A Comissão Parlamentar de Inquéritos (CPI) concluiu nesta quarta-feira (17) o relatório para apuarar incêndios que aconteceram no Rio de Janeiro nos últimos 10 anos. Ao todo, foi pedido ao Ministério Público o indiciamento de 19 pessoas, nove delas pela tragédia no Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo , em fevereiro de 2019. A informação foi divulgada pelo Ge .
Diferentemente de janeiro, quando o Ministério Público denunciou 11 pessoas por incêndio culposo, a CPI indiciou nove pessoas e, agora, por homicídio culposo. Dessa vez, Eduardo Bandeira de Mello, ex-presidente do Flamengo, e o monitor Marcus Vinícius Medeiros não estavam presentes.
Com isso, com a passagem de incêndio para homicídio culposo, os réus passam a ir a júri popular e podem ter possíveis penas maiores.
Veja quem são os indiciados pela CPI:
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Márcio Garotti - ex-diretor financeiro do Flamengo
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Carlos Noval - ex-diretor da base do Flamengo, atual gerente de transição do clube
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Marcelo Sá - engenheiro do Flamengo
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Luiz Felipe Pondé - engenheiro do Flamengo
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Claudia Pereira Rodrigues - NHJ (fornecedora dos contêineres)
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Weslley Gimenes - NHJ
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Danilo da Silva Duarte - NHJ
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Fabio Hilário da Silva - NHJ
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Edson Colman da Silva - técnico em refrigeração
Sobre a negociação com as famílias, que começou na gestão de Rodolfo Landim, presidente que assumiu após Eduardo Bandeira de Mello, o relatório aponta 'falta de humanidade'.
"Por fim, não se pode olvidar que a atual do gestão não se preocupou em averiguar o atual estado do CT, visto que quando se “chega numa nova casa” verifica-se se a mesma está dentro dos padrões de segurança, conforme legislação vigente. O Sr. Luiz Rodolfo Landim nitidamente se autopromoveu com a inauguração do novo CT, em um nítido “jogo de marketing”.
Salienta-se ainda a ausência de manifestação positiva para negociar com as famílias que perderam seus entes queridos, o que revela uma certa falta de humanidade. Com a crise advinda com o trágico acidente, o atual Presidente do Flamengo, conforme relatado pelo Sr. Rodrigo Dunshee (vice-geral e vice-jurídico do Flamengo) , assim afirmou:
“O SR. RODRIGO DUNSHEE – Quando aconteceu essa tragédia, o Landim chamou todo mundo. Ele tem experiência nessa questão de gestão de crise, porque já passou por uma crise na Petrobras. E aí ele disse: “olha, prioridade – prioridade - do que a gente tem que ter”, aí colocou um Grupo de Trabalho, “a prioridade são as famílias”."
Sobre o ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello, o relatório exime o ex-dirigente de culpa no incêndio. Veja abaixo:
"Quanto ao ex-presidente Bandeira de Mello, importante se faz destacar alguns pontos. À época dos fatos este não era mais Presidente do Clube, não havendo indícios de que qualquer ato seu tenha contribuído para o trágico evento. Inclusive, não se pode perder de vista que o Clube de Regatas do Flamengo é uma empresa gigante, que possui em sua organização diversos cargos, sendo que cada qual desempenha um papel decisivo; pois se assim não o fosse, seria impossível gerir tal empresa"
Sobre o monitor Marcus Vinícius Medeiros, o relatório afirma que o mesmo não encontrava-se presente no momento do incêndio. No entanto, afirma que estar presente no local no momento da tragédia não seria determinante. Veja abaixo:
"Quanto aos monitores que tinham funções de controle, educacionais e de guarda dos atletas de base, dos depoimentos prestados, conclui-se que era obrigação dos monitores ficar dentro dos contêineres na área de convivência, acordado, em vigilância, só sendo autorizada a saída, para ir na casa em frente, onde ficavam também alguns atletas.
Infelizmente o monitor responsável daquele dia, Marcus Vinicius Medeiros, não estava presente na hora do incêndio, ficando comprovado que só chegou depois que o segurança já tentava controlar o incêndio. No entanto, não se pode imputar qualquer responsabilidade ao mesmo, visto que estar no local no momento exato do incêndio não foi determinante para o evento trágico. De toda sorte, o monitor em comento colocou sua vida em risco para salvar alguns jovens."