Multicampeão com a camisa do Flamengo no passado recente, o meio-campista Willian Arão , do Fenerbahçe , concedeu entrevista à Globo News nesta segunda-feira (6) e contou tudo o que vivenciou durante o forte terremoto que atingiu a Turquia .
O tremor alcançou a marca de 7,8 de magnitude e deixou mais de 1498 pessoas mortas em todo o país. Na Síria, foram 716, segundo balanço da ONU. O tremor foi o mais forte desde 1939, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Na época, mais de 30 mil pessoas foram vítimas do terremoto.
“Eu não senti, a gente não sentiu o tremor aqui em Istambul. Depois de saber, tranquilizei a família, perguntei como a minha família aqui em Istambul estava, porque como a gente tinha jogo eu estava concentrado”, contou Arão.
“Depois também falei com os meus irmãos, falei com o meu pai, dizendo que estava tudo bem, mas a gente jogou nessa cidade, em Gaziantep há semanas, e provavelmente muitas dessas pessoas estavam no estádio também”.
Arão disse que todos os moradores do país estão mobilizados com o ocorrido e disse que por conta do inverno na região, alguns locais ainda estão cobertos por neve, o que tem dificultado o trabalho dos grupos de emergência em encontrar sobreviventes.
“Os turcos e nós também estamos recebendo [a situação] de uma forma devastadora porque é uma tragédia sem precedente. Eles são muito patriotas. Estão todos mobilizados para tentar ajudar para tentar prestar serviço de alguma forma”.
“Companheiros nossos de trabalho estão soterrados, suas famílias também, então é uma tragédia imensa. Infelizmente o clima também não tem ajudado, porque em algumas partes ainda há neve, tem muito frio, então isso também dificulta um pouco, mas é um clima de luto mesmo, muita tristeza”.
Arão contou ainda que o ocorrido afeta diretamente ao Fenerbahçe, uma vez que colegas de equipe e trabalhadores do clube contam com amigos e pessoas próximas na tragédia. Pessoas de Istambul estão indo para locais fora da cidade que sofreram de forma mais intensa com o ocorrido para ajudarem nos resgastes.
“Os próprios jogadores que têm amigos, alguns trabalhadores do nosso time, os funcionários, todos eles têm amigos de algumas partes desses lugares [atingidos]”.
“Então, você vê apreensão neles e sente a dor deles, porque pode acontecer com qualquer um. É muito triste. Você vê crianças, você vê gente de todas as idades, e como eu disse, tem ainda a questão do frio também que em algumas partes estão com -2, -3, sensação de -5°C”.
“Tem muita gente se mobilizando, já tem muita gente saindo propriamente de Istambul, que é propriamente onde eu vivo, indo para lá [área mais afetada], ajudando, todo mundo de alguma forma tentando ajudar. Eu consegui ver o pessoal do clube tentando bolar uma estratégia para ver como nós, jogadores e o próprio clube, poderíamos ajudar de alguma forma”.
“O que eu posso fazer nesse momento é orar para essas famílias, orar para que eles consigam resgatar o maior número de pessoas possível, porque é devastador mesmo”, finalizou.