De Bangu a Independiente: relembre os casos de 'Maracanazzo' do Flamengo

GazetaPress
Barco comemora com companheiros gol do Independiente contra o Flamengo, no Maracanã
Barco comemora com companheiros gol do Independiente contra o Flamengo, no Maracanã

A perda do título da Copa Sul-Americana para o Independiente no Maracanã não foi a primeira vez em que o Flamengo decepcionou dentro do estádio. Em anos anteriores, a equipe já havia chego a decisões dentro de seu domínio, mas não conseguiu se impor e sair com a vitória.

O ESPN.com.br listou outras oportunidades em que o time viveu situação parecida com a da noite da Sul-Americana, onde mesmo com o apoio da torcida em casa, se saiu mal. 

  • 1966 - Flamengo 0x3 Bangu - Campeonato Carioca

Já há algum tempo o Bangu se limita a disputar as divisões inferiores do Rio de Janeiro. Na década de 1960, no entanto, a equipe disputava de igual para igual com os outros grandes no Estadual.

Em 1966, o Carioca era disputado com 12 clubes, sendo que os oito primeiros se classificavam para mais um turno. Quem pontuasse mais, era o campeão.

O Flamengo foi o líder da primeira parte com 19 pontos, seguido justamente pelo Bangu com 18. Os dois voltaram a ser os melhores na fase final e brigaram quase que isolados pelo título.

As duas equipes se enfrentaram no que seria considerado a final da competição. 143 mil pessoas estiveram para ver a decisão do até então campeonato mais importante do país para cada.

A partida é considerada polêmica até hoje. Os flamenguistas reclamam da atuação do árbitro Aírton Vieira de Moraes, o Sansão, e do goleiro Waldomiro, sob a acusação de que estariam vendidos. O Bangu na época era presidido pelo bicheiro Castor de Andrade, responsável por colocar dinheiro na equipe.

Na prática, os alvirrubros dominaram a partida por completo e não deram nenhuma chance ao Flamengo. O jogo ainda ficou marcado pelas brigas dentro de campo envolvendo os jogadores de ambos os times. Ocimar, Aladim e Paulo Borges anotaram e deram o título ao Bangu.

  • 1997 - Flamengo 2x2 Grêmio - Final da Copa do Brasil

Flamengo e Grêmio fizeram a finalíssima da Copa do Brasil de 1997 em meio a momentos opostos.

Os gaúchos vinham de uma década extremamente vitoriosa, ganhando praticamente todos os títulos em que disputaram. Em 1996, se tornaram campeões brasileiros e eram considerados como a melhor equipe do país.

Em contrapartida, o Flamengo buscava se rearrumar após um ano trágico do centenário em 1995. Depois de muito investimento, a equipe fracassou no ano e tinha de retomar o caminho nos campeonatos seguintes.

A trajetória até a final do lado flamenguista envolveu duas goleadas e bater Internacional e Palmeiras em fases subsequentes.

O Grêmio chegava diferente do time que seis meses antes ganhou o campeonato nacional. Felipão foi para o Japão e Evaristo de Macedo foi seu sucessor, e nomes importantes como Adílson Batista e Jardel deixaram o clube.

Na ida, o Flamengo foi ao Olímpico e segurou o empate sem gols, deixando a decisão em aberto para o Maracanã. Já na decisão, João Antônio abriu o placar aos seis, mas Lúcio e Romário viraram e davam o título ao som de Ah, eu sou maluco! de uma efusiva torcida.

Só que restando cinco minutos para o fim, Carlos Miguel marcou o segundo, empatou a partida e deu o título ao Grêmio pelos gols marcados fora de casa. No fim, o grito que ecoou em todo o Maracanã foi dos gremistas: Ah, eu sou gaúcho! 


  • 2004 - Flamengo 0x2 Santo André - Final da Copa do Brasil


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Flamengo perdeu a disputa da final da Copa do Brasil em 2004 para o Santo André
Flamengo perdeu a disputa da final da Copa do Brasil em 2004 para o Santo André

Um ano após o vice-campeonato para o Cruzeiro, o Flamengo estava em mais uma final de Copa do Brasil. E ao contrário do ano anterior, o adversário não era o campeão nacional, mas sim uma equipe da Série B do Brasileiro: o Santo André.

O que seria uma missão fácil, no entanto, se tornou em uma das maiores zebras da história do futebol brasileiro.

O Santo André mostrou já na partida de ida que não iria ser essa moleza imaginada. Depois de Roger abrir o placar, os paulistas viraram a partida com gols de Osmar e Romerito. Athirson empatou na reta final do confronto e impediu a derrota.

Mais de 70 mil torcedores compareceram esperando sair na comemoração da segunda conquista na Copa do Brasil. Porém, Sandro Gaúcho e Élvis trataram de estragar a festa rubro-negra e deram o primeiro título nacional da história do Santo André e silenciaram o Maracanã.

  • 2007 - Flamengo 2x0 Defensor Sporting-URU - Oitavas-de-finais da Copa Libertadores

O Flamengo voltou com tudo para a Libertadores em 2007. Cinco anos sem participar da competição, o início foi dos sonhos para a equipe.

 A campanha dentro de seu grupo foi quase perfeita: apenas um empate contra o Real Potosí-BOL na altitude e cinco vitórias. Além disso, as boas atuações davam as melhores credenciais ao elenco rubro-negro.

Já nas eliminatórias, tinha pela frente um Defensor Sporting que havia sido irregular dentro do grupo do Santos. A classificação veio apenas no saldo de gols e perdeu metade dos confrontos disputados.

