Felipe, goleiro que se destacou no Sampaio Corrêa, onde recentemente conquistou o Campeonato Maranhense de 2024, aceitou uma proposta do Differdange, de Luxemburgo, e agora vive uma nova etapa em sua carreira. Em entrevista, o jogador de 42 anos reflete sobre suas experiências no futebol europeu e recordações marcantes de sua passagem pelo Flamengo.
Felipe assinou um contrato de dois anos com o Differdange, onde já se considera adaptado à vida no país. “Não vou mentir. Apesar de ser Europa, não é o centro do futebol europeu”, afirmou. Ele ressaltou que a qualidade de vida em Luxemburgo é alta, mas que a grande maioria dos jogadores, cerca de 80%, precisa equilibrar o futebol com empregos paralelos. “O futebol não é 100% profissional”, completou.
Desempenho em Campo
Na última temporada, Felipe teve um desempenho notável, ficando 1.561 minutos sem sofrer gols e sendo premiado como o melhor goleiro. Ele disputou 29 dos 30 jogos da liga nacional, sofrendo apenas seis gols. “Estou muito surpreso de ainda conseguir jogar em alto nível e bater recordes”, destacou. Contudo, ele enfrentou desafios como o frio intenso do inverno europeu e a barreira linguística, já que Luxemburgo tem três idiomas oficiais: francês, alemão e luxemburguês. “Estudo francês e consigo compreender o que falam. Só tenho dificuldade para falar”, disse.
A presença de brasileiros e portugueses no clube tem ajudado na adaptação de Felipe. “Na alimentação tem churrasco, arroz, feijão... Está sendo bem legal”, comentou.
Planos Futuros
Felipe expressou o desejo de continuar no Differdange após sua aposentadoria, possivelmente em um cargo na comissão técnica. “Eles me pedem para dar treino aos goleiros mais novos. É como um aulão. E a criançada gosta de mim aqui”, contou. O diretor do clube já manifestou interesse em mantê-lo na comissão, o que mostra o reconhecimento pelo trabalho do goleiro.
Recordações do Flamengo
O ex-goleiro do Flamengo também relembrou momentos marcantes de sua trajetória no clube, incluindo o icônico jogo contra o Santos em 2011, que terminou em 5 a 4. “Todo mundo lembra. Quem ganhou naquele jogo foi o futebol”, afirmou, recordando as defesas importantes que fez e a relação com jogadores como Neymar e Elano. Ele comentou sobre a pressão de enfrentar Neymar: “A gente andava de bicicleta enquanto ele, de moto. Era muito acima da média”.
Felipe também falou sobre a conquista da Copa do Brasil em 2013 e os títulos cariocas em 2011 e 2014, destacando a importância de cada um desses momentos na sua carreira. “O título carioca invicto foi importante. Não era a potência que é hoje, mas conseguimos um título que nem o mais fanático dos flamenguistas iria imaginar”, recordou.
Reflexões sobre a Longevidade no Futebol
Em relação à longevidade dos goleiros, Felipe ponderou sobre as mudanças nos treinamentos e cuidados que os atletas têm hoje em dia. “Se tivesse, no passado, a cabeça de hoje, ainda estaria jogando nos principais clubes do Brasil”, refletiu. Ele enfatizou a importância de cuidar da forma física e do desempenho: “O pesado para o goleiro é mais a semana de treinos do que a partida. Às vezes no jogo mesmo a gente é pouco acionado”.
Com suas experiências e reflexões, Felipe se mantém ativo no cenário do futebol europeu, enquanto guarda com carinho as memórias de sua carreira no Flamengo, onde deixou um legado significativo.