Cinco gafes mais comuns que brasileiros cometem no exterior

Depois de dois anos de pandemia, combinados à altíssima do dólar, temo que o mundo pode estar correndo o risco de perder um de seus maiores patrimônios culturais: o brasileiro no exterior. Realmente me preocupa pensar como esse hiato de viagens internacionais pode ser catastrófico para as próximas gerações de brasileiros, que não conhecem as regras oficiais de como se portar fora do Brasil.

Pensando na perpetuação da nossa identidade turística, reuni aqui um pequeno guia listando as gafes fundamentais que turistas tupiniquins costumam cometer quando viajam ao exterior — lembrando que a tradição brasileira é clara ao definir "exterior" como qualquer lugar fora do Brasil em que não se fale espanhol. Então vamos às gafes, sim?

1 - NÃO TIRAR FOTO DA PASSAGEM DENTRO DO PASSAPORTE
Como todo brasileiro viajado bem sabe, não é permitido sequer adentrar o salão de embarque sem que você tenha postado pelo menos uma foto em alguma rede social sinalizando que você está prestes a viajar. O combo clássico "passagem + passaporte" é sempre encorajado, mas também são aceitas variações como "pernas pra cima do carrinho de malas enquanto espera o voo" ou "olha ali o avião no gate esperando o embarque". MUITO IMPORTANTE: Essas fotos devem ser tiradas sempre em primeira pessoa, sem que você jamais apareça nelas por inteiro. Se possível, sequer revele o destino. Suspense é muito importante nesta etapa.

2 - NÃO TIRAR FOTOS COM PRODUTOS DE SUPERMERCADO
É muito importante que o turista brasileiro tire algum dia de sua viagem para visitar o supermercado — farmácia também serve — e registrar para a posteridade as embalagens que ele achar mais dignas de nota. Bons exemplos são produtos conhecidos mas em tamanhos desconhecidos, como um Doritos do tamanho de um filhote de foca, ou então KitKats — só que redondos. Caso esteja visitando um país que se utilize de um alfabeto diferente do nosso romano, a foto de uma Coca-Cola deve bastar.

3 - NÃO LEVAR UMA CAMISA DO FLAMENGO
Ou do Palmeiras. Ou do Vitória. O importante é saber que enquanto você estiver fora do país, você não é apenas um turista, mas é também um embaixador de qualquer time pelo qual você torça, então a sua missão é a encabeçar essa frente e expor diariamente as cores da sua camisa para o máximo de pessoas descontextualizadas, que não poderiam se importar menos com o significado delas.

4 - NÃO FALAR MAL DE BRASILEIROS NA FRENTE DE BRASILEIROS
Essa regra é um desdobramento de uma regra tão bem estabelecida que não precisaria sequer integrar o manual, mas aqui nós a lembramos para que possamos transcendê-la: brasileiro no exterior deve sempre usar o português para falar mal de pessoas próximas que não entendam português. Bem básico, certo? No entanto, o ciclo só se fecha genuinamente quando o brasileiro pega confiança e não percebe que aquele sujeito que ele chamou desnecessariamente de fedido é também brasileiro, e agora um inimigo.

5 - SAIR ALGUM DIA SEM DOLEIRA
É dever do brasileiro se proteger de todas as formas cabíveis para que ele não corra o risco de sofrer nenhum tipo de perda ou roubo enquanto fora do Brasil. Esta regra é importantíssima, porque toda e qualquer identidade brasileira se torna completamente fragilizada quando um brasileiro sai do Brasil e é roubado no exterior. Esta pessoa se veria então obrigada a ter que repetir pelas próximas 100 interações a seguinte frase: "e eu que saí do Brasil pra ser roubada no ________ (insira o país) ?????". A doleira reduz esse risco terrível de desmoralização.

E este é apenas um recorte dos possíveis constrangimentos aos quais os brasileiros que voltaram a viajar ao exterior estão expostos. Voltaremos qualquer dia com mais detalhes acerca da maneira correta de se relacionar com um frigobar de hotel.

*Gabriela Niskier é roteirista do Porta dos Fundos. No Instagram, @gabrielaniskier

Imagem: Reprodução

Fonte: Uol
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