Os 12,5 mil ingressos destinados à torcida do Flamengo para a final da Libertadores já estão sendo retirados na Gávea. Nas filas criadas da sede, quem exibia o bilhete em mãos não escondia a emoção. Entre olhos marejados e abraços acalorados, famosos e anônimos relatavam as loucuras que farão para chegar em Lima, no Peru, em 23 de novembro.
— A minha será parar tudo no trabalho e correr para lá. Consegui folga, voo, está tudo certo. Vou com um monte de amigos, que foram conseguindo as passagens. Fizemos até um grupo [no WhatsApp] — conta o ator e humorista Marcius Melhem.
Lima está a 4.846 km do Rio e isso cobra seu preço. No caso do advogado Ygor Pereira, de 27 anos, quase causou um problema em seu relacionamento por não conseguir levar a esposa junto. Ela não conseguiu folgar e não estará presente na decisão.
— Vou sozinho e ficar uma semana por lá. Minha esposa está bem chateada, mas é o Flamengo na final da Libertadores, não tem jeito — conta Ygor.
Já Victor Mansur, de 37 anos, foi afetado pela crise que toma conta do Brasil e acabou demitido antes da decisão. Mas ele não poupará dinheiro. Pelo contrário, gastará toda a rescisão com a viagem para Lima. Seu foco agora é o Flamengo.
— Como mais um brasileiro, fui demitido, peguei o FGTS e gastei tudo na viagem. Não tenho nem estadia para ficar lá ainda. Chego no dia 18, volto no dia 28 e ainda tenho que resolver isso. Já tive três reservas canceladas. Se tudo de errado, eu alugo um carro para ficar nele ou durmo na rua mesmo.
O administrador Marcos Carvalho, 37, enfrentará uma maratona. Na ida, irá para Guarulhos (SP) e Montevidéu, no Uruguai, antes de chegar em Lima. Na volta, passará por La Paz, na Bolívia, e Santiago, no Chile, antes de retornar ao Brasil.
— Vai ser uma grande complicação, um pinga pinga. Ficarei quase três dias em avisões. Saio dia 20, às 17h e chego lá no dia 22, às 22h — relata.
Enquanto isso, o comerciante Rodrigo de Alencar, de 34 anos, foi um dos mais emocionados. Beijando o escudo do Flamengo e o ingresso, disse ainda não acreditar no que está vivendo por ser “pessimista demais” em Libertadores.
— Nunca pensei que o Flamengo chegaria em uma final. É um time nacional e sempre passou vergonha no torneio. Quando perdeu para o Emelec [na ida das oitavas de final], falei que a eliminação ia acontecer. Vou pegar um ônibus para São Paulo e depois vou de avião para La Paz [na Bolívia]. Minha esposa reclamou muito comigo — conta.