Treinador da seleção da Nigéria, José Peseiro contou como foi o impacto de Luiz Felipe Scolari no futebol e no sentimento de autoestima do povo português

Flamengo e Athletico-PR disputarão neste sábado (29), em Guayaquil, o título da Conmebol Libertadores . O confronto terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ a partir das 17h (de Brasília).

Mesmo com a indefinição de quem será o campeão, uma certeza está clara para todos: o troféu voltará a ser erguido por um treinador brasileiro após três temporadas em 'mãos portuguesas' com Jorge Jesus (2019) e Abel Ferreira (2020 e 2021).

Ainda que um europeu não esteja novamente na disputa em 2022, há grande possibilidade de que os corações em Portugal estejam com o Furacão. O motivo? Felipão .

Treinador da seleção portuguesa entre 2003 e 2008, o gaúcho comandou a equipe em duas campanhas históricas: a da Eurocopa de 2004, quando ficou com o vice-campeonato, e da Copa do Mundo de 2006, levando Portugal à semifinal pela primeira vez desde 1966. A passagem do técnico no país, inclusive, é apontada como um ponto de virada na retomada do orgulho popular pelo esquadrão nacional.

“O nosso futebol evoluiu muito também quando tivemos brasileiros treinando em Portugal. Chegamos a ter oito ou nove na Primeira Liga, grandes treinadores. O último grande treinador que nós tivemos por aqui foi o Felipão. O trabalho que ele fez em Portugal, no lado emocional, foi tremendo”, disse à ESPN o português José Peseiro, que comanda atualmente a seleção da Nigéria e acumula passagem como auxiliar técnico pelo Real Madrid dos ‘galácticos’, no início dos anos 2000.

“Dos melhores que vi na nossa seleção. A ponto de fazer Portugal colocar uma bandeira na janela quando ia ver a seleção”.

Na visão do treinador, a passagem de Scolari por Portugal mudou o patamar de como o país se relacionava com a própria seleção. Mesmo com uma geração de bons resultados na base, o país não correspondia neste nível desde a lenda Eusébio. Foi com o ídolo do Benfica em campo que os portugueses chegaram à semifinal do Mundial de 1966, na melhor campanha antes da passagem do treinador brasileiro.

“Conheci o Felipão quando estava no Nacional da Ilha de Madeira, tenho boa relação com ele. Um treinador tremendo, que não ganhou em Portugal, mas esteve muito próximo. O Scolari, naquela época, lidou muito com essa ‘ilusão’, mexeu emocionalmente com o povo português, deu um passo muito grande em frente para todos nós sentirmos a seleção como sentimos. E para acreditarmos que poderíamos ser campeões”.

“É verdade que agora temos uma qualidade de jogadores tremenda e que jogam nos melhores clubes do mundo, mas essas coisinhas menores, como trabalhar essa autoestima, vieram na Eurocopa graças ao Scolari”.

A partida em Guayaquil ainda terá um outro sabor para o treinador. Campeão da Libertadores por Grêmio (1995) e Palmeiras (1999), o gaúcho tem mantido em aberto a possibilidade de deixar a carreira de técnico ao fim do ano. Foi isso o que o próprio Felipão admitiu ainda em agosto, após a classificação heroica à semifinal conquistada diante do Estudiantes -ARG, fora de casa.

“Ele vai mesmo aposentar? Ele ainda está bem”, brincou Peseiro à ESPN quando informado a respeito da possibilidade.

Mas é melhor aposentar quando está no topo do que depois daquele Mundial menos feliz para o Brasil [7 a 1 contra a Alemanha, em 2014]. O Athletico joga bem, é uma equipe muito consistente. Mas o futebol é tão envolvente que não estamos vivendo a vida. Talvez o Scolari percebeu que precisa viver a vida”, pensou o português.

“Não é fácil. Ser treinador de futebol, estar envolvido todos os dias com a pressão, o estresse... o treinador perde ou ganha e no dia seguinte quer pensar o jogo, que estudar o adversário. Muitas vezes os treinadores saem e voltam, não conseguem ficar sem. É como uma ‘droga boa’. Talvez tenha chegado à conclusão que precisa viver um pouco a vida. Se é o momento dele, não sou contra. Mas evidentemente: se acabar com um título, seria bom”.

Onde assistir a Flamengo x Athletico-PR?

Neste sábado (29), o Flamengo disputa a grande final da Conmebol Libertadores contra o Athletico-PR , às 17h (de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ .