de ônibus que transportavam as delegações e a imprensa. Os atrasos eram constantes. Além disso, não era raro os motoristas, que chegaram a cruzar os braços e fazer greve por falta de pagamento no meio do evento, errarem o caminho.

Como não haverá este tipo de serviço na final da Libertadores, os torcedores não devem passar por este transtorno. Mas é bom ficar de olho, pois há outros. O trânsito de Lima é conhecido por ser um dos piores do continente. E com razão. Como o custo de aquisição é baixo, há cada vez mais automóveis nas vias. E não há uma política de renovação da frota. Veículos novos e muito antigos convivem nas ruas de Lima. Portanto, é bom dirigir-se ao estádio (e a qualquer destino, na verdade) com horas de antecedência.

Um conselho: evite os táxis. Não há a cultura do taxímetro. Os motoristas decidem no momento da corrida o quanto irão cobrar. Considerando a alta demanda que haverá no fim de semana da final, é provável que não fiquem tímidos na hora de definir o preço. Os serviços particulares de transporte por aplicativo funcionam na cidade e são muito mais confiáveis.

O estresse causado pelo trânsito pode ser compensado na hora de comer e beber. A gastronomia de Lima é reconhecida mundialmente por sua excelência. E, de fato, se trata de um orgulho para a população. Não apenas os restaurantes estrelados como também os mais modestos têm a preocupação de oferecer comida e atendimento de qualidade.

Além de comer bem, é provável que os rubro-negros contem com o apoio da torcida andina. O Flamengo é um clube conhecido no país. Assim como o Corinthians e o Internacional. O motivo é um só: Paolo Guerrero. Com status quase divino entre seus conterrâneos, o atacante fez com que o clube carioca estampasse as capas dos jornais locais no período em que defendeu suas cores. Além disso, o futebol brasileiro é admirado e valorizado por lá. Muitas escolinhas usam e abusam das referências ao país de Neymar e de Ronaldinho Gaúcho (os dois mais lembrados pelos peruanos) para atrair alunos. Portanto, não estranhe se eles aderirem a onda do "Hoje tem gol do Gabigol".

Fonte: O Globo