O Flamengo empatou com o Cruzeiro no Maracanã jogando um jogo que parece ter virado rotina: um primeiro tempo regular, com sinais de domínio, mas um segundo tempo com queda de rendimento, sobretudo físico, que faz o resultado positivo escapar.
A verdade é que um apagão no sistema defensivo fez o Flamengo praticamente começar o jogo perdendo. O Cruzeiro trabalhou a bola por todos os setores do campo até cair nos pés de Marlon, que aproveitou o mau posicionamento de Wesley, e marcou um golaço logo aos cinco minutos.
O Rubro-Negro precisou correr atrás do resultado e implementou um ritmo leve para controlar a partida. Terminou os 45 minutos iniciais com 66% de posse de bola e oito finalizações, sendo apenas uma para o gol. Aproveitando os erros de bola do Cruzeiro, seja na saída ou já no meio, o Flamengo recuperou algumas bolsa e criou jogadas, sobretudo pelo lado direito.
Pedro Leandro Castan Flamengo x Cruzeiro Campeonato Brasileiro — Foto: André Durão
O gol, porém, acontece somente aos 33 minutos em uma jogada trabalhada pelo lado direito. Wesley acertou o lance, se livrou do marcador, seguiu para linha de fundo e cruzou para Ayrton Lucas, sozinho, empurrar para o fundo da rede.
Os jogadores do Flamengo pareciam incomodados com o placar e foram rápidos na comemoração, já agilizando o início da partida. A arquibancada seguia o mesmo ritmo, pouco antes do gol era possível ouvir protestos, que foram calados por segundos de comemoração, antes que a música em protesto ecoasse novamente.
No intervalo, tudo igual. O Flamengo volta para o segundo tempo com a mesma formação - lembrando que Léo Pereira saiu para entrada de David Luiz aos 38 do primeiro tempo. Sampaoli mexeu só aos 17, quando Cebolinha entrou no França e o Victor Hugo no Thiago Maia, que saiu muito vaiado pela torcida.
" Sem dúvida o time hoje no segundo tempo teve lapsos de verticalidade, mas no ritmo do Cruzeiro podia ter perdido. Mas no primeiro tempo não, foi todo do Flamengo . Não pôde transformar em vitória tanto domínio, depois se complica", disse Sampaoli em coletiva.
A atuação, porém, passou longe de ser parecida com a do primeiro tempo. Apesar dos números melhores, foram 68% de posse e 14 finalizações - sendo duas no gol -, a intensidade do time diminuiu e a parte física parece ter dado sinais, assim como lembrou Sampaoli em coletiva logo após a partida.
- Para mim o futebol é global, é um todo. Penso que o time quando acelera muito o jogo e não ataca bem, o rival transita muito. No segundo tempo, falhou um pouco o jogo porque hove muitas transições do Cruzeiro, o que não teve no primeiro tempo, o time não sofreu. No segundo tentou ir com muita sede ao pote, mas sem muito critério, o que gerava espaços ao rival. Quando o time joga bem ele se planta no campo rival, troca muitos passes e é muito perigoso, acelera muito os ataques. Se fica em transição complica o time.
Jorge Sampaoli, técnico do Flamengo — Foto: André Durão
Sampaoli também fez questão de lembrar a viagem para o Chile, que fez o time ter apenas um treinamento para enfrentar o Cruzeiro, ou seja, o nível de desgaste era considerado alto para esta partida. O jogo com o Cruzeiro não pôde acontecer no domingo devido a partida do Botafogo.
Mesmo com a queda de rendimento, o Flamengo encerrou a partida com 22 finalizações, mas com apenas duas sendo na direção do gol. Se mostra um time que até arrisca, mas sofre sem a presença dos homens de criação: Arrascaeta e Everton Ribeiro, e não consegue definir o jogo.
Agora, são quatro dias até a próxima partida e Sampaoli tem tempo para recuperar a parte física e encontrar a 'contundência' que tanto procura desde a coletiva de apresentação. O adversário da vez é o Fluminense, aquele que o Flamengo sob o comando do argentino talvez tenha feito a sua melhor partida - mas também sofreu com uma queda de rendimento no segundo tempo.
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