Abaf pede inclusão no fair play da CBF após renegociações de comissões do Flamengo

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A Abaf (Associação Brasileira de Agentes de Futebol) enviou ofício à Anresf para pedir a inclusão dos empresários no Sistema de Sustentabilidade Financeira da CBF, enquanto o Flamengo negocia a renegociação de pagamentos de comissões pactuadas até 2026, com postergacão de parte dos valores para 2027. A preocupação da entidade é que um clube considerado mais solvente do país recorra a reorganizações internas e passe a influenciar o comportamento de outros clubes.

O ge.globo aponta que a mobilização da Abaf ganhou força após o Flamengo encaminhar e-mails aos empresários sobre a renegociação. O tema se conecta ao fair play financeiro e à forma como credores podem ser reconhecidos e cobrados dentro do sistema.

Abaf formaliza pedido à Anresf

A Abaf é presidida por Jorge Moraes. A entidade iniciou a articulação em julho, com envio de cartas à Anresf em datas específicas.

Em 1º de julho de 2026, a Abaf enviou a primeira carta. Três dias depois, em 3 de julho de 2026, mandou uma segunda correspondência, reiterando a urgência do pedido de inclusão dos empresários no sistema de sustentabilidade da CBF.

Fair play financeiro e a cobrança dentro do sistema

A Abaf sustenta que a inclusão dos empresários no fair play financeiro permitiria que os agentes cobrassem seus créditos por meio da Anresf, e não apenas por caminhos externos. A entidade destaca que, quando um clube não paga um agente, a cobrança pode ser levada à Justiça ou à CNRD, mas que o reconhecimento no sistema aumentaria as consequências para clubes inadimplentes.

Segundo o argumento da associação, se a reorganização atingir um clube com maior estabilidade financeira, o impacto tende a se ampliar para o restante do futebol.

Renegociação no Flamengo em curso

No Flamengo, o processo de renegociação é descrito como uma reorganização financeira voltada a ajustar o fluxo de caixa. O clube negocia pagamentos de comissões pactuadas até 2026, com parte deles sendo adiada para 2027.

Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, confirmou as renegociações em entrevista e justificou: "É possível (renegociação) porque em alguns casos a gente entende que as condições não eram necessariamente adequadas."

O material também traz números ligados ao custo de contratação recente do clube. O custo total da contratação de Paquetá foi de R$ 315,7 milhões, sendo cerca de R$ 155 milhões à vista.

Posição de Jorge Moraes

Jorge Moraes, presidente da Abaf, associou o tema a risco sistêmico para o setor. Ele disse: "Se mesmo a agremiação mais solvente do país recorre a reorganizações internas para suspender unilateralmente o cumprimento das obrigações já pactuadas com agentes, o risco sistêmico para os demais clubes, inclusive aqueles em situação financeira mais crítica, é consideravelmente maior."