Da profecia pelo “avión” Rodinei ao peixinho de Filipe Luís: o título do Flamengo dentro de campo

A faixa em um primeiro momento tinha cara de brincadeira: “Dá no avión” . Mal sabia que se tratava de uma profecia. Em uma partida com roteiro improvável de um Corinthians com maior volume de jogo, acompanhar a final da Copa do Brasil de dentro do campo foi uma oportunidade de se apegar aos detalhes, como o carinho ao herói Rodinei e o peixinho solitário de Filipe Luís .

Acompanhar o jogo ali de tão perto foi uma mistura de realização e desafio. Como contar uma história diferente da que milhões de torcedores estão vendo diante da televisão? O novo está nos detalhes, e isso passa pelo balé de Arrascaeta enquanto teve pernas, o duelo Gil x Pedro e o semblante de desespero de Mateus Vital ao ver a bola ultrapassar o travessão de Santos e voar para o setor Sul da arquibancada.

Por ali, por sinal, foi onde a live do GE ficou posicionada e foi possível registrar características marcantes dos torcedores. De um lado, rubro-negros que realizavam o sonho do Maracanã. Não é exagero dizer que os 27 estados brasileiros estavam representados ali. Do outro, a fanática Fiel corintiana que obrigava o rival a cantar para amenizar uma gritaria quase incessante.

Ali, logo atrás do gol defendido por Cássio, estava André. A cegueira não o impede de ir ao Maracanã e contar com o auxílio dos que sentam próximo para narrar o jogo. Curioso é que em muitos momentos era ele quem puxava os amigos na cantoria antes de a bola rolar.

Por ali também estava a bandeira com cara de profecia: “Dá no Avión”. A caricatura de Rodinei seria facilmente confundida com Paolo Guerrero, mas o contexto do apelido dado por Arturo Vidal deixam claro para quem era a homenagem.

Bandeira em homenagem a Rodinei na final da Copa do Brasil — Foto: Cahê Mota / ge
1 de 2 Bandeira em homenagem a Rodinei na final da Copa do Brasil — Foto: Cahê Mota / ge

Bandeira em homenagem a Rodinei na final da Copa do Brasil — Foto: Cahê Mota / ge

Com bola rolando, a opção natural foi ficar atrás do gol de Cássio nos dois tempos. Nada mais óbvio do que o jogo transcorrer por ali. Certo? Errado. A maior parte dos 90 minutos foi vendo à distância um ataque corintiano que surpreendeu e calou na maior parte do tempo o Maracanã.

As investidas rubro-negras, por sua vez, foram suficientes para indicar narrativas que ajudam a explicar os rumos da final. Logo a 1min30s, Fábio Santos chamou por Gil e disse: “Cola no Pedro!”. O zagueiro fez sinal de positivo com a cabeça, mas não esperava o fator Arrascaeta.

Ali na beira do campo chama a atenção a forma como o uruguaio se movimenta e tira a zaga adversária da zona de conforto. Por mais que pareça “lento”, posso afirmar: é ele quem mais vai de um lado para o outro incomodando a defesa. E foi assim que tirou Gil de perto de Pedro.

Visão do Maracanã perto do gol de Cássio na final da Copa do Brasil — Foto: Cahê Mota / ge
2 de 2 Visão do Maracanã perto do gol de Cássio na final da Copa do Brasil — Foto: Cahê Mota / ge

Visão do Maracanã perto do gol de Cássio na final da Copa do Brasil — Foto: Cahê Mota / ge

A movimentação nas costas de um espaço deixado por Fagner fez com que o zagueiro o acompanhasse. O resultado foi o passe açucarado para Ribeiro servir Pedro no vazio: 1 a 0 Flamengo . Deu para ver ainda a cobrança de Renato Augusto, Fausto Vera e Du Queiroz, enquanto Gil sinalizava e explicava o motivo de ter saído do centroavante.

A mobilidade do Flamengo ainda me permitiu registrar os gols anulados de Arrascaeta e Ribeiro, a orientação de Renato Augusto para Lucas Piton tocar mais de primeira e os pedidos para que Cássio saísse jogando com ele no duelo com Rodinei. Mas é difícil trazer detalhes e curiosidades em um jogo onde dois terços aconteceram do outro lado do campo - mérito para o Corinthians.

Na cobrança de pênaltis, a tensão constante gerou tentativas de provocação. Foi assim com Cássio e David Luiz, com David Luiz e Renato Augusto, mas o que mais chamou a atenção foi a frieza e capacidade de concentração de cada um até o chute para fora de Vital.

Assim que a bola voou, a feição do menino foi de desespero. Impossível não sentir empatia! A caminhada até Cássio foi quase uma súplica por defesa, mas não foi só ele que perdeu e o gol do título de Rodinei abriu espaço para o alívio daquele que parou no goleiro corintiano: Cássio.

À medida que Rodinei e a maioria dos companheiros corria em direção ao setor Norte para comemorar, Filipe Luís corria na direção contrária, rascunhava um peixinho e desabava. Festa, alegria, um pouco de alívio. O Flamengo era campeão da Copa do Brasil.

Em uma final onde a tensão praticamente travou mais de 60 mil presentes, os detalhes chamam a atenção. Foi o tetra da profecia de Rodinei e do peixinho de Filipe Luís.

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Fonte: Globo Esporte