Por isso, o favoritismo era todo do Flamengo, que viajou ao Uruguai pensando já na vitória. Só que todos os prognósticos caíram por terra dentro do gigante Centenário.

Sem dar qualquer tipo de chance, o Defensor bateu por 3 a 0 um Flamengo praticamente irreconhecível, totalmente diferente das apresentações anteriores na competição.

Na volta, a única alternativa era partir pra cima e reverter a goleada sofrida longe de casa. Renato Augusto dava um início de esperança marcando no fim do primeiro tempo, e Renato Abreu mostrava que podia ser possível com um golaço com apenas dois minutos da segunda etapa.

A pressão foi grande por mais um gol que ao menos levaria a disputa aos pênaltis, mas o Defensor se segurou bem até o final. Apesar da vitória por 2 a 0. o Flamengo saiu desclassificado do Maracanã.

  • 2008 - Flamengo 0x3 América-MEX - Oitavas-de-finais da Copa Libertadores
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Cabañas foi o carrasco e eliminou o Flamengo em pleno Maracanã em 2008
Cabañas foi o carrasco e eliminou o Flamengo em pleno Maracanã em 2008

A chance da redenção do ano anterior veio na mesma fase e com uma situação ainda mais favorável.

Assim como em 2007, o Flamengo fez uma ótima campanha na fase de grupos com apenas uma derrota e a segunda melhor campanha geral. Mas ao contrário do que havia ocorrido, a equipe ganhou bem fora de casa e logo de cara encaminhava a classificação: vitória contundente por 4 a 2 em pleno estádio Azteca e a quase certeza da passagem para as quartas-de-finais.

A partida de volta contou com um Maracanã lotado para festejar a classificação e se despedir do então técnico Joel Santana, acertado com a seleção da África do Sul.

Mas dentro de campo, todo o clima de oba-oba feito desde o início se transformou em tragédia. Apático, o Flamengo foi engolido já no primeiro tempo por seu adversário e com um algoz em especial.

Cabañas logo mostrava ao que veio quando acertou um belo chute encobrindo Bruno e marcou o primeiro gol. Esqueda aproveitou ótimo contra-ataque e igualava a desvantagem antes do intervalo.

Graças a quantidade de gols marcados fora, os mexicanos ainda precisavam marcar mais uma vez para conseguir o milagre. E conseguiram. Em cobrança de falta desviada, Cabañas enterrou o sonho rubro-negro na Libertadores e garantiu a segunda eliminação consecutiva da equipe na fase eliminatória.

  • 2014 - Flamengo 2x3 León-MEX - Fase de grupos da Copa Libertadores
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León foi outro time mexicano a eliminar o Flamengo da Libertadores no Maracanã
León foi outro time mexicano a eliminar o Flamengo da Libertadores no Maracanã

A conquista da Copa do Brasil em 2013 devolvia a chance do Flamengo de sonhar novamente com a Copa Libertadores. Vindo do título nacional, fechava com chave de ouro o primeiro ano da administração Eduardo Bandeira de Mello à frente do Flamengo. Por isso, a expectativa de uma boa campanha na Libertadores do ano seguinte era alta e empolgava a torcida rubro-negra.

Em um grupo com Bolívar-BOL, Emelec-EQU e León-MÉX, a equipe era considerada a favorita para avançar. Mas dentro de campo a realidade foi outra.

O Flamengo sofreu com as oscilações logo na fase de grupos. Com duas vitórias, um empate e duas derrotas, o time dirigido por Jayme de Oliveira chegava com a obrigação de uma vitória no que seria um confronto direto pela vaga nas oitavas diante do León.

A torcida mais uma vez fez a sua parte enchendo o Maracanã com mais de 60 mil pessoas, mas viu um cenário parecido com o de seis anteriores. Mais um time mexicano chegava ao estádio e barrava o sonho rubro-negro.

O empate em 2 a 2 já não servia ao Flamengo que precisava da vitória para avançar, quando Boselli no fim do segundo tempo pôs mais um fim definitivo na passagem do Flamengo na Libertadores. Seria a quarta eliminação do clube na fase da competição.


  • 2017 - Flamengo 1x1 Independiente-ARG - Final da Copa Sul-Americana
Getty
Jogadores do Independiente comemoram o título da Copa Sul-Americana de 2017
Jogadores do Independiente comemoram o título da Copa Sul-Americana de 2017

Flamengo entrou em 2017 como um dos protagonistas do futebol brasileiro. Com poder financeiro e uma equipe reforçada, tinha o objetivo de disputar o título de tudo que disputasse no ano.

A desclassificação logo na fase de grupos da Libertadores, se representava um fracasso na competição, ao menos dava direito de disputar a Copa Sul-Americana.

Sem chances no Brasileiro, o Flamengo viu nas copas como a principal oportunidade de levantar uma taça no ano. Na Copa do Brasil foi parado nos pênaltis pelo Cruzeiro no Mineirão e ficou com o vice.

As atenções se viraram para a Copa Sul-Americana. Pela frente, bateu a Chapecoense e o rival Fluminense nas oitavas e quartas, respectivamente. Mesmo longe de casa, garantiu a passagem à final após uma vitória contundente contra o Junior Barranquilla-COL. Era a primeira decisão de uma competição continental desde a Mercosul de 1999.

A derrota fora de casa de virada por 2 a 1 não abalou em nada a confiança dos flamenguistas que explodiram quando Lucas Paquetá abriu o placar aos 29 minutos da primeira etapa.

O baque, no entanto, veio dez minutos depois. Pênalti polêmico marcado e o jovem Barco deixava tudo igual, marcando o que seria o bi-campeonato do Independiente na competição e o segundo vice do Flamengo no ano.

Fonte: Espn