Análise: A eliminação do Flamengo foi desastrosa. E só não vê quem não quer

Por tudo que a cerca, é incrível ainda ter que discutir que a participação do Flamengo da Libertadores da América não foi um desastre total. Eduardo Bandeira de Mello disse, na chegada ao Rio, não "foi apenas um jogo". Discordo. De variadas formas, é possível dizer que o desastre já se anunciava - e que ele ainda poderá ganhar proporções mais vexaminosas.

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Nada impede que o Flamengo seja campeão brasileiro neste ano - afinal, jogou-se apenas uma única rodada e reforços podem deixar o time melhor - mas deixar a principal competição do continente em maio é, sim, uma catástrofe para uma equipe cara que pouco entregou. E que ainda testemunhou o coirmão Botafogo se classificar com uma rodada de antecedência, na mesma semana.

Porque foi um desastre? Por três razões.

A PRIMEIRA RAZÃO

A primeira é do técnico Zé Ricardo: sua equipe não produziu fora de casa, quando assumiu uma atitude nitidamente mais cautelosa. E saliente-se que desta vez não houve altitude, nem viagem ao México: o grupo do Flamengo era uma coleção de pontes aéreas, com idas a Santiago, Curitiba e Buenos Aires.

Os minutos finais contra o San Lorenzo foram os de uma equipe que abriu mão do que tem de melhor - a manutenção da posse de bola. Todos os comentaristas do Brasil elogiaram o Flamengo por isso. No entanto, as entradas de Matheus Sávio (aos 28 do 2º tempo), superestimando sua capacidade de enfrentar decisões, e de Juan (aos 43 do 2º tempo), avisando ao planeta que a ordem era retrancar, mostram um técnico que traiu a si mesmo. Recordemos:

- Dos 35 aos 40 do 2º tempo:

A entrada de Matheus Sávio não funcionou, o gol de empate já saiu aos 29 minutos, e o Flamengo não se recupera do choque. De acordo com as estatísticas Opta do site Goal.com, o San Lorenzo teve 72,4% da posse de bola nessa etapa. Nesses mesmos cinco minutos, a bola ficou 72,4% do tempo no terço defensivo (área + proximidade da área) do Flamengo, e apenas 3,4% no do San Lorenzo.

- Dos 40 aos 48 do 2º tempo:

Aí é desespero. O abafa do San Lorenzo se traduz em 82,9% de posse de bola nesses oito minutos, e em nenhum momento a redonda foi conduzida até a área do San Lorenzo. Não basta rebatê-la da área rubro-negra, é preciso esfriar o jogo e deixá-la o mais longe possível. Juan entra aos 43, entrincheirando a equipe. O resultado, segundo o Opta no site Goal: a presença da bola no terço defensivo do Flamengo é de 60%, contra 40% na zona intermediária, e ZERO na defesa argentina.

AS OUTRAS DUAS RAZÕES

A segunda é a da formação e manutenção de elenco, em que Rodrigo Caetano e o presidente Eduardo Bandeira de Mello (que acumula a vice-presidência) podem ser responsabilizados: afinal, Berrío parece ter vindo apenas porque o Atlético Nacional estava em liquidação, e não pelas suas parcas qualidades. Donatti e Cuéllar jamais "estrearam", Ederson demorou demais a se recuperar, só Trauco parece ser um acerto. Mas essa ainda pode ser relativizada quando se vê um Botafogo classificado com um elenco nitidamente mais limitado - para não falar na iminência de a Chapecoense avançar. A diferença é que a limitação trouxe a ambição de superá-la, enquanto o Flamengo pareceu envaidecido de sua melhor condição e não evoluiu mais: levantou um escudo contra críticas, recusou as análises de que os resultados eram enganosos.

A terceira é histórica e toma empréstimos da segunda. Terceira eliminação consecutiva na fase de grupos, quando a brincadeira está só começando, não é uma história para ser contada pelo Flamengo, um clube que tem uma imagem tão grandiosa de si - seja na torcida, seja na atual administração. Olhando para o futuro, o rubro-negro corre o risco de ser o único time brasileiro a não ocupar vagas nas oitavas do continente.

Zé Ricardo tem que continuar, sim, mas precisa entender melhor as necessidades da partida. Além disso, precisa desenvolver urgentemente maneiras de tornar o Flamengo mais agudo.

Quem viu Atlético-MG 4x1 Godoy Cruz percebeu o que é uma equipe que troca passes velozes e posições, obtendo variadas chances de gols. O Flamengo, em vez disso, tem imensa dificuldade de se infiltrar com trocas de passes e raras penetrações em diagonal. Assim, o recurso é o cruzamento. Guerrero e os outros centroavantes podem dar conta de muita coisa no sistema de pontos corridos - há muitas vagas em jogo na tabela - mas é pouco.

Fonte: O Globo

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