Presidente do São Paulo , Julio Casares concedeu entrevista exclusiva à ESPN Brasil e falou sobre alguns dos planos dos clubes que querem criar uma Liga que passe a organizar o Campeonato Brasileiro. O dirigente ressaltou que o movimento não tem lideranças, nem quer romper com a CBF.
Segundo ele, as equipes que hoje estão na Série A estão unidas nesse objetivo - 19 clubes assinaram manifesto lido na terça-feira em reunião na sede da confederação, sendo o Sport a única ausência, por estar momentaneamente sem presidente, após a renúncia de Milton Bivar.
Entre os pontos abordados na entrevista ao SportsCenter , Casares falou de um "compromisso" da Liga com os clubes da Série B, que, segundo ele, terão participação na Liga, com a garantia da manutenção de acessos e descensos que aconteçam dentro de campo para um eventual campeonato organizado pela Liga.
Vale lembrar que equipes como Cruzeiro , Vasco e Botafogo hoje disputam a segunda divisão do campeonato nacional.
"Todos os clubes da Série B estão convidados, temos sinais de adesão muito grande. Vai ser garantido acesso e descenso dentro do campo, isso vai continuar. Isso é compromisso. Quem subir vai para a A, quem cair vai para a B. A Liga não pode ser clube de amigos. Terá estatuto aberto, com participação de todos. E, quem está hoje na B, e amanhã pode não estar, vai participar desse processo de evolução. É compromisso que temos."
Sobre dinheiro de TV, fator que costuma dividir os clubes, Casares deu sua visão do que deve nortear as discussões sobre o assunto: uma parte fixa para clubes que tenham maiores torcidas (incluindo também participação nas redes sociais) e outra variável, por meritocracia, segundo ele.
"Venho do mercado publicitário e sabemos que temos vetores para medir. Não é só tamanho da torcida, não é só audiência... Temos números impressionantes no mercado, através de redes sociais, engajamento, relevância de cada atuação... Tem que ter vetores técnicos para determinar, não só uma parte fixa, mas também a parte de meritocracia. Aquele clube que tem uma torcida menor, menor atuação de engajamento nas redes sociais, mas que tem performance técnica muito boa no campeonato, tem que ser premiado", disse Casares.
"Tem a parte objetiva, fixa que você tem que medir, de tamanho de torcida, redes, mas também a técnica. Se o bolo for grande, todos vão ficar felizes, porque todos terão aumento em suas receitas", completou.
Veja abaixo a carta:
Prezados Senhores,
Por unanimidade dos presentes, 19 (dezenove) Clubes da Série "A" do Futebol Brasileiro - em razção de diversos acontecimentos que vêm se acumulando ao longo dos anos e que revelam um distanciamento total e absoluto entre os anseios dos Clubes que dão suporte ao futebol profissional brasileiro e a forma como que é gerida a CBF -, reunidos nests data, decidiram adotar as postulações e resoluções na forma abaixo elencada:
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- Requerer a imediata alteração estatutária que consagre uma maior participação dos Clubes nas decisões institucionais e na gestão da CBF, admitindo-se os Clubes como filiados dessa entidade;
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- Dentre os itens desta alteração estatutária, necessariamente deve ser incluída a votação igualitária nas eleições para escolha do Presidente e Vice-Presidentes da CBF, sendo certo que Federações e Clubes das Séries "A" e "B" terão seus votos contados de forma unitária e com o mesmo peso entre si;
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- Ainda no que se refere à alteração estatutária, inclui-se o fim dos requisitos mínimos para inscrição das chapas concorrentes à eleição desta entidade, abolindo-se a necessidade de apoio de oito (8) federações e cinco (5) Clubes, permitindo-se o lançamento de chapas que tenham o apoio expresso de, ao menos, 13 eleitores, independente de serem clubes ou federações; e
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- Comunicar a decisão da criação imediata de uma "Liga" de futebol no Brasil, que será fundada com a maior breviedade possível e que passará a organizar e desenvolver economicamente o Campeonato Brasileiro de Futebol. Além dos Clubes signatários, os Clubes da Série "B" serão convidados a integrar a "Liga".
Os Clubes adotarão as medidas efetivas para consumar a sua associação, para, de fora organizada, exercerem administração do futebol brasileiro e do seu calendário.