O caso de racismo sofrido por Vinicius Junior em uma partida da Champions League gerou grande repercussão no mundo do futebol. Danilo, zagueiro do Flamengo, utilizou suas redes sociais para compartilhar uma declaração antiga sobre a importância da escuta e empatia em relação ao sofrimento de negros, em resposta a comentários do técnico Filipe Luís que minimizou a denúncia do atleta do Real Madrid.
Em sua postagem, Danilo resgatou uma fala feita em março de 2023, onde enfatizava que "as pessoas brancas precisam escutar". Ele destacou a diferença entre ouvir e escutar e a necessidade de empatia para reconhecer o sofrimento alheio. "Primeiro, elas precisam escutar e apoiar essas pessoas. Depois, precisam tentar aprender a não fazer julgamentos", afirmou o defensor.
A repercussão se intensificou após o episódio em que Vinicius denunciou ter sido chamado de "mono" (macaco, em espanhol) pelo argentino Gianluca Prestianni durante a partida entre Real Madrid e Benfica. A denúncia foi feita logo após o jogador marcar um gol e comemorar próximo à torcida portuguesa, o que gerou confusão e resultou em um cartão amarelo.
O árbitro da partida acionou o protocolo de racismo, paralisando o jogo por cerca de dez minutos diante da situação. Apesar da gravidade do ocorrido, Filipe Luís, em coletiva após a derrota do Flamengo para o Lanús na Recopa Sul-Americana, se referiu ao incidente como um "caso isolado". Ele ressaltou que sua experiência na Argentina sempre foi positiva e que isso não mudaria sua percepção sobre o país.
"Sobre isso, sempre fui muito bem tratado, a Argentina me encanta. Sou muito feliz aqui, muito bem recebido. Um caso isolado como esse não influencia em nada do que penso sobre este país, que é tão lindo", disse Filipe Luís.
Além disso, ele acrescentou que a situação é complexa, ressaltando que se trata da palavra de um contra a do outro.
As declarações de Danilo ecoaram entre a torcida do Flamengo e também entre funcionários do clube, que manifestaram apoio às suas palavras. A discussão sobre racismo no futebol segue sendo um tema delicado, e a necessidade de se ouvir e compreender as vivências de pessoas negras é cada vez mais reconhecida como essencial para a construção de um ambiente mais justo e respeitoso no esporte.