Dorival deixou o Flamengo após ganhar a Copa do Brasil e Libertadores

Pela primeira vez desde que anunciou que não seguiria como técnico do Flamengo , Dorival Jr. foi questionado e respondeu sobre o assunto, em entrevista ao SporTV nesta sexta-feira (16).

Segundo Dorival, que assumiu o Fla no meio do ano, arrumou o time e o conduziu aos títulos da Copa do Brasil e Conmebol Libertadores , a não continuidade pegou de surpresa.

"Para mim foi uma surpresa, sou muito sincero com vocês . Até por tudo que nós vivemos dentro do Flamengo esse ano. Eu cheguei em junho e o ambiente que eu encontrei era preocupante . Não aqui culpando quem tenha saído. Não era uma situação saudável", disse o treinador.

"Acredito que tenhamos feito um trabalho em todos os aspectos, em todos os sentidos com os jogadores, tentando recuperar cada um deles. Percebia-se que faltava um pouco de cada detalhe. Um pouco de confiança, um pouco de equilíbrio, organização dentro de uma situação que fosse apresentada e principalmente que eles se interessassem, se integrassem e entendessem aquilo que estava sendo passado. Eu acho que tudo isso aconteceu", falou Dorival.

"Em seis meses ajudar na transformação de uma equipe que até então davam como um ano perdido dentro do clube, eu acho que alguma coisa de bom foi deixado. Eu sinto isso por todo o ambiente que foi criado dentro da equipe. Era um ambiente muito saudável. Engajamos todo mundo no trabalho. Começamos uma série de cobranças, mas apresentando soluções para o grupo que abraçou a nossa ideia de jogo, tanto é que jogávamos em uma equipe com um sistema, em outra equipe com outro sistema", continuou.

"Foi tudo muito bem programado, planejado e quando percebemos que nas fases decisivas das Copas praticamente se encontrariam no momento de decisão do Brasileirão, tivemos que fazer uma opção. E focamos exclusivamente nas duas competições que eram mais curtas, mata-mata, em que com certeza se preparados, nós teríamos uma possibilidade muito maior do que tirarmos uma diferença considerável de pontos no Brasileiro, que seria quase impossível", continuou.

Dorival disse ter ficado tão surpreso, que já estava até estudando os adversário do rubro-negro no Mundial da Clubes.

" É natural que você crie uma expectativa de permanência. Nós teríamos três ou quatro competições logo no início do ano, onde se lá atrás sentíamos problemas e dificuldades na equipe, nesse momento ao contrário. Senti e sinto uma equipe preparada, com condições de estar fazendo a segunda partida também do Mundial, não só passando pela primeira, mas chegando à decisão novamente e era isso que eu gostaria de dar ao torcedor, que acreditou no nosso trabalho, nos tratou com um carinho especial", explicou Dorival.

"Sou muito sincero, o que eu vivi nesses seis meses no Flamengo, talvez eu não tenha passado na minha vida, mesmo já tendo 13 títulos conquistados e 5 vices. A emoção que foi alcançada com essas duas conquistas, é até difícil mensurar o carinho com que fui recebido e toda essa troca".

Dorival chegou a negociar sua permanência, mas as conversas foram interrompidas depois que tornou-se público o interesse do Flamengo em Vítor Pereira , que foi anunciado como técnico nesta semana .

"Então é normal que você crie a expectativa de uma permanência. A diretoria tomou uma posição, isso eu respeito, não vou ficar aqui criticando a atitude que tiveram. É uma decisão que cada um deve tomar. Elee estão ali para avaliar o melhor para o clube e isso é algo que eu sempre respeitarei. É natural que tenha criado uma expectativa de continuidade, mas muito pelo trabalho que foi desenvolvido, aquilo que foi deixado, pelo ambiente que existia, pela aceitação de todos", explicou.

"Todas as pessoas que estavam envolvidas com futebol sempre se posicionavam nos mostrando que provavelmente aconteceria uma continuidade. O que eu vejo é que talvez nesse momento, nas últimas competições jogadas, o Flamengo chegue numa condição diferente, muito boa, em que podem acreditar, dificilmente deixará de estar na decisão e brigando diretamente pelo título mundial. Eu não tenho dúvidas disso".

"Já estávamos pensando, numa análise geral, de todos os adversários. Retornaríamos agora no dia 14 para reiniciarmos o trabalho e acelerarmos para que quando os jogadores chegassem, nós tivéssemos coisas bem positivas. O futebol, já estamos há algum tempo, eu vejo como uma normalidade. Talvez uma anormalidade pelo momento, mas uma normalidade por tudo que eu já vivi em clubes. Por isso que temos que olhar para frente e buscar o melhor dentro da próxima condição que apareça", finalizou.