Estreia só 30 dias depois, árbitros de paletó e calção... Como era o Carioca há 100 anos

Árbitros de calção e paletó, jogadores estreando somente após 30 dias no clube e término só no ano seguinte devido à gripe espanhola.

Que o futebol mudou muito nos últimos 100 anos ninguém tem dúvidas. Mas, recorrendo a livros históricos como a "História dos Campeonatos Cariocas de Futebol", produzido pelos escritores Roberto Assaf e Clovis Martins, em parceria com a Federação de Futebol do Rio de Janeiro, é possível viajar no tempo para reunir algumas curiosidades de como foi o estadual de 1918.

E foi o que fez o "10 e Faixa Ou Não".

Com o Carioca deste ano entrando na reta final, o blog listou alguns fatos que chamam a atenção hoje, 100 anos depois do estadual de 1918, com base no livro da Ferj. Buscas também foram feitas no livro Memória Social do Esportes, de Francisco Carlos Teixeira da Silva e Ricardo Pinto dos Santos, e em pesquisas na internet. Confira.

Contratações em campo após um mês

  • Imagine ter que esperar obrigatoriamente 30 dias para contar com um reforço do seu clube. Em 1918, período em que o futebol ainda começava a engatinhar para o profissionalismo, era assim. A Liga Metropolitana de Esportes Terrestres (LMTD), com o objetivo de acabar com o falso amadorismo, estipulou que os jogadores que mudassem de time só poderiam jogar pelo novo clube um mês depois. Apesar da medida, muitas acusações de "amadorismo marrom" foram feitas ao longo do campeonato.

Mudanças na vestimenta dos árbitros

  • A edição de 1918 do Carioca foi marcada por uma mudança no visual dos árbitros. Acostumados a usarem terno, gravata e chapéu, como mandava o figurino da época, há 100 anos, os juízes passaram usar calção, meias, chuteiras e paletó preto. Uma renovação, mas que ainda chamado a atenção no dias atuais.

Partidas de ida e volta para definir o campeão

  • Se na atual edição do Carioca o regulamento é responsável gerar muitas dúvidas de entendimento, em 1918, não era assim. O formato era bem simples: 10 equipes se enfrentavam em turno e returno, todos contra todos. O título era do clube que somasse mais pontos.
  • Os clubes participarantes foram: America, Andarahy Athletico Club, Bangu, Botafogo, Carioca Football Club, Flamengo, Fluminense, Sport Club Mangueira, São Cristóvão, Villa Isabel Futebol Clube. Reparem que o Vasco ainda não disputava.

"Multidão nunca vista antes"

  • Com o crescente interesse do público pelas partidas de futebol, os jornais da época deram atenção especial a um confronto do dia 23 de junho de 1918, que reuniu uma "multidão incalculável", "jamais vista em algum lugar", como relataram depois. Na ocasião, Fluminense e Flamengo entraram em campo no Estádio do Flamengo, na rua Paysandu, e arrastaram milhares de pessoas para o local. O Tricolor acabou levando a melhor e vencendo por 3 a 0 com gols de Pennaforte (contra), French e Welfare.

Gripe espanhola adia fim do Carioca

  • A pandemia causada pela gripe espanhola em 1918, que gerou milhares de mortes pelo mundo afora, também assolou o Rio de Janeiro naquele ano. Por conta da disseminação da doença, o Campeonato Carioca ficou paralisado por quase dois meses e só foi concluído na temporada seguinte, em 1919.
  • Uma das vítimas da gripe espanhol foi o meia-esquerda inglês Archibald French, do Fluminense, que morreu em novembro de 1918. O jogador, que tinha defendido o Bangu anteriormente, foi um dos destaques do time nesta edição do Carioca.

Fluminense campeão com ídolos nacionais

  • O Fluminense foi o grande campeão do Carioca de 1918, que só terminou no ano seguinte. Entre os destaques do clube estavam dois jogadores muito importantes para a história da seleção brasileira: Marcos Carneiro de Mendonça e Oswaldo Gomes. Conhecido por atrair corações de torcedoras apaixonadas para os estádios, Marcos Carneiro de Mendonça foi o primeiro goleiro da Seleção. Enquanto Oswaldo Gomes foi autor do primeiro gol do Brasil.

"Enquanto a guerra povoava a Europa dos mortos em flor, Marcos Mendonça (meu herói) enchia minha infância”, Nelson Rodrigues

A resenha valeu a 10 e faixa ou não? Participe conosco!

* Gustavo Garcia tem 25 anos, é jornalista e editor do GloboEsporte.com na editoria Serra, Lagos e Norte do Rio. As opiniões expressadas aqui não necessariamente refletem as do site.

Fonte: Globo Esporte

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