O Atlético-GO viveu na última quarta-feira (23) mais um momento importante em sua história. Ainda perseguindo o sonho do primeiro título nacional na elite brasileira, o Dragão garantiu pela quinta vez uma vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil após vencer o Fluminense por 3 a 1, em Goiânia. O triunfo no Estádio Olímpico foi o terceiro contra equipes do Rio de Janeiro desde a retomada do futebol no Brasil, após a paralisação pela pandemia de COVID-19.
E neste domingo (27), novamente na capital de Goiás, mas agora pelo Campeonato Brasileiro , o time enfrenta o Botafogo e pode ampliar seu retrospecto contra os gigantes da Cidade Maravilhosa após já ter vencido Fluminense, Flamengo e Vasco. Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br , Dudu, um dos destaques da equipe na temporada, brincou com o bom histórico recente contra rivais cariocas. Para o lateral-direito, as vitórias contra três dos maiores times do Rio de Janeiro foram "uma circunstância".
“A gente tenta entrar com o mesmo espírito todo jogo. Acaba que por circunstâncias a gente venceu os jogos contra os cariocas, empatamos uma e perdemos outra para o Fluminense. Contra times cariocas, nós conseguimos os resultados e fica assim. Mas nós não conversamos [sobre isso]. Tentamos entrar a mesma garra e espirito todo jogo”, disse Dudu, que tem seus direitos pertencentes ao Internacional e admitiu esperar 'fazer a quadra' contra times do Rio de Janeiro diante o Botafogo.
“Tomara que sim [risos]. Vamos fazer de tudo para isso acontecer. Precisamos nos recuperar no campeonato, vínhamos de dois bons resultados fora perdemos para o Atlético-MG em casa, então, precisamos muito dessa vitória contra o Botafogo para subir cada vez mais e conquistar coisas grandes no campeonato”, afirmou.
E foi justamente contra uma equipe do Rio de Janeiro que o Atlético-GO surpreendeu a todos no Campeonato Brasileiro. Diante do badalado elenco do Flamengo, detentor do status de atual campeão nacional e da América, o Dragão se valeu do 'fator casa' ainda na segunda rodada para passar por cima do rival e vencer por 3 a 0.
“A gente estava muito confiante de que poderia fazer um bom jogo, mas nem o mais otimista torcedor do Atlético esperava aquilo. Tínhamos confiança de que poderíamos entrar confiantes, brigando por cada bola, e que se fizéssemos isso, poderíamos ter o resultado positivo. Dentro de campo era um dando força para o outro até o final. Sabíamos que se o Flamengo fizesse um gol iria crescer no jogo. Tínhamos que ser extremamente equilibrados durante o jogo todo”, disse Dudu, revelando a sensação de que os jogadores da equipe da Gávea foram surpreendidos pela intensidade rival.
“Acho que o Flamengo não esperava que fôssemos tão agressivos, tanto na marcação quanto no contra-ataque. Talvez acharam que íamos ficar só defendendo e não íamos contra-atacar. Mas o Mancini conseguiu montar um esquema tático excelente naquele jogo, como está fazendo em todos”, detalhou.
O 'fator Mancini'
Um dos 'pontos de virada' do Atlético-GO em 2020 foi a chegada de Vagner Mancini. O treinador, que estreou no comando do Dragão justamente na vitória contra o Flamengo, atravessou um momento turbulento logo em sua chegada, quando viu uma sequência de quatro derrotas seguidas quase colocarem em risco seu emprego. O empate em 1 a 1 diante do Fluminense, no Maracanã, estancou a sangria do time. Desde então, o clube goiano acumula uma série de mais três vitórias, um empate e duas derrotas.
“O Mancini deu uma cara para o nosso time, todo mundo sabe o que fazer. É muito sincronizado dentro do campo. E quem entra do banco sabe o que tem que fazer. O Vagner Mancini entra no momento da confiança dos jogadores. Nas derrotas ele tenta motivar, sabendo que podemos dar mais. E isso foi mostrado já, ou não teríamos vencido aquele jogo contra o Flamengo e ter vendido tão cara essa derrota para o Atlético-MG. O Vagner entra também com parte tática dele, que é muito boa, a visão dele. E com feeling de dar uma confiança a mais para o jogador.”
Na 14ª colocação, o Atlético-GO enfrenta o Botafogo num jogo-chave para se afastar da zona de rebaixamento do Brasileirão. Com 12 pontos, o Dragão tem dois a mais do que o Glorioso de General Severiano, 18º na tabela, dentro da zona da 'degola'. Para Dudu, as partidas de destaque contra equipes consideradas favoritas podem até mudar o patamar do Dragão, mas não podem influenciar na postura do time em campo.
“Nosso time está ganhando corpo, confiança. Os adversários podem vir de uma outra maneira contra a gente. Mas nosso espirito, nossa cara, nunca vai mudar. Nosso time começou desse jeito. Teve resultados negativos e positivos, o que é normal nessas competições, mas não vamos mudar nosso jeito de jogar, entrar de outra maneira”, afirmou Dudu, que não fechou as portas a grandes objetivos do Atlético-GO para esta temporada, mas deixou claro a prioridade do Dragão: se manter na Série A.
“A gente tem que pensar jogo a jogo. É um campeonato muito longo, nossa primeira pretensão é não rebaixar. É um time que está vindo de um ano na segunda divisão. Mas a cada jogo nós temos que somar pontos, tanto dentro quanto fora de casa, para no final do campeonato a gente se sair bem-sucedido. Na Copa do Brasil também é pensar jogo a jogo. São 180 minutos. Não adianta ir de qualquer jeito no primeiro jogo e ir morto para o segundo. Temos que ter cabeça fria, sermos bem calculistas. São duas competições totalmente diferentes, mas que valem nossa vida”, disse